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Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Petrobras elevará o preço do diesel nas refinarias em quase 9% a partir de quarta-feira, após 85 dias de estabilidade, informou a companhia em nota, frisando que o movimento é importante para garantir o abastecimento do combustÃvel no paÃs.
Com o ajuste, o valor médio do diesel vendido pela companhia a distribuidoras passará de 2,81 reais para 3,06 reais por litro, refletindo reajuste médio de 0,25 real por litro. Já a gasolina foi mantida estável.
Com o movimento, os preços médios de diesel e gasolina da Petrobras acumulam alta de mais de 50% neste ano.
O ajuste vem após o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, convocar uma rara coletiva de imprensa virtual na véspera, quando voltou a explicar a composição dos preços dos combustÃveis no paÃs. No evento, um executivo da estatal disse que a empresa avaliava a realização de um reajuste.
O Brasil não consegue produzir todo o combustÃvel que consome, dependendo então de volumes de importação para atender ao mercado.
“Esse ajuste é importante para garantir que o mercado siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento à s diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras”, disse a empresa.
“Reflete parte da elevação nos patamares internacionais de preços de petróleo e da taxa de câmbio.”
A estatal e o governo têm reiterado que a Petrobras possui liberdade para ajustar preços, conforme estratégias de mercado, mas ambos vêm sofrendo forte pressão por segmentos da sociedade que questionam os fortes avanços, que ocorrem como reflexo do mercado internacional.
Nesta terça-feira, o presidente da Câmara, Arthur Lira, publicou nas redes sociais que buscará alternativas para os preços de combustÃveis.
“Amanhã, vamos colocar alternativas em discussão no Colégio de LÃderes. O fato é que o Brasil não pode tolerar gasolina a quase 7 reais e o gás a 120 reais”, disse Lira, que se referiu aos valores cobrados nas bombas. Ele também tem cobrado explicações de Luna sobre o avanço dos valores.
Na véspera, a Reuters publicou que o presidente da Petrobras manteve contato recentemente com autoridades, incluindo Lira, que buscam alternativas para “amortecer” o preço dos combustÃveis.
Uma das opções, segundo fontes, é o uso de um fundo com recursos do pré-sal para um programa de subsÃdios que aliviem reajustes aos consumidores, mas haveria necessidade de aprovação do Poder Legislativo.
O repasse do aumento para as bombas, nos postos, depende de uma série de questões, como margens de distribuidoras e revendedoras, misturas de biodiesel, assim como tributos.
A defasagem do diesel da Petrobras ante o mercado internacional, no fechamento da véspera, estava em 15%, segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de CombustÃveis (Abicom).
“O reajuste anunciado de 0,25 real/litro, quando a defasagem média está em 0,50 real/litro, mostra que ficar 85 dias sem ajuste não é a melhor prática. Mercados mais maduros fazem reajustes mais frequentes”, afirmou à Reuters o presidente da Abicom, Sérgio Araújo.
Araújo ponderou, no entanto, que o anúncio da petroleira “sinaliza sua autonomia”.
(Por Marta Nogueira)