O Zoneamento AgrÃcola de Risco Climático (Zarc) para a cultura de milho segunda safra foi publicado nesta quarta-feira (18) no Diário Oficial da União pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Fundamentais para uma condução eficiente das lavouras brasileiras no campo, um desses zoneamentos recém-elaborados é do cultivo consorciado de milho segunda safra com braquiária.
“O ajuste do ciclo de cultivo do milho em função da variação das temperaturas neste perÃodo de segunda safra pode ser considerado o principal aperfeiçoamento deste estudo, especialmente para os estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul (PR), onde se concentram as maiores produçõesâ€, afirma Balbino Evangelista, geógrafo e analista de Pesquisa da Embrapa no Tocantins. Ele é um dos lÃderes dos trabalhos com Zarc na empresa.
Ele explica que, por conta do grande efeito da temperatura no alongamento do ciclo do milho safrinha, foram realizadas avaliações de riscos para ciclos variáveis, com duração de 100 até 180 dias. No estudo anterior, essa análise estava restrita a ciclos de 100 até 120 dias. Como consequências, aumentou a quantidade de municÃpios contemplados dentro de nÃveis de riscos aceitáveis e foi possÃvel ajustar as janelas de plantio em regiões crÃticas, seja para maior ou para menor perÃodo. Alguns municÃpios situados em regiões mais frias do Sul e do Sudeste do paÃs tiveram a janela reduzida.
Entre 22 e 24 de setembro, aconteceram reuniões virtuais de validação junto a diferentes agentes da cadeia produtiva de valor de quatro estados: Paraná; Mato Grosso do Sul; Minas Gerais; e São Paulo. Profissionais como técnicos da extensão rural, consultores, produtores, pesquisadores e agentes financeiros tiveram acesso aos resultados do zoneamento que, após discussões técnicas, foram validados com pequenos ajustes.
Zarc 50% não será implementado
Com o atraso de plantio do milho segunda safra na última safra, plantada a partir de janeiro de 2020, diversas instituições solicitaram ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento uma prorrogação da data de plantio da cultura. Por se tratar de instrumento técnico-cientÃfico, não havia como flexibilizar datas sem prévio estudo da Embrapa.
No entanto, visando demonstrar quais munÃcipios do Brasil poderiam ter mais um decêndio de plantio no milho de segunda safra com uma nova classe de risco de 50%, a Embrapa, a pedido do Mapa, desenvolveu as pesquisas, que foram apresentadas à s instituições demandantes, que declinaram da criação do Zarc de 50%.
Havia riscos de não atender todos os municÃpios que poderiam ter atraso de plantio, possÃvel exposição de um risco muito alto de perdas por problemas climáticos, elevação dos custos do sistema de seguro rural e Proagro.
Para que serve o Zarc?
O zoneamento tem o objetivo de reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e permite ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do paÃs, a cultura e os diferentes tipos de solos.Â
O modelo agrometeorológico considera elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrÃcola como temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, ocorrência de geadas, água disponÃvel nos solos, demanda hÃdrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude). Â
Os agricultores que seguem as recomendações do Zarc estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas. Â
Aplicativo Plantio Certo Â
Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de polÃtica agrÃcola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), está disponÃvel nas lojas de aplicativos:  iOS e Android  Â