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Por Lisandra Paraguassu
BRASÃLIA (Reuters) – O vice-presidente Hamilton Mourão minimizou nesta quarta-feira o risco de um impeachment do presidente Jair Bolsonaro, afirmando que não há clima nas ruas e que o governo tem uma maioria confortável na Câmara dos Deputados para barrar processos contra o presidente.
“Eu não vejo que haja clima para o impeachment do presidente, tanto na população quanto dentro do próprio Congresso. Acho que nosso governo tem hoje uma maioria confortável, de mais de 200 deputados, lá dentro. Não é uma maioria para aprovar grandes projetos, mas é uma maioria capaz de impedir que prosperem processos contra o presidente”, afirmou o vice antes do embarque para mais uma viagem a Amazônia.
Depois dos discursos de Bolsonaro na Avenida Paulista e na Esplanada dos Ministérios, durante os atos de 7 de Setembro, diversos partidos passaram a falar mais claramente na possibilidade de apoiar processos de impeachment. Entre eles, o PSDB, o Cidadania, e o PSD.
Existem hoje 130 pedidos de impeachment contra Bolsonaro sob a guarda do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Cabe a ele decidir sobre a aceitação e abertura de processo contra o presidente. Até o momento, Lira não se manifestou sobre as falas de Bolsonaro na terça.
Depois de ter dito que não compareceria à s manifestações, Mourão esteve ao lado Bolsonaro no ato do Dia da Independência e ouviu as ameaças do presidente contra o STF. O vice considerou as manifestações “expressivas”, mas não quis comentar o discurso alegando uma questão ética.
O vice-presidente, no entanto, criticou os inquéritos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que, por se aproximarem de Bolsonaro e de seus filhos, tornam o ministro alvo preferencial do presidente.
“Na minha visão existe um tensionamento entre o Judiciário e o Executivo. Eu tenho a ideia muito clara que o inquérito que é conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes não está correto, juiz não pode conduzir inquérito. Eu acho que tudo se resolveria se o inquérito passasse para a mão da PGR (Procuradoria-Geral da República). Isso daà distensionaria todos os problemas”, alegou.
No entanto, parte das medidas determinadas recentemente pelo ministro, e que miravam apoiadores do presidente, foram feitas a pedido da própria PGR, como as operações de busca e apreensão contra bolsonaristas que organizavam parte do protesto de terça, com ameaças contra o Congresso Nacional e o Supremo.