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Por Maria Carolina Marcello
BRASÃLIA (Reuters) – A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o projeto que torna fixo o ICMS incidente sobre os combustÃveis, uma proposta defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, mas que não conta com a simpatia de boa parte dos governadores.
O projeto foi enviado originalmente ao Congresso pelo governo de Bolsonaro, que credita a alta dos combustÃveis aos governadores e ao ICMS cobrado pelos entes da Federação. A proposta também recebeu o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Os governos estaduais afirmam, no entanto, que sofrerão perda de 24 bilhões de reais com o projeto que muda o cálculo do ICMS, e apontaram a polÃtica de preços praticada pela Petrobras como a verdadeira responsável pelos preços altos praticados no paÃs.
O texto principal foi aprovado com 392 votos a favor e 71 contrários. No final da noite, os deputados rejeitaram cinco destaques ao texto propostos pela oposição que visavam alterar a proposta e, com a conclusão da análise da matéria, ela vai ao Senado.
Segundo o relator da proposta, deputado Dr. Jaziel (PL-CE), o projeto tem a intenção de tratar de um dos pontos mais decisivos na composição do preço dos combustÃveis: a carga tributária.
“De acordo com a apuração mais recente realizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), os tributos federais e estaduais respondem por cerca de 40,7% do preço da gasolina. Portanto, independentemente das discussões sobre a polÃtica de preços praticada pela Petrobras, não há como negar que a carga tributária é decisiva para o elevado custo dos combustÃveis”, argumentou o relator em seu parecer.
“Por todas essas razões, o mecanismo mais eficiente para o controle dos preços dos combustÃveis –até mais do que a implementação de intervenções estatais localizadas– é a estabilização efetiva de parte expressiva de seu custo, mediante a exigência de tributos por um valor fixo, diminuindo-se, assim, a influência das alterações do preço do barril de petróleo no valor cobrado do consumidor final”, acrescentou o relator.
Também na noite de quarta, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que a proposta sobre o ICMS será analisada com atenção pela Casa, ao mesmo tempo que apontou outros pontos que influenciam o preço dos combustÃveis praticado no Brasil, como a variação cambial e a polÃtica de preços da Petrobras.
“Precisamos estabilizar o preço dos combustÃveis, tornar o preço mais palatável para o desenvolvimento do paÃs. Não tem como desenvolver o paÃs com este preço. O Senado está muito aberto à s boas propostas”, disse Pacheco, segundo a Agência Senado.
ALÃQUOTA ANUAL
O substitutivo apresentado por Jaziel prevê que nas operações com combustÃveis sujeitas ao regime de substituição tributária, as alÃquotas do imposto sejam especÃficas, por unidade de medida adotada, definidas pelos Estados e pelo Distrito Federal para cada produto.
“Ademais, como forma de trazer maior estabilidade e maior transparência aos preços, essas alÃquotas especÃficas serão fixadas anualmente e vigorarão por doze meses a partir da data de sua publicação”, explicou.
Essas alÃquotas especÃficas definidas pelos Estados e pelo Distrito Federal não poderão exceder, em reais por litro, ao valor da média dos preços a consumidor final praticados no mercado considerado ao longo dos dois exercÃcios imediatamente anteriores, multiplicada pela alÃquota ad valorem aplicável ao combustÃvel em 31 de dezembro do exercÃcio imediatamente anterior, diz o relatório do deputado.
“Dessa forma, propõe-se uma solução para amortecer a oscilação dos preços dos combustÃveis, ao mesmo tempo em que se respeita a autonomia dos entes federados, que manterão a competência para definição de suas alÃquotas aplicáveis, sem necessidade de uniformização nacional por produto.”
O vice-lÃder do PT, Enio Verri (PR), assim como outros integrantes da oposição e até mesmo de partidos identificados como liberais, apontaram que a fonte do problema da alta dos combustÃveis não reside no imposto, mas na polÃtica de preços praticada pela Petrobras.
“Faz no mÃnimo 12 meses que o percentual do ICMS não sobe. A verdade é que não é o ICMS que faz com que o preço do combustÃvel fique mais caro, e, sim, a polÃtica de preço de paridade internacional. Na atual gestão –de Bolsonaro e Paulo Guedes–, o preço do petróleo aqui no Brasil sobe de acordo com a variação do dólar e com a variação do preço do combustÃvel no resto do mundo”, disse o deputado petista.
“Com isso, a Petrobras ganha muito, seus acionistas privados ganham muito, e a população não consegue, devido ao desemprego e seus parcos salários, pagar um botijão de gás, que passa de 100 reais, ou abastecer o seu carro, cujo combustÃvel está além de 6 reais. Na verdade, o governo Bolsonaro apresenta aqui na Câmara um projeto que tenta disfarçar a sua mais completa responsabilidade. O aumento do combustÃvel não é responsabilidade do Estado, e, sim, da polÃtica adotada pela Petrobras”.