A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza na próxima quarta-feira (16), às 9h, uma operação de leilão eletrônico para a compra de 127,33 mil toneladas de arroz em casca, a granel, da safra 2025/2026, como parte das ações para mitigar possíveis impactos do fenômeno El Niño e contribuir para a segurança do abastecimento nacional. O pregão eletrônico será realizado pelo Sistema de Comercialização Eletrônica da Conab (Siscoe), na modalidade viva-voz.
Do total previsto, 102,08 mil toneladas deverão ser entregues no Rio Grande do Sul e 25,25 mil toneladas em Santa Catarina. O leilão foi autorizado pela Portaria Interministerial nº 20/2026, que destinou até R$ 500 milhões para as aquisições voltadas à mitigação dos efeitos do El Niño. A operação será realizada com a participação de produtores rurais, cooperativas e das corretoras associadas à Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM).
No mercado, preços avançam com estoques enxutos
O mercado de arroz vem passando por um movimento de recuperação dos preços no Rio Grande do Sul. Nos últimos 30 dias, o valor da saca de 50 quilos avançou mais de 20%, em algumas regiões pesquisadas pela BBM. A valorização ocorre em um cenário de menor disponibilidade do produto, estoques mais enxutos e maior necessidade de reposição por parte da indústria beneficiadora.
O movimento sinaliza uma mudança no comportamento do mercado após um período de pressão sobre os preços. Com a oferta mais restrita e os produtores mais cautelosos na comercialização, os compradores ganharam maior presença nas negociações, dando sustentação à recuperação das cotações. A indústria, por sua vez, busca recompor estoques, mantendo a demanda pelo cereal aquecida.
Na avaliação de Sildomar Petronilho Bernardes, corretor que acompanha as negociações do cereal, da Globo Corretora de Mercadorias, associada à BBM, a redução da área plantada, os efeitos das condições climáticas e a consequente retração da oferta estão entre os fatores que ajudam a explicar a valorização observada no mercado.
“A queda na área plantada foi motivada pelos preços baixos, que desestimularam o plantio para a nova safra 2026/27. Além disso, o fenômeno El Niño, com chuvas excessivas e altos volumes de precipitação, atrapalha a entrada de maquinário e o preparo do solo, fazendo com que se perca a janela ideal de plantio. Com essas mudanças, houve retração na oferta do cereal e, consequentemente, alta nos preços”, explicou.
Segundo Bernardes, o arroz em casca no Rio Grande do Sul, principal produtor de arroz do Brasil, era negociado em torno de R$ 47,00 por saca de 50 quilos em janeiro, mantendo esse patamar até março. Entre abril e junho, foram registradas pequenas altas, enquanto, entre julho e agosto, as cotações chegaram a R$ 78,00 por saca. Hoje, a saca é cotada em R$ 76,35 em Cachoeira do Sul (RS), no Indicador BBM, que aponta para uma alta mensal de 18% na região.
Para os próximos meses, a expectativa apresentada pelo profissional é de manutenção dos preços nos patamares atuais, com possibilidade de novas altas. Segundo ele, a estabilidade do mercado estará diretamente relacionada ao comportamento climático e à evolução do plantio da próxima safra. “Diante do cenário atual, minha opinião é que o mercado do arroz permanecerá nesses patamares, com tendência de novas altas. A estabilidade do mercado dependerá dos eventos climáticos e da evolução do plantio”, avaliou.
Nesse cenário, o acompanhamento das referências de preços ganha importância para os diferentes agentes da cadeia orizícola. As cotações agrícolas acompanhadas pela Bolsa Brasileira de Mercadorias contribuem para ampliar o entendimento sobre o comportamento do mercado físico e oferecem referências para produtores, cooperativas, corretoras e demais participantes na tomada de decisões comerciais.
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