A Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), sob a presidência de Ricardo Arioli, abriu discussão nesta terça-feira (18), a respeito das doenças transmitidas pela Cigarrinha-do-milho, e outros danos oriundos dessa praga. Os convidados destacaram a importância da aprovação do Projeto de Lei (PL 6299/02), de relatoria do deputado federal Luiz Nishimori (PL-PR), que inova toda a sistemática relativa aos pesticidas.
Ponto crucial abordado no debate foram os benefÃcios que a Lei do Alimento Mais Seguro (PL 6299/2002) traria para o controle de pragas nas lavouras. A proposta foi tratada como fundamental pelo produtor rural Endrigo Dalcin. “Temos uma carência de novas moléculas para controle de pragas. Estamos adaptando produtos antigos. A gente tem uma proposta de lei de pesticidas que precisa ser aprovada, que vai dar agilidade à agricultura brasileiraâ€, contextualizou.
O deputado Nishimori, que não participou, mas acompanhou o seminário, defende que a burocracia está deixando o Brasil para trás. “Estamos atrasados em relação a outros paÃses sobre o que pode ser usado no setor, precisamos de moléculas mais eficientes e menos tóxicas para o combate à s pragas. Mas, atrelados à burocracia, não conseguimos usarâ€, pontuou.
Nishimori entende ser fundamental modernizar o marco legal dos pesticidas, e que tal atitude vai trazer melhorias em todas as fases na produção de alimentos. “A nova lei vai trazer avanços importantes para o paÃs como um todo, que poderá produzir com mais eficiência no campo e levar comida mais segura e barata para a mesa da população brasileiraâ€, concluiu.
Para Endrigo, a lentidão e a burocracia para os registros têm causado transtornos quase irreversÃveis para o setor. “O registro de moléculas não andou na velocidade com que a agricultura demanda. As pragas que eram secundárias viraram primárias, e agora vem mais uma que não sabemos como deterâ€, desabafou.
Quem é e que danos causam à Cigarrinha-do-milho
O professor do departamento de entomologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Marcelo Coutinho Picanço, apresentou quem é a Cigarrinha-do-milho, e explicou quais danos ela causa à s plantas do milho. De acordo com Picanço, trata-se de uma “cigarrinha de quatro a cinco milÃmetros, que causa danos nas plantas de milho pela sucção da seivaâ€. Segundo Marcelo, é a forma direta de causar danos, na forma indireta, a cigarrinha atua como vetor dos enfezamentos – a ação mais importante e maléfica.
O enfezamento não era considerado uma doença de grande importância para as lavouras de milho, mas com o aumento das áreas cultivadas e de plantio sequencial, essa doença passou a fazer parte da vida do produtor rural, causando perdas consideráveis à lavoura. “O enfezamento do milho é uma doença que pode colocar todo o resultado da safra a perder, e tem a cigarrinha como seu principal transmissorâ€, explicou Marcelo.
Ricardo Arioli alertou “que a perda pode chegar a 80% do que for produzido se a praga não for controladaâ€, causando problemas de abastecimento interno e graves consequências à s exportações. O consultor técnico, OtacÃlio Pasa, que atua no estado de Santa Catarina, comentou que esse ano todos foram surpreendidos na região, “pois nunca tinham sofrido um ataque tão forte da cigarrinha.†Pasa conta ter vivenciado um “verdadeiro caos na lavoura de milhoâ€, quando viu reduzir a colheita que era de 250 sacas de milho por hectare, para 80 sacas por hectare.
O deputado Nishimori conclui com a certeza de que quem ganha com a aprovação da Lei do Alimento Mais Seguro é a sociedade brasileira. “Trata-se de uma proposta moderna, utilizada nos paÃses mais avançados em tecnologia e leva em consideração que, quando utilizados dentro das normas corretas, esses produtos auxiliam na produção e garantem a segurança do alimento que chega à s nossas mesasâ€, finalizou.