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Torrefadores dos EUA consomem estoques de café à espera de acordo comercial com Brasil

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Por Marcelo Teixeira e May Angel

NOVA YORK (Reuters) – Torrefadores de café dos Estados Unidos estão revirando seus estoques enquanto aguardam o resultado das negociações comerciais entre os EUA e o Brasil, que podem determinar se terão que pagar preços muito mais altos por fontes alternativas de café.

O café brasileiro, que responde por um terço dos grãos consumidos pelos EUA, maior consumidor de café do mundo, foi afastado do mercado norte-americano desde agosto, quando o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, impôs uma tarifa de importação de 50% sobre os grãos do Brasil, em um caso que misturou comércio e política.

Trump acusou o Supremo Tribunal Federal do Brasil de tratamento injusto contra seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A tarifa comercial sobre o café, entre outros produtos brasileiros, foi amplamente vista como uma punição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sucessor de Bolsonaro. Mais tarde, Bolsonaro foi considerado culpado de organizar um plano de golpe de Estado.

Até o momento, a taxa exorbitante causou estragos no setor cafeeiro dos EUA, que movimenta US$340 bilhões, deixando os importadores com cargas de café brasileiro paradas, torrefadoras pagando taxa para cancelar entregas e consumidores gastando até 40% a mais em sua bebida matinal.

Os estoques devem atingir níveis mínimos em dezembro, aumentando a pressão sobre os torrefadores e as cadeias de café para que encontrem substitutos a preços que ainda lhes permitam algum lucro.

Algumas torrefadoras tiveram que pagar a tarifa de 50% sobre os embarques de café brasileiro que já estavam reservados quando o novo imposto de importação foi anunciado. Outros estão enviando café destinado aos Estados Unidos para outros países para evitar as tarifas.

“O que acontece com essa tarifa é que não se trata de reciprocidade ou comércio, é punitiva, política e pessoal. É entre Trump e Lula”, disse Steven Walter Thomas, proprietário da importadora norte-americana Lucatelli Coffee. “O Brasil não está pagando, eu estou — eu e meus clientes.”

REDIRECIONAMENTO PARA O CANADÁ PARA EVITAR TARIFAS

A Lucatelli Coffee carregou US$720.000 em café brasileiro quando a nova tarifa já estava em vigor.

Quando o café chegou, a empresa o armazenou em Jacksonville, na Flórida, em um armazém alfandegado, onde a carga pode ser mantida temporariamente sem a incidência de impostos de importação. Mas se a Lucatelli decidir vendê-lo nos EUA, o imposto de importação de 50% será cobrado.

Thomas, cujos clientes incluem cadeias de restaurantes de médio porte, como a Brooklyn Water Bagel Company, da Flórida, disse que está enviando parte desse café brasileiro para o Canadá, pagando pesados custos adicionais de transporte, mas evitando a tarifa de 50% dos EUA.

“É um dilema: esperar e torcer por um acordo comercial ou tomar um banho de sangue na logística para redirecionar o café para fora dos Estados Unidos”, disse ele.

ALTERNATIVAS CARAS

Várias torrefadoras norte-americanas chegaram a um acordo para cancelar os pedidos de café brasileiro, disse um trader no Brasil que trabalha para um comerciante de café alemão, que pediu para não ter seu nome revelado alegando uma cláusula de privacidade no contrato comercial.

A taxa que tiveram de pagar para cancelar esses negócios, segundo ele, foi de cerca de US$20 a US$25 por saca de café de 60 kg, que atualmente vale cerca de US$515,00, sem incluir as tarifas.

Com isso, os torrefadores evitaram o pesado imposto de importação de 50% sobre uma carga que custa cerca de US$250.000 por contêiner, mas acabaram ficando sem café.

“Temos estoques, mas eles estão se esgotando rapidamente”, disse Michael Kapos, executivo de vendas e marketing da Downeast Coffee Roasters, em Rhode Island, que abastece pequenas e médias cadeias de café e mercearias na Costa Leste dos EUA.

A Downeast Coffee Roasters foi uma das empresas que conseguiu cancelar alguns pedidos, mas não todos.

Os termos do contrato dizem que o comprador é responsável por quaisquer custos adicionais, como tarifas, que tenham sido impostos após o fechamento do negócio. Ambos os lados precisam concordar antes que um contrato possa ser cancelado, o que pode ser difícil se a carga já tiver sido carregada.

A empresa está experimentando outros cafés que poderiam substituir os grãos brasileiros em suas misturas, disse Kapos, mas isso custaria mais caro.

Os preços de alternativas ao café brasileiro, incluindo grãos colombianos, mexicanos ou centro-americanos, subiram até 10% desde que os EUA anunciaram a tarifa em 9 de julho, devido ao aumento da demanda, enquanto os preços dos grãos brasileiros caíram cerca de 5%.

As torrefadoras norte-americanas estão evitando os grãos brasileiros o máximo que podem, disse um negociante de café europeu que trabalha para uma grande trading internacional, que também pediu para não ser identificado.

“Vemos, é claro, menos café saindo do Brasil e indo para os EUA, isso é muito claro, e os torrefadores estão usando todas as sacas que têm”, disse o comerciante.

CAFÉ IMPULSIONA INFLAÇÃO NOS EUA

Os preços do café no varejo nos EUA têm aumentado constantemente desde o ano passado, quando os preços globais do café subiram 70%, e devem subir ainda mais devido à escassez de oferta.

Os preços do café moído e torrado nos supermercados dos EUA subiram 41% em setembro em relação ao ano anterior, para uma média de US$9,14 por libra-peso, de acordo com dados do Bureau of Labor Statistics, ajudando a alimentar a inflação local de alimentos.

Parte desse aumento de preços tem a ver com o aumento dos preços de referência do café devido à escassez de oferta causada pela menor produção após problemas climáticos, e parte se deve às tarifas.

Os futuros do café arábica na bolsa ICE foram recentemente negociados perto de um recorde histórico.

Os consumidores perceberam.

“Não estou mais olhando muito para as marcas. Estou procurando as ofertas”, disse Sherryl Legyin, 52 anos, caixa de North Bergen, Nova Jersey, enquanto examinava o corredor de café de um supermercado em um dia de outubro.

“Gosto deste”, disse a agente de viagens Yasmin Vazquez, 40 anos, mostrando um pequeno pacote de café instantâneo Nescafé. “Costumava custar US$6 ou US$7, mas agora está sendo vendido por US$11. E parece que ficou menor”, disse ela.

Comerciantes acreditam que o nível dos estoques nos EUA se tornará crítico por volta de dezembro.

“Acho que eles têm cerca de 4 milhões de sacas em estoque no momento. Em dezembro, serão de 2,5 a 3 milhões, o que está próximo dos níveis mínimos”, disse o trader europeu.

Os EUA usam cerca de 25 milhões de sacas de 60 quilos por ano, e o Brasil normalmente fornece cerca de 8 milhões dessas sacas.

O presidente brasileiro disse esta semana que estava otimista quanto às perspectivas de um acordo comercial com os EUA, acrescentando que isso poderia acontecer “mais rápido do que qualquer um pensa”

Trump, no entanto, disse: “Não sei se algo vai acontecer, mas vamos ver”.

Enquanto isso, é provável que o preço de uma xícara de café nos EUA continue alto.

(Reportagem de Marcelo Teixeira em Nova York e May Angel em Londres)

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda