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Por Paula Arend Laier
SÃO PAUL (Reuters) – Investidores estrangeiros estão cautelosos em relação ao Brasil, mas olhando para oportunidades, em vez de estarem correndo para a porta de saÃda, de acordo com o estrategista-chefe da XP Investimentos, Fernando Ferreira, e o economista-chefe do grupo, Caio Megale.
Após se reunirem com mais de 30 investidores no Estados Unidos na última semana, eles afirmaram que as eleições de 2022 e a economia foram os temas mais debatidos nos encontros, em relatório a clientes.
“Em relação à s eleições, os investidores estrangeiros entendem que o ano de 2022 deve ser de alta volatilidade”, com a maioria, por ora, avaliando ser difÃcil um cenário sem uma disputa entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, afirmaram.
Esses investidores também atribuem por enquanto uma baixa probabilidade para um candidato da terceira via.
A dúvida, de acordo com a equipe da XP, é como será a gestão fiscal no próximo mandato presidencial, em particular diante da queda da credibilidade no teto dos gastos imposta pelo debate da PEC dos Precatórios. Em relação à economia, disseram, muitos questionaram se o Brasil enfrentará uma recessão em 2022.
Apesar da cautela, a XP afirma que isso não se traduz em uma vontade dos estrangeiros em se desfazer de ativos brasileiros, pelo menos por enquanto. E isso é referendado pelo fluxo externo para o segmento Bovespa – positivo em 57 bilhões de reais em 2021 até o dia 17 de novembro (excluindo IPOs e follow-ons).
Entre as razões para tal comportamento, eles citam forte fluxo para ações globais no ano em 2021, redução de alocações para ações chinesas e valuation barato das ações brasileiras.
“A pergunta mais comum que recebemos é o que comprar e onde investir no Brasil nesse cenário turbulento”, disse a equipe da XP, acrescentando que, em relação à bolsa, há um sentimento entre os estrangeiros de que está difÃcil encontrar setores e papéis mais protegidos no atual cenário turbulento.
“Observamos que os investidores estrangeiros têm receios em relação aos dois principais papéis do setor de commodities, Petrobras (polÃtica de preços) e Vale(preços de minério fracos)”, citaram.
Além disso, acrescentaram, os papéis de maior “qualidadeâ€, que parecem ser posições de maior consenso entre os investidores, estão entre os que mais sofreram recentemente, como Natura&Co, Locaweb, Magazine Luiza, entre outros.
“Nesse cenário, o setor de bancos parece ter um interesse razoável entre os investidores. Ressaltamos Banco do Brasil como nossa posição favorita no setor, e preocupações com os outros bancos privados (Itaú Unibanco, Santander Brasil e Bradesco), principalmente em um cenário macro mais desafiador em 2022.”