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Por Maximilian Heath
BUENOS AIRES, 13 de setembro (Reuters) – Os lÃderes agrÃcolas da Argentina pediram nesta segunda-feira (13) que o governo revise o que eles chamam de polÃticas intervencionistas no setor, incluindo limites de exportação com impostos sobre carne bovina e grãos, após uma eleição primária que prejudicou gravemente o partido no poder.
O governo de centro-esquerda do presidente Alberto Fernandez foi duramente derrotado nas eleições primárias de meio de mandato do Congresso no domingo, o que provavelmente forçará um repensar polÃtico antes da votação total em novembro.
LÃderes de dois dos principais órgãos agrÃcolas do paÃs disseram à Reuters que a eleição ressaltou a necessidade de o governo reconstruir pontes com os agricultores após confrontos no ano passado, especialmente sobre limites à s exportações de carne.
A Argentina é o maior exportador mundial de farelo de soja processado e óleo de soja, e um grande produtor de trigo, milho e carne bovina. O paÃs depende fortemente de suas exportações agrÃcolas para trazer a tão necessária moeda estrangeira para reconstruir as reservas esgotadas.
“Acho que agora eles terão motivação para mudar de opinião, para reconstruir a situação e não aprofundar o confronto com o setor agrÃcolaâ€, disse o presidente da Federação Agrária Argentina (FAA), Carlos Achetoni.
O governo limitou as exportações de carne bovina desde maio em uma tentativa de conter a inflação doméstica, assumiu um controle mais direto sobre os pedágios em uma importante hidrovia de grãos em meio à oposição do setor e ameaçou com aumento de impostos sobre os embarques de grãos.
“(O resultado de domingo) me incentiva a pensar que o governo está começando a prestar atenção nas medidas que estão sendo realizadas com o setor agrÃcola e a ver que elas estão erradasâ€, disse Jorge Chemes, chefe das Confederações Rurais Argentinas (CRA).
PROTESTO RURAL
O poderoso partido peronista argentino sempre entrou em conflito com os fazendeiros, embora Fernandez tenha prometido uma relação mais cordial quando assumiu o poder em 2019.
No entanto, no inÃcio deste ano, o governo impôs cotas temporárias à s exportações de milho e ameaçou aumentar os impostos sobre os embarques de trigo, gerando protestos. Agricultores recentemente ameaçaram com novos protestos sobre os limites de exportação de carne bovina.
Chemes disse, no entanto, que a possibilidade de mais diálogo após a derrota nas eleições pode neutralizar as ameaças recentes se o governo voltar à mesa. Achetoni, por sua vez, disse que um degelo na relação só aconteceria com medidas concretas e de apoio do governo.
Ambos concordaram que os grupos agrÃcolas do paÃs chegarão a uma decisão no final desta semana sobre uma nova ação coordenada.
“Sentimos algum alÃvio no nÃvel de pressão, especialmente considerando a possibilidade de que este governo reflita sobre as coisasâ€, disse Chemes.
“Mas sem dúvida se o governo não reconsiderar as medidas da nossa parte vão se intensificarâ€.
(Reportagem de Maximilian Heath; Edição de Adam Jourdan e Jonathan Oatis)