Além de alertar os agricultores sobre os riscos que defensivos e sementes ilegais representam para lavouras, meio ambiente e saúde da população, a campanha incentiva a denúncia de atividades ilegais e valoriza quem respeita as leis
A CropLife Brasil, associação que reúne as principais empresas que atuam nos segmentos de sementes, biotecnologia, defensivos quÃmicos e produtos biológicos, lança nessa segunda-feira, 04 de outubro, uma campanha de combate à ilegalidade na produção e comercialização de insumos agrÃcolas.Â
Chamado de “Agricultor de Valorâ€, o movimento pretende esclarecer sobre os riscos inerentes ao uso de sementes, defensivos quÃmicos e biológicos produzidos ou comercializados ilegalmente no Brasil. A campanha vai incluir ações nas mÃdias sociais e peças publicitárias veiculadas nacionalmente.
PrejuÃzos e riscos para toda a sociedade
De fato, a ilegalidade é um grande problema no paÃs. Um levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade, apontou que, só em 2020, o Brasil perdeu mais de 287 bilhões de reais para o mercado ilegal. O valor corresponde à soma das perdas registradas por 15 setores industriais e dos impostos que deixaram de ser arrecadados.
Os insumos agrÃcolas fazem parte dessa conta. Dados do setor e do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) mostram que 30% das sementes, 25% dos defensivos quÃmicos e 27% dos defensivos biológicos comercializados no paÃs são ilegais.Â
“Entre as principais infrações estão fabricação ou cultivo irregular, roubo, contrabando, falsificação e desvio de uso dos produtos destinados a outros fins como insumos agrÃcolasâ€, afirma Nilto Mendes, gerente de Combate a Produtos Ilegais da CropLife Brasil.
Apesar dos percentuais elevados, a absoluta maioria dos agricultores brasileiros usa produtos formais, legalizados e com registro nos Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).Â
E é fácil entender o porquê.
Isentos de regulamentação e segurança
Além de prejuÃzos econômicos, o emprego de produtos ilegais pode afetar a saúde de animais e pessoas, a produtividade das lavouras e, também, o meio ambiente. Defensivos agrÃcolas irregulares, tanto quÃmicos quanto biológicos, e sementes sem procedência conhecida não são avaliados pelo sistema regulatório brasileiro. Por isso, não oferecem garantia de eficácia agronômica nem segurança para quem usa os produtos e para o consumidor.Â
Do ponto de vista ambiental, agroquÃmicos e biodefensivos ilegais têm o potencial de contaminar solo e água, causar mortandade de peixes e aves e ainda, no caso das sementes, introduzir pragas e doenças que não existem no Brasil.
“A ilegalidade é capaz, inclusive, de prejudicar a imagem do agronegócio brasileiro e as exportações nacionaisâ€, diz Christian Lohbauer, presidente executivo da CropLife Brasil. “A detecção de resÃduos de substâncias desconhecidas ou proibidas em mercadorias exportadas do Brasil pode causar embargos internacionais, provocar o encerramento de parcerias comerciais e atrapalhar a abertura de novos mercadosâ€, completa Lohbauer.
O valor de respeitar a lei
“Mesmo que não saiba, o agricultor que usa produtos ilegais contribui para o aumento da criminalidade, lesa os cofres públicos e ainda coloca em risco toda a cadeia produtiva do agronegócio brasileiroâ€, afirma Nilto Mendes. “Além disso, quem for apanhado infringindo as regras, pode ser enquadrado nas leis de Crimes Ambientais e dos Agrotóxicos, ficando sujeito a sanções administrativas e criminais. É caso de produtos oriundos de roubos, furtos, contrabando e falsificação que podem render penas que variam de 1 a 8 anos de prisãoâ€, explica Mendes.
As sanções administrativas incluem multas pesadas, reparação de danos, fechamento e perda de registro de estabelecimento.