Na reunião com ministros da Agricultura do G20, em Florença, na Itália, a ministra Tereza Cristina defendeu nesta sexta-feira (17) que a, próxima década, deve ser marcada pela maior disponibilidade mundial de recursos para que produtores rurais possam adotar práticas inovadoras e sustentáveis.
“Para a próxima década, é necessário ampliar a disponibilidade de recursos para a adoção de práticas inovadoras. Eles precisam ter custo e benefÃcio adequados e serem acessÃveis a todos, e não apenas a alguns produtores subsidiados nos paÃses ricos. Somente alinhando tecnologias sustentáveis com investimentos, faremos da agricultura um setor estratégico para uma recuperação verdeâ€, disse, ao participar da sessão “Pesquisa como força motriz da sustentabilidadeâ€.
De acordo com a ministra, a ciência é um dos principais pilares da sustentabilidade no agro. Primeiro, por criar ferramentas que permitem aos produtores rurais produzirem mais, usando menos recursos naturais. Em segundo, por trazer evidências cientÃficas que garantem o fluxo adequado de alimentos. “Pesquisa e inovação são fundamentais para o desenvolvimento de uma agricultura de baixa emissão de carbonoâ€, destacou.
Tereza Cristina criticou a adoção de medidas protecionistas por parte de paÃses ricos, o que, segundo ela, afeta a concorrência global, aumenta o número de pessoas em situação de pobreza e impacta de forma negativa as comunidades rurais de nações em desenvolvimento. “O protecionismo, como todos sabemos, recompensa a ineficiência e é ruim para a sustentabilidade. Mas agora, além do protecionismo, também enfrentamos o “precaucionismo”. Os reguladores estão cada vez mais impondo medidas limitantes na tentativa de proteger os consumidores antecipadamente contra todos os tipos de riscos possÃveis. Isso não é racional. Os paÃses devem abster-se de implantar barreiras comerciais injustificáveis ??e se concentrar na remoção permanente das barreiras pendentesâ€.
Para a ministra, todas as decisões e a regulamentação mundial do agro devem ser tomadas com base em evidências cientÃficas. “A ciência é a chave para mantermos o comércio fluindo e os mercados previsÃveisâ€.
Os membros do G20 são: Ãfrica do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Ãndia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia e a União Europeia. A Espanha é convidada permanente. Os membros do G20 respondem por mais de 80% do PIB mundial, 75% do comércio global e 60% da população do planeta.
Reuniões bilaterais
Em Florença, Tereza Cristina teve reuniões com colegas dos paÃses participantes. Ela encontrou-se com secretário dos Estados Unidos, Tom Vilsack, para debater agricultura sustentável e ações conjuntas de prevenção à entrada da Peste SuÃna Africana nos territórios brasileiro e norte-americano.
No encontro com o ministro da Espanha, Luis Planas Puchades, Tereza Cristina agradeceu o apoio do governo espanhol à assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia. “Concordamos que o comércio agrÃcola justo e livre beneficiará produtores e consumidores nos dois blocosâ€, disse.
Agenda
Neste sábado (18), a ministra irá debater com seus pares a Contribuição do G20 para a próxima Cúpula dos Sistemas Alimentares (Food Systems Summit) e para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26).Â