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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 15 Set (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a terça-feira com altas, encontrando suporte no avanço do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries no exterior, enquanto no Brasil os investidores seguiram atentos ao noticiário político.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,67%, com alta de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,629% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,375%, com elevação de 10 pontos-base ante 14,277%.
O avanço do petróleo Brent para acima dos US$108 o barril, em meio a notícias sobre a suspensão de carregamentos do petróleo no Mar Vermelho e de interrupção de operações em campos da Líbia, reforçou as preocupações com a inflação nos países.
Nos EUA, isso se traduziu na alta dos rendimentos dos Treasuries, com investidores elevando apostas de que o Federal Reserve poderá fazer uma série de aumentos de juros para segurar os preços.
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Em reação, as taxas dos DIs também subiram.
“O que tem contribuído para vermos uma curva abrindo — não só no Brasil, mas também nos EUA — tem a ver com os riscos inflacionários, com o petróleo acima dos US$100 o barril”, pontuou à tarde o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung.
“A taxa do Treasury (de dez anos) está superando os 5%. E a abertura da curva no Brasil está muito relacionada com a curva lá fora”, acrescentou.
Internamente, porém, os investidores também se mantiveram atentos à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e seus eventuais impactos na disputa presidencial.
Os ministros do STF estão reunidos nesta terça-feira para discutir possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Master. Os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli anunciaram pela manhã que não votarão o tema.
Em uma manifestação entregue mais cedo ao presidente da corte, Edson Fachin, Moraes negou irregularidades e disse ser vítima de investigação ilegal, com motivação político-eleitoral e de vingança, por ter sido o relator do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
No mercado, uma avaliação recorrente é a de que notícias negativas para Moraes — como sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master — podem contribuir para a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.
Nas últimas semanas, o “trade eleitoral”, baseado no fortalecimento de Flávio nas pesquisas, vinha favorecendo a alta do Ibovespa e a retirada de prêmios na curva de DIs. A percepção de parte do mercado é de que a mudança de governo abriria espaço para um ajuste fiscal.
Nesta terça-feira, porém, a nova pesquisa CNT/MDA destoou de outros levantamentos ao mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio.
Na simulação de segundo turno, Lula tem 47,3% e Flávio soma 40%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, o petista lidera fora da margem de erro. Na segunda-feira, pesquisas da Quaest e do instituto Nexus mostraram empate técnico entre os dois.
No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no varejo recuaram 0,8% em julho ante junho, uma retração maior que a queda de 0,20% projetada por economistas consultados pela Reuters. Em relação a julho do ano passado houve alta de 1,2%, menor que os 2,15% esperados.
Os números somaram-se a uma série de outros dados econômicos que sugerem uma desaceleração da atividade, reforçando a perspectiva dos investidores de corte de 25 pontos-base da Selic na noite de quarta-feira, com possibilidade de nova redução em novembro. Atualmente a Selic está em 14%.
Antes da decisão do Banco Central sobre a Selic, o Federal Reserve anunciará sua nova taxa de juros na tarde de quarta-feira.
No exterior, às 16h31, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 3 pontos-base, a 4,996%.