As alternativas para driblar os altos custos de produção, que têm corroÃdo a renda de produtores de suÃnos – em especial os independentes, foram o destaque da reunião da Comissão Técnica (CT) de Suinocultura do Sistema FAEP/SENAR-PR. O encontro, realizado de forma virtual, nesta quinta-feira (16), reuniu lideranças do setor de todas as regiões do Paraná. O uso de cereais de inverno na formulação de rações e possÃveis investimentos em equipamentos para o processamento desses grãos por produtores estiveram entre os destaques.
Deborah Geus, presidente da CT, demonstrou preocupação com os grandes investimentos feitos por megacorporações, que aumentam a eficiência produtiva e empurram pequenos e médios produtores para a inviabilidade. “Nós precisamos nos unir para melhorarmos nossos Ãndices, reduzir custos e buscar alternativas para que possamos conseguir nos manter competitivos. Hoje, ou crescemos e modernizamos o negócio, ou o sistema vai tirando do mercadoâ€, alertou.
Um dos produtores independentes presentes na reunião, Wienfried Matthias Leh, da região de Guarapuava, afirmou que, desde janeiro, o caixa tem amargado sistematicamente prejuÃzos. “Com essas cotações de milho e soja, o preço atual dos suÃnos não tem remunerado suficientemente o meu negócio. Tenho dialogado com a agroindústria para chegarmos a arranjos em relação aos custos com ração. Não sei ao certo a qual modelo vamos adotar, algo parecido com uma integração. Só sei dizer que do jeito que está não dá mais. Estou pagando para trabalharâ€, revelou.
Cereais de inverno
Os participantes da reunião puderam acompanhar uma palestra do pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-PR) Elir de Oliveira. Entre os aspectos destacados pelo especialista está o fato de que há um potencial de 2,7 milhões hectares por ano no inverno no Paraná que fica ou sem cultivo (pousio) ou somente com plantas de cobertura sem fins comerciais. “É viável usarmos essa área para cultivo de alimentos tanto com destinação humana quanto animalâ€, relata.
O fato é que, historicamente, o Paraná produz milho em abundância na segunda safra, a ponto de suprir toda a demanda estadual e ainda vender para outros Estados e exportar o excedente. Ou seja, essa questão de cereais alternativos ficou mais evidente apenas neste ciclo, já que, houve uma quebra histórica do produto no Paraná e os preços também estão em patamares nunca vistos. Com isso, os agricultores têm a oportunidade de investir em outros produtos, que podem ser usados na formulação de rações, como aveia granÃfera, sorgo granÃfero, trigo mourisco, milheto granÃfero e triticale.
Outros assuntos
Ainda no encontro, Newton Nascentes Galvão, técnico da divisão de Sanidade dos SuÃnos do Departamento de Saúde Animal (DAS) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), tratou da situação em relação à prevenção e controle da Peste SuÃna Clássica (PSC) e Peste SuÃna Africana (PSA). A palestra abrangeu uma explicação de como funciona o trabalho do Mapa, desde uma contextualização internacional até medidas efetivamente tomadas dentro dos Estados mais vulneráveis, onde há focos da PSC.