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As lavouras de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil podem continuar sendo desfavorecidas pelo clima em meio chances de cerca de 70% de ocorrência do fenômeno La Niña durante a primavera no Brasil, que vai até dezembro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea, da Esalq/USP).
“Portanto, as chuvas devem continuar abaixo da média no Sul do Brasil, bem como em algumas áreas de SP e Mato Grosso do Sul. Por outro lado, nas regiões Centro-Oeste e Norte do paÃs, as chuvas podem ser superiores à média”, destacou o centro em nota mensal divulgada nesta segunda-feira (04).
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Com isso, as atenções para os impactos climáticos na safra já se voltam para a nova temporada de cana-de-açúcar (2022/23), que começará oficialmente na região Centro-Sul apenas em abril do ano que vem. Além disso, a safra atual deverá terminar mais cedo do que o habitual em meio impacto climático dos últimos meses.
“A atual safra (2021/22), que vem sendo marcada por fortes estiagens e geadas em algumas regiões brasileiras, pode terminar mais cedo do que o normal, prolongando a entressafra, o que pode sustentar os preços do açúcar nos próximos meses”, destacou o centro.

Os preços dos derivados da cana-de-açúcar atingiram nÃveis recordes no mercado interno nos últimos meses. No dia 23 de setembro, por exemplo, o Ãndice Cepea/Esalq para o açúcar cristal atingiu pico de R$ 145,46 na saca de 50 quilos, um recorde nominal na série do Cepea iniciada em 1997.
Segundo a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) , os preços de venda da cana no mercado spot chegam a ser de R$ 150 a R$ 160 por tonelada nas regiões em que há quebra maior de safra.
Já no cenário internacional, as cotações do açúcar bruto caÃram na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) no final de setembro em meio recente valorização do dólar norte-americano frente ao real, segundo o Cepea. No entanto, a tendência ainda é de alta para os preços.
“Com a recuperação do mercado indiano, a oferta de açúcar para exportação diminuiu; além disso, a produção de açúcar tem sido baixa no Brasil. Segundo a Unica, na atual safra (2021/22 – inÃcio de abril a 1º de setembro), 53,73% da cana processada foi destinada à produção de etanol e 46,27% à produção de açúcar”.
