Notícias

Síndrome da Murcha no centro de São Paulo e em todo Brasil, a doença que avança de forma silenciosa

A cada safra a canavicultura paulista tem convivido com um inimigo de difícil percepção a olho nu, mas de grande impacto no bolso.

A Síndrome da Murcha (são 3 patógenos até então conhecidos:  Colethotricum, Pleucita e Fusarim)   mostra sua face de forma mais intensa a partir de agosto, quando a combinação de déficit hídrico, florescimento e estresse fisiológico (fatores abióticos mais intensos) o que cria um ambiente propício para o complexo de patógenos prosperar. (na verdade ele já está instalado nas GRANDES LAVOURAS a muitos anos.)

 Os levantamentos recentes, consolidados até agosto de 2025, comprovam a tendência: a murcha cresce no final da safra, reduzindo toneladas, ATR e qualidade industrial.

Veja na figura abaixo, a evolução histórica do ataque da SÍNDROME DA MURCHA,  ocorrida no centro do estado de São Paulo nos últimos anos.

Captura de tela 2025-09-26 163450
Figura 1.  Evolução da SÍNDROME DA MURCHA monitorada em grande produtor de cana de açúcar do interior de São Paulo. Jaboticabal, 2025.

 O divisor de águas depois de agosto/setembro

Os dados históricos mostram que, em média, a incidência no período crítico varia entre 12% e 13%. Isso se traduz em uma perda média de 9 a 10 toneladas de cana por hectare.

Em 2024, por exemplo, a região central de São Paulo apresentou 11% de incidência em agosto, equivalente a 8,25 t/ha de perda, e 11,6% em novembro, o que significou 8,7 t/ha a menos por hectare. Em dezembro, a situação foi ainda mais grave, com 13,4% de incidência e perdas de 10 t/ha, derrubando o TCH de um potencial de 75 t/ha para apenas 65 t/ha em áreas afetadas.

Veja os dados da evolução da doença em 2025, comparada com 2024, no interior de São Paulo em um grande produtor de cana de açúcar.

Captura de tela 2025-09-26 163552
Figura 2.  Evolução da infestação da Síndrome da murcha na região central do estado de São Paulo no ano de 2025 x 2024.  Jaboticabal, 2025.

O que isso representa em reais/R$?

O custo de produção de uma tonelada de cana, segundo o PECEGE em 2025, é de R$ 159,00. (Fonte: PECEGE).

 Aplicando o fator de 0,75 t/ha de perdas de produção para cada ponto percentual de murcha, temos o seguinte impacto:

  • Novembro, média histórica (12,8%): 9,65 t/ha perdidas, equivalendo a um prejuízo de R$ 1.533 por hectare;
  • Novembro, 2024 (11,6%): 8,7 t/ha perdidas, equivalendo a R$ 1.383 por hectare;
  • Dezembro, 2024 (13,4%): 10 t/ha perdidas, equivalendo a R$ 1.598 por hectare.

Em uma frente de produção envolvendo cultivo de 10.000 hectares, isso significa prejuízos na ordem de R$ 13,8 milhões a R$ 15,9 milhões em apenas uma safra.  Isso afeta a rentabilidade do negócio, reduz margens e põe em risco a sustentabilidade da grande lavoura canavieira.

Imaginem extrapolar esse dados para 50% da lavoura canavieira, que está na casa dos 9  milhões de hectares cultivados.  Isso daria um montante de 6,7 BILHÕES DE REAIS de prejuízos.

Esses números mostram como a murcha é um problema econômico e não apenas fitopatológico.

A dupla face da murcha. Os reflexos AGROINDUSTRIAIS.

A doença rouba toneladas de colmos e qualidade de matéria-prima ao mesmo tempo. O ATR cai, o amido e as infecções no processo industrial 

aumentam e a indústria paga o preço em forma de menor rendimento, maiores custos de processamento e fermentações instáveis.

A cada caminhão que chega com colmos infectados, a planilha de custos da usina fica mais pesada.

WhatsApp Image 2025-09-26 at 16.07.18
Fotos por João Andrade (agr.cana) e DTM, Syngenta

Como virar esse jogo?

 – Monitorar. Intensificar amostragens a partir de agosto, usar drones e mapas de colheita para enxergar o problema cedo;
 – Planejar a colheita. Colher primeiro áreas críticas, higienizar colhedoras e transbordos, reduzir ferimentos em solos secos;
 – Reposicionar variedades. Evitar que as mais sensíveis fiquem em ambientes restritivos, garantir mudas sadias e viveiros rastreados;
 – Fortalecer a planta. Reforçar potássio, cálcio e silício, corrigir compactação profunda e ampliar reserva hídrica no perfil;
 – Atacar em rede. Controlar pragas que abrem portas para o complexo da murcha, ajustar maturadores e inibidores de florescimento para reduzir ponteiros ricos em amido.

De número em número, a decisão coletiva.

A mensagem é clara: cada 1% de murcha é igual a 0,75 t/ha perdida.

Quando traduzimos percentuais em toneladas e toneladas em reais, a doença ganha contorno econômico e se torna argumento de decisão para diretores, gerentes e produtores. Não é apenas ciência, é fluxo de caixa.

Convite à virada.

O I Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha será o espaço para trocar experiências, validar cálculos regionais e propor medidas conjuntas.

A história mostra que a doença cresce depois de agosto/setembro.

A decisão que tomarmos agora vai definir se o final da safra será de perdas inevitáveis ou de controle estratégico.

Mais detalhes AQUI

logo_sinap

METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda