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Royal Rural: O USDA segue o Pro Farmer? O histórico de 21 anos mostra que não

Por Ronaldo Fernandes

Quando termina o Pro Farmer Crop Tour, é natural o mercado usar o resultado como referência para tentar antecipar o que o USDA poderá fazer no relatório de setembro. Só que, olhando os números de 2005 até 2025, fica muito claro que o USDA não acompanha automaticamente aquilo que a Pro Farmer projeta em agosto.

No milho, esse comportamento é muito forte.

Em 18 dos 21 anos analisados, o USDA chegou em setembro com uma produção maior do que a estimada pela Pro Farmer. Isso aconteceu em 85,7% dos anos. Somente em 2008, 2010 e 2021 a produção do USDA de setembro ficou abaixo da Pro Farmer.

E não estamos falando apenas de pequenas diferenças. Em média, nesses 21 anos, a produção da Pro Farmer ficou 5,39 MMT abaixo da produção apresentada pelo USDA em setembro.

Na produtividade aconteceu praticamente a mesma coisa. Em 18 dos 21 anos, o USDA de setembro trabalhou com produtividade maior que a Pro Farmer. Na média histórica, o USDA ficou aproximadamente 2,37 bushels por acre acima.

O exemplo mais recente mostra bem o tamanho que essa diferença pode atingir. Em 2025, a Pro Farmer projetou milho em 182,7 bu/acre e 411,598 MMT. Poucas semanas depois, o USDA de setembro trouxe 186,7 bu/acre e 427,092 MMT. Foram 4 bushels por acre e 15,49 MMT a mais que a projeção da Pro Farmer.

Outros anos também tiveram diferenças grandes. Em 2005, o USDA ficou aproximadamente 12,12 MMT acima. Em 2019, 11,20 MMT. Em 2013, 9,73 MMT. Em 2016, 9,27 MMT. Ou seja, historicamente não é raro o Crop Tour terminar agosto mostrando uma safra significativamente menor e o USDA continuar trabalhando com números bem superiores em setembro.

Na soja, esse padrão também existe, mas é bem menos forte.

Dos 21 anos analisados, em 14 anos o USDA de setembro apresentou produção maior que a Pro Farmer. Isso representa 66,7% dos casos. Em apenas sete anos a produção da Pro Farmer terminou acima do USDA de setembro: 2007, 2010, 2013, 2020, 2021, 2022 e 2024.

Mas aqui existe uma diferença importante em relação ao milho. Na soja, a distância média é muito menor. Ao longo dos 21 anos, o USDA de setembro ficou, em média, apenas cerca de 0,50 MMT acima da Pro Farmer em produção.

Na produtividade, a diferença média também foi pequena, aproximadamente 0,26 bushel por acre a favor do USDA. E aqui o comportamento foi mais equilibrado: o USDA teve produtividade maior em 12 anos, a Pro Farmer ficou maior em 8 anos e, em 2011, os dois trabalharam com os mesmos 41,8 bu/acre.

Isso mostra outra coisa importante: produção e produtividade não são necessariamente a mesma comparação. A produção final depende também da área colhida utilizada em cada projeção. Em 2018, por exemplo, a Pro Farmer projetou 53,0 bu/acre, acima dos 52,8 bu/acre do USDA, mas mesmo assim sua produção ficou ligeiramente menor, 127,45 MMT contra 127,723 MMT. A diferença veio da área utilizada na conta.

Então o que esse histórico realmente nos ensina?

Primeiro, que o Pro Farmer é uma referência importante de campo, mas não funciona como antecipação automática do USDA. As duas instituições trabalham com metodologias diferentes. A Pro Farmer utiliza as medições do Crop Tour e seus próprios ajustes para chegar a uma estimativa nacional. O USDA utiliza levantamentos próprios, área colhida, pesquisas com produtores, amostragens e metodologia estatística própria.

Por isso, dizer que o USDA simplesmente “segue” o Pro Farmer seria errado. Na verdade, principalmente no milho, o histórico mostra praticamente o contrário: mesmo quando a Pro Farmer termina agosto indicando uma safra menor, o USDA frequentemente mantém uma visão mais otimista em setembro.

No milho, o padrão é muito claro: 18 de 21 anos com USDA setembro acima da Pro Farmer em produção.

Na soja, o padrão existe, mas é mais fraco: 14 de 21 anos com USDA setembro acima da Pro Farmer em produção.

Isso é extremamente importante para interpretar o Crop Tour de 2026. Se a Pro Farmer vier no dia 21 com uma produtividade e uma produção significativamente abaixo do USDA de agosto, isso pode gerar reação em Chicago e colocar o tamanho da safra em discussão. Mas o histórico mostra que não devemos automaticamente esperar que o USDA faça o mesmo corte em setembro.

No milho, principalmente, os últimos 21 anos mostram uma característica muito consistente: a Pro Farmer normalmente termina abaixo, e o USDA frequentemente mantém uma produção maior no relatório seguinte. Em 85,7% dos anos analisados foi exatamente isso que aconteceu.

Portanto, o Crop Tour pode levantar a dúvida sobre o tamanho da safra. Quem terá que confirmar ou rejeitar essa leitura depois é o USDA. E historicamente, especialmente no milho, o USDA não costuma simplesmente reproduzir aquilo que a Pro Farmer encontrou no campo.
 

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda