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A notÃcia de que o Brasil importou grande quantidade de café, com previsão de chegada no paÃs em 45 dias, movimentou o setor cafeeiro no último final semana. De acordo com a publicação que circulou nas redes sociais, a importação do grão poderia ser uma alternativa para suprir a quebra de produção do Brasil em 2022.
De acordo com dados disponÃveis da página de Estáticas de Comércio Exterior (Comex Stat) o Brasil tem autorização e de fato exporta um pequeno volume de resÃduos de café e café torrado, no entanto, de acordo com analista de mercado Eduardo Carvalhaes e com o próprio Conselho Nacional do Café (CNC) é inviável para o mercado, apesar do paÃs ter autorização e importar pequenas quantidades.Â
A importação de 500gr de café verde proveniente do Peru foi de fato realizada pela empresa José Arriel Coffe, localizada no Sul de Minas Gerais, neste mês de outubro. De acordo com Afrânio Junior, porta-voz da empresa, a amostra foi trazida para o Brasil com a finalidade de fazer blend e apresentar café diferenciado ao mercado interno. “Quantas pessoas não podem viajar e sentem a vontade de tomar um café diferente? Acho que isso pode aumentar as vendas de café do Brasil e movimentar o mercado”, comenta ao NotÃcias AgrÃcolas.Â
Em relação à s notÃcias de que contêineres estariam chegando no Brasil nos próximos dias, o porta-voz relatou que os testes ainda estão sendo feitos, e que o próximo passo para fechar negócio em maior escala é visitar o Peru e conhecer as áreas de produção. “Tenho sim interesse em comprar mais café, mas a compra ainda não está fechada. Acredito que pode ser uma solução para pensar em bebida diferenciada, apresentar outras opções de café diferenciado”, complementa.Â
Veja o comprovante de importação enviado ao NotÃcias AgrÃcolas por Afrânio:

Segundo dados da Comex Stat, no perÃodo entre janeiro/setembro de 2021, o Brasil importou 3.761,26 toneladas de café torrado, extratos, essências e concentrados de café. O número representa 0,04% de participação nas importações totais no perÃodo, e com receita de US$ 60,21 milhões. Â
Os gráficos mostram ainda que a maior parte dos produtos foram importados da SuÃça com 56% do total, França aparece com 18% e Reino Unido com 8,4%. Já em relação aos estados exportadores, São Paulo aparece em primeiro lugar com participação de 92,9% no perÃodo. Os demais estados produtores como Minas Gerais, Bahia, Paraná e EspÃrito Santo também aparece na relação, mas as exportações não chegam a 1%.Â
Em relação ao café não torrado, no perÃodo entre janeiro/setembro de 2021, o Brasil importou 2.074,27 toneladas no perÃodo, com receita de US$ 3,59 milhões. O montante representa 0,002% nas importações totais do perÃodo. Alemanha aparece com maior fornecedor de café, com 58% e México vem logo na sequência com 39% de participação. Em relação aos estados importadoras, Paraná aparece como principal importador, seguido do Rio Grande do Norte, Minas Gerais e EspÃrito Santo.Â

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O Brasil consome em média 22 milhões de sacas/ano. O mercado interno é aquecido e por isso, Carvalhaes descarta qualquer possibilidade de outro paÃs produtor suprir a necessidade do Brasil. “Brasil é forte do jeito que é porque tem o consumo interno que também sustenta nossa produção. Não consigo imaginar onde teria tanto café para suprir uma necessidade como essa. Se alguém conseguir comprar com o dólar a esse preço e com os impasses logÃsticos, precisamos saber onde está esse café” acrescenta.Â
Segundo Eduardo, ainda que o Brasil importasse mensalmente um contêiner com 340 sacas, por exemplo, ainda assim o volume no acumulado de 12 meses pouco movimentaria o mercado. “5 mil sacas de cafés não faz mercado no Brasil. E não podemos esquecer que todos os paÃses de café enfrentam problemas, e quando vemos a Colômbia, segundo maior produtor de café do mundo, importando café do Brasil entendemos que além de quantidade, temos muita qualidade sendo oferecida”, comenta.Â
Os números do  Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) referente ao mês passado, comprovam a participação efetiva da Colômbia nos embarques do Brasil. A nação vizinha adquiriu 866.268 sacas entre janeiro e setembro de 2021, apresentando significativo crescimento de 82,6% na comparação com as compras do produto nacional realizadas nos nove primeiros meses do ano passado. Desse total, 814,5 mil sacas são do grão verde, que é utilizado para consumo interno ou industrialização como café colombiano a ser comercializado.
Conselho Nacional do Café desmente notÃcia de grande importação de café
“O mercado de café é extramente sensÃvel e fica muito mexido quando tem uma notÃcia como essa circulando. O Brasil segue produzindo café suficiente para atender mercado interno e externo”, afirma o Silas Brasileiro – presidente do Conselho Nacional do Café (CNC) ao NotÃcias AgrÃcolas.Â
Silas comenta ainda que o produtor neste momento enfrenta sérios problemas, como adversidades climáticas e elevados custos de produção. “Os mais afetados, sem dúvidas, são os nossos produtores. Não bastasse a seca que comprometeu a safra 2020, as quatro geadas seguintes, sendo a mais grave a de 20 de julho, os elevados custos de insumos – que se não forem mantidos, no mÃnimo aos preços atuais – inviabilizará a nossa produção, temos que enfrentar notÃcias como essas”, destaca.Â
Em nota emitida na segunda-feira (25), o CNC destacou ainda que lamenta “profundamente que Fake News como essa ainda seja veiculada, visto que traz um grande prejuÃzo para a cadeia produtiva do café, com impacto de enormes dimensões no paÃs e no mundo, já que o mercado oscila e especula. Afirmamos que o Brasil continuará sendo o maior produtor e exportador de café do mundo, com condições de atender não só ao mercado externo, mas também de abastecer o consumo interno.”Â
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