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Mercado de café: “Depende do ponto de vista”, por Marcelo Fraga Moreira

Mais uma semana com o mercado lateralizado e respeitando o piso da média móvel dos 50 dias @ 184,50 centavos de dólar por libra-peso. O contrato Dez-21 terminou a semana cotado @ 186,40 centavos de dólar por libra-peso (após ter negociado entre a mínima e a máxima @ 182,50 e @ 189,85 centavos de dólar por libra-peso). Os “fundos + especuladores” voltaram a reduzir a posição comprada no período (liquidando -17.428 lotes) e terminando o período ainda comprados em +38.624 lotes.

Mesmo com essa realização e com o mercado respeitando o suporte da média móvel dos 50 dias, o indicador estocástico fechou a semana ainda indicando vendas. Agora o Dez-21 apresenta resistência @ 188,90 e suportes @ 186,40 e @ 177,90 centavos de dólar por libra-peso.

O mercado continua nervoso com a atenção redobrada às condições meteorológicas e às notícias de oferta e demanda ao redor do mundo. O Brasil continua sendo o foco das atenções e a crise hídrica continua! Chegou a chover em algumas regiões produtoras, mas ainda muito pouco! Mesmo com a previsão climática indicando novas chuvas para o período 24-setembro / 10-outubro ninguém sabe como as lavouras irão reagir. Para muitos o estrago para a safra 22/23 já é irreversível. Dependendo do ponto de vista e da posição de cada participante do mercado a safra 22/23 já está causando muita discussão!

A exportação de café no mês de agosto sofreu queda de -25% comparadas ao mesmo mês de agosto de 2020. Segundo a Cecafé* o Brasil exportou apenas 2.674.000 sacas. Comparando com o mês de julho-21 houve também uma redução de -5,38%. As justificativas continuam sendo apenas os problemas logísticos (falta de conteiners e aumento no valor dos fretes) e nenhum comentário ainda referente à falta de produto.

O setor logístico estima que a situação será resolvida apenas no segundo semestre de 2022! E até lá, quem precisar de produto vai ter que pagar o preço do dia! Café spot vai começar a valorizar! Quem tiver produto disponível em trânsito ou nos principais mercados consumidores vai ganhar dinheiro! Os diferencias de preço deverão continuar valorizando e firmes daqui pra frente! “Papai Noel” vai ser muito generoso para alguns!

Para os “baixistas de plantão” cuidado e atenção redobrada! Considerando que na safra 20/21 o Brasil exportou 46 milhões de sacas (aproximadamente 3.830.000 sacas por mês) e que durante os primeiros 2 meses da safra 21/22 o Brasil conseguiu exportar apenas 5.500.000 sacas (2.750.000 sacas por mês) algum destino vai ficar sem café ou vai precisar pagar caro para conseguir originar produto e cobrir suas necessidades de abastecimento.

Considerando uma exportação mensal em 2.500.000 sacas então o Brasil deverá  exportar 30.000.000 sacas entre Julho-21/Junho-22. Com um consumo interno ao redor das 23 milhões de sacas então a produção total brasileira para a safra 21/22 deverá ser de pelo menos 53 milhões de sacas! Será? O estoque de passagem da safra brasileira 20/21 continua sendo uma incógnita (até hoje a Conab ainda não divulgou os dados) e a produção da safra brasileira 21/22 continua com uma divergência enorme, variando entre 44-57 milhões de sacas!

Novamente tivemos a publicação de 2 novas estimativas para a safra brasileira 21/22, sendo 48,90 milhões de sacas pelo IBGE* (sendo 33,60 milhões de sacas para o café tipo arábica e 15.30 milhões de sacas para o café tipo robusta) e novamente o Rabobank mantendo sua estimativa para uma produção total em 56,70 milhões de sacas (sendo 36,00 milhões de sacas para o café tipo arábica e 20,70 milhões de sacas para o café tipo robusta). Por enquanto Rabobank e USDA* são os mais otimistas, praticamente com os mesmos números.

A Conab deverá publicar a sua estimativa na próxima semana, e o mercado continuará divergindo, questionando quem está correto até junho de 2022! Ou até quando o Brasil não tiver mais café para exportar! Ai sim, com estoques finalmente zerados, as estatísticas brasileiras também serão “zeradas” e, quem sabe, os números brasileiros voltarão a refletir a realidade dos estoques, produção, consumo e exportações!

Nesta semana viajei pelas regiões produtoras de café arábica (dirigindo aproximadamente 2.300 km), visitando 15 lavouras na região do cerrado mineiro, sul de minas e região da mogiana. Realmente é incrível como a crise hídrica prejudicou as lavouras. Conversando com os produtores que me receberam e visitando as lavouras in loco a crise hídrica é muito séria e as lavouras estão muito prejudicadas/estressadas/danificadas. Muitos produtores reclamaram dos custos de produção, das dificuldades para honrar os compromissos assumidos, dos problemas com as “travas” realizadas já para os anos 22/23 até 24/25. Mesmo chovendo nas próximas semanas muitos apostam que a safra 22/23 será pior que a safra 21/22.

Nas regiões produtoras do café robusta o desenvolvimento das lavouras para a próxima safra 22/23 continua positivo. Mesmo para as fazendas irrigadas novas chuvas são esperadas para a florada vingar. Os reservatórios estão esvaziando e sem água as lavouras poderão começar a sofrer. Os próximos 5 meses serão acompanhados de perto, e se houver algum veranico nos meses de janeiro/fevereiro-22 a safra do robusta também poderá sofrer novas quebras.

Considerando a área plantada brasileira para a safra 21/22 em 2.200.000 de hectares (sendo 1.800.000 ha para o café arábica e 400.000 ha para o café robusta) e uma produção média em 15,00 sacas/ha para o café arábica e 42,50 sacas/ha para o café robusta, acreditamos que a safra brasileira 21/22 deverá ficar em 44 milhões de sacas!

Já para a safra 22/23, considerando que a área plantada total irá diminuir em 100.000 ha para 2.100.000 ha (em função da geada e mantendo a área do café robusta inalterada) e uma produção média entre 12,50/15,00 sacas/ha para o café arábica e uma produção média entre 45,00/47,50 sacas/ha para o café robusta, a safra brasileira 22/23 ficará entre 40-44,50 milhões de sacas! Dependendo do ponto de vista, das análises de cada um, e dependendo das premissas assumidas por cada participante do mercado com a produtividade de sacas/ha, a próxima safra 22/23 novamente poderá oscilar entre 40-58 milhões de sacas!

Já para a safra 23/24, mantendo a mesma área plantada e considerando a recuperação total das lavouras, e ajustando novamente a produtividade para uma produção média em 30,00 sacas/ha para o café arábica e uma produção média em 50,00 sacas/ha para o café robusta, o Brasil já poderá voltar ter uma produção acima das 70 milhões de sacas.


 

Mercado interno segue muito firme, com poucos negócios sendo realizados entre 1.050-1.250 R$/saca para café tipo arábica e entre 700-770 R$/saca para café tipo robusta.

“Sugestões da semana”:

Mercado Spot: Seguir vendendo apenas o necessário para pagar as contas do dia/semana, com preço mínimo @ 1.150 R$/saca para o café tipo arábica e 1.250 R$/saca para “cereja descascado” e @ 750/800 R$/saca para o café tipo robusta.

Para a safra 22/23:

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No Set-22 – seguir analisando a compra de proteção através da compra da estrutura “Put-Spread” strike +190/-160 e vender a opção de compra “Call” strike -230,00. Essa operação terminou na sexta-feira com um custo “flat” (garantindo um preço mínimo ao produtor ao redor de 1,250 R$/saca – já considerando o custo da operação – e um preço máximo até @ 1.550 R$/saca e desde que o Set-22 feche acima dos 160 centavos de dólar por libra-peso e acima dos 230 centavos de dólar por libra-peso no dia do vencimento das opções do Set-22, no dia 12 de agosto de 2022).

O Produtor ficará exposto ao risco caso o mercado negocie acima 230 centavos de dólar por libra-peso.

OBS: Você sabia que os nossos cursos mudaram de data? Devido às alterações no nosso site que implicam no armazenamento das videoaulas, além de melhorias na qualidade de imagem e som e recursos didáticos, fomos obrigados a mudar as datas dos nossos cursos: o Curso Essencial será dado de 18 a 22 de outubro e o Curso Avançado de Opções dias 8 a 12 de novembro. Sempre às 16 horas com duas horas e meia de duração. Depois só em 2022!!

Detalhes no nosso site archerconsulting.com.br

Ótima semana a todos!

Marcelo Fraga Moreira*

** “Call” = opção de Compra

** “Put” = opção de Venda

** “Compra Call-Spread” = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício  mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Venda Call-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício  mais baixa e comprando a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Compra Put-Spread” = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício  mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “Venda Put-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício  mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “CFTC” = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities;

** “IBGE” = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

 ** “Cecafé” = Conselho dos Exportadores de Café do Brasil

** “USDA” = Departamento da Agricultura dos Estados Unidos

** “OIC” = Organização Internacional do Café

** “ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda