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FPA cobra revisão de proposta da Conabio e alerta para impactos econômicos de lista de espécies exóticas

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou oposição, nesta quarta-feira (22), durante sessão da Comissão de Agricultura (CAPADR) da Câmara dos Deputados, à minuta de resolução da Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A proposta prevê a publicação de uma lista nacional de espécies exóticas invasoras, incluindo cultivos amplamente disseminados e de alta relevância econômica para o Brasil — entre elas, tilápia, eucalipto, pinus, manga, goiaba e jaca.

O presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (PP-PR), afirmou que a proposta revela “desconexão com a realidade da agropecuária brasileira”. O parlamentar criticou o relatório apresentado pela Conabio, que considera espécies de grande importância produtiva como potenciais ameaças ambientais.

“A lista inclui diversas espécies amplamente cultivadas e produzidas no país, com enorme relevância econômica, e que, pasmem, foram classificadas de forma totalmente desconectada da realidade da agropecuária brasileira”, afirmou Lupion.

Ele destacou a gravidade da inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras. “O caso mais emblemático é o da tilápia. Representantes da Associação Brasileira de Produtores de Tilápia e do setor da pesca estão aqui hoje e sabem da importância dessa proteína para o Brasil. Falo também como paranaense: 70% da tilápia produzida no país vem do Paraná. E agora ela foi incluída nessa lista como espécie exótica e invasora”, disse.

Lupion alertou que a medida pode inviabilizar toda a cadeia produtiva, já que a Portaria do Ibama nº 145-N/1998 proíbe a reintrodução de espécies aquáticas classificadas como invasoras.

“Se essa lógica for levada adiante, estaremos proibindo a produção de tilápia no Brasil. Isso é um absurdo. É trabalhar contra o próprio país”, completou.

O parlamentar lembrou que a tilápia brasileira é exportada para o mundo inteiro — comercializada como St. Peter em restaurantes de Nova York — e que grande parte dessa produção é resultado do trabalho de cooperativas.

Setores produtivos ameaçados

O presidente da FPA também citou outras espécies contempladas na minuta que, segundo ele, poderiam sofrer restrições injustificadas.

“A lista inclui também o camarão vannamei, muito cultivado no Ceará e no Rio Grande do Norte, além de espécies agrícolas fundamentais como goiaba, jaca, manga, e até eucalipto e pinus — bases da indústria de papel, madeira e celulose”, afirmou.

Para Lupion, a proposta ameaça investimentos bilionários em estados como Mato Grosso do Sul e Paraná e desconsidera o papel estratégico dessas culturas na economia nacional.

“Até a braquiária, base da nossa pecuária de corte e leite, foi incluída. É uma demonstração de total desconexão com o país real”, criticou.

O ex-presidente da FPA, deputado Sérgio Souza (MDB-PR), também reforçou as críticas à proposta e alertou para as consequências econômicas.

“O que se pretende agora é fazer um zoneamento para identificar onde espécies como o pinus estão sendo plantadas, permitindo o cultivo apenas em determinadas regiões do país e proibindo em outras. Isso pode afetar regiões com alto potencial produtivo e limitar atividades econômicas importantes”, disse.

Souza defendeu a tilapicultura como atividade sustentável e segura. “A tilápia é originária da África e da Ásia, mas está totalmente adaptada às nossas condições. Não é uma espécie predatória, convive de forma equilibrada com as nativas e não representa risco ambiental. Incluir a tilápia numa lista de restrição é tecnicamente equivocado e ambientalmente infundado”, destacou.

Segundo o parlamentar, a medida “vai na contramão da geração de emprego, renda e desenvolvimento regional”, especialmente no Paraná, onde o cultivo é incentivado por cooperativas como Copacol e C.Vale.

O deputado José Medeiros (PL-MT) classificou a proposta como “uma das mais graves já apresentadas pelo Ministério do Meio Ambiente”.

“Essa medida é um ‘ovo da serpente’ muito perigoso, que ameaça setores inteiros da produção, inclusive o do eucalipto, essencial para a geração de biomassa e, consequentemente, para a produção de etanol”, afirmou Medeiros.

A deputada Marussa Boldrin (MDB-GO) também manifestou apreensão com os impactos da proposta sobre a agricultura e a aquicultura. “Vejo com muita preocupação a iniciativa do Ministério do Meio Ambiente em incluir como espécie invasora plantas e animais que sustentam milhares de famílias, como a mangueira, a goiabeira, o eucalipto e até a tilápia”, disse.

Ela lembrou que Goiás é o 7º maior produtor de tilápia do Brasil, com crescimento contínuo da atividade. “A produção cresceu para quase 12 mil toneladas em 2022 e atingiu 12,5 mil toneladas em 2023, impulsionada pelo trabalho do produtor rural, pelos fatores climáticos e pelo apoio de políticas públicas”, explicou.

“Defendemos uma política ambiental responsável, construída com ciência, diálogo e equilíbrio. Produzir e preservar não são caminhos opostos, são partes do mesmo compromisso com o Brasil que dá certo”, completou.

Pedido de revisão e diálogo interministerial

O deputado Evair de Melo (PP-ES) reforçou o alerta e destacou a necessidade de maior integração entre os ministérios.

“É inimaginável que, em pleno 2025, ainda exista dentro do Ministério do Meio Ambiente uma política discriminatória contra o eucalipto — uma cultura consolidada há décadas no Brasil e de enorme importância econômica. O mesmo vale para o pinus, essencial para a fabricação de móveis e exportações”, afirmou.

Posição do MAPA e defesa da aquicultura

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) também manifestou preocupação com a proposta, apontando falta de base científica e de diálogo interinstitucional. De acordo com a Nota Técnica nº 46/2025, a metodologia utilizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foi limitada e não considerou plenamente as competências do ministério sobre espécies de interesse agropecuário, florestal e pesqueiro.

As principais entidades da aquicultura nacional — Peixe BR, Peixe MG e Aquamat — também se posicionaram contra a proposta. Segundo elas, a inclusão da tilápia e do camarão branco do Pacífico (Penaeus vannamei) pode causar prejuízos significativos ao setor, afetar até 89% da cadeia produtiva e gerar a perda de empregos.

FPA pede suspensão da votação

A deliberação sobre a minuta da Conabio está prevista para 8 de dezembro. A FPA defende a suspensão da votação e a criação de um grupo técnico interministerial com participação dos Ministérios da Agricultura, da Pesca e das entidades produtivas para reavaliar a proposta com base científica.

“Precisamos proteger quem produz no Brasil. A conservação ambiental e a produção agropecuária não são agendas excludentes, são complementares. O desafio é garantir equilíbrio entre sustentabilidade e desenvolvimento”, concluiu o presidente da FPA, Pedro Lupion.

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda