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O milho no Brasil: produção, usos e relevância cultural

Artigo escrito pelo Diretor Técnico da Abramilho, Daniel Rosa.

O milho é um dos grãos mais estratégicos para a segurança alimentar global, destacando-se por
sua adaptabilidade ao cultivo em diferentes escalas — desde pequenas áreas familiares até grandes lavouras tecnificadas. No Brasil, mais de 1 milhão de produtores estão envolvidos com essa cultura, distribuídos por praticamente todos os municípios do país. A produção varia de sistemas de subsistência, com baixo uso de insumos, até operações de alta tecnologia voltadas à exportação.

Exportação

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, com uma produção estimada em 128
milhões de toneladas em 2025, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Um exemplo que evidencia essa relevância é o estado de Mato Grosso, que deverá colher cerca de 50 milhões de toneladas, volume equivalente a toda a produção da Argentina. No cenário internacional, o Brasil ocupa a segunda posição entre os maiores exportadores do grão, com cerca de 34 milhões de toneladas embarcadas.

Ao contrário da soja, cuja exportação se concentra fortemente na China, o milho brasileiro possui um perfil de e exportação diversificado. Entre os principais destinos estão Egito (África), Irã (Oriente Médio), Japão (Ásia) e Espanha (Europa), o que demonstra sua competitividade e versatilidade no mercado global.

Internamente, o milho apresenta uma ampla gama de usos, abrangendo consumo humano, alimentação animal e aplicações industriais. Aproximadamente 60% do milho consumido no Brasil é destinado à produção de ração animal, com destaque para o setor avícola, que utiliza cerca de 32% desse volume, e o setor de suínos, responsável por 15%. Um segmento em crescimento constante é o de alimentação pet, que já responde por cerca de 1,7% do consumo interno. O dado é relevante, considerando que o Brasil possui a segunda maior população de animais de estimação do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Etanol de milho

Outro setor que vem se destacando é o da produção de etanol a partir do milho. Em 2013, a
produção nacional era de apenas 30 mil metros cúbicos. Dez anos depois, esse volume ultrapassou 8 milhões de metros cúbicos, e a expectativa é de que dobre até 2030. Atualmente, existem 25 usinas de etanol de milho em operação no Brasil, distribuídas nos estados de Mato Grosso (11), Goiás (7), Mato Grosso do Sul (3), Alagoas (1), Maranhão (1), Paraná (1) e São Paulo (1). Um aspecto importante dessa cadeia é a produção de subprodutos, como o DDG (Distillers Dried Grains), um farelo proteico utilizado na alimentação animal.

DDG

Atualmente, o Brasil produz cerca de 5 milhões de toneladas de DDG, das quais aproximadamente 3 milhões são originadas no Mato Grosso. Embora a maior parte seja consumida internamente, a assinatura de um acordo em maio de 2025 permitiu a exportação de DDG para a China, abrindo novas oportunidades de mercado e reforçando a sustentabilidade econômica do setor de biocombustíveis.

A indústria também se beneficia da versatilidade do milho. Estima-se que mais de 500 produtos industriais utilizem o grão como matéria-prima. Entre os exemplos estão o ácido lático, o ácido cítrico e o sorbitol, amplamente utilizados nas indústrias farmacêutica e cosmética. O amido de milho é empregado na fabricação de papel, tecidos e alimentos, enquanto o ácido polilático (PLA), extraído do milho, é usado na produção de plásticos biodegradáveis. Além disso, compostos derivados do milho integram a formulação de pneus, contribuindo para aumentar o atrito com o solo.

Consumo

Apesar dessa diversidade de aplicações, o consumo direto de milho pela população brasileira ainda é relativamente baixo, representando apenas 3% do consumo interno total. O consumo per capita no Brasil é de cerca de 12 kg por habitante ao ano, enquanto na China o índice chega a 30 kg, nos Estados Unidos a 28 kg, na União Europeia a 42 kg, e no México a 63 kg por habitante ao ano.

Isso indica um amplo espaço para crescimento no consumo humano direto do cereal, especialmente considerando seus benefícios nutricionais. O milho é fonte de fibras, ajuda na regulação do intestino, contribui para o controle da glicemia e do colesterol, é energético e fortalece o sistema imunológico.

Valor cultural do grão

Além dos aspectos produtivos e industriais, o milho tem profundo valor cultural para a sociedade
brasileira. Cultivado nas Américas muito antes da chegada dos europeus, seu ancestral, o teosinto, foi domesticado há cerca de 9 mil anos no atual território do México. A planta espalhou-se pela América Central, chegou ao norte da América do Sul há cerca de 6 mil anos, e foi levada à Europa, África e Ásia após o início da colonização.

No Brasil, o milho tem papel central nas festas juninas, sendo a base de pratos típicos como pamonha, canjica, curau, bolo, pipoca, milho cozido e cuscuz, além de estar associado a danças, trajes e músicas tradicionais. A
festa, além de celebrar a colheita, reforça laços comunitários e preserva tradições que atravessam gerações.

O milho também está fortemente ligado à herança africana no Brasil. Durante o período colonial, era base da alimentação nas senzalas. A sabedoria culinária africana transformou o milho em alimento nutritivo e símbolo de resistência, por meio de pratos como mingaus, pamonhas, bolos e cuscuz, muitos dos quais permanecem vivos na culinária popular brasileira. Essa herança reforça o valor simbólico e histórico do milho como alimento de identidade nacional.

Agricultura familiar

Por fim, destaca-se o papel da agricultura familiar na produção de milho. Segundo o Censo Agropecuário do IBGE (2017), aproximadamente 70% dos produtores de milho no Brasil pertencem à agricultura familiar, cultivando uma área total de cerca de 3,2 milhões de hectares.

A produção nesses estabelecimentos é geralmente voltada ao autoconsumo, à alimentação animal e à comercialização local, especialmente na forma de milho verde. O milho, nesses contextos, é elemento essencial para a segurança alimentar e para a manutenção do sistema produtivo rural, sustentando criações de galinhas, suínos e bovinos, além de gerar renda nas pequenas feiras regionais.

Outra diferença observada entre as produções de larga escala e da agricultura familiar é a adoção da biotecnologia. Ainda que não haja nenhuma restrição para sua utilização na agricultura familiar, ainda há uma prevalência no uso de sementes crioulas. As tecnologias modernas aplicadas à genética do milho, como os eventos transgênicos, contribuem significativamente para o aumento da produtividade, a redução do uso de defensivos químicos e a maior resistência a pragas, doenças e estresses climáticos, como seca e calor.

Isso se traduz em maior eficiência no uso de recursos naturais e maior estabilidade na produção, especialmente em áreas de grande escala. Diante desse panorama, o milho se consolida como um produto estratégico não apenas pelo seu peso econômico, mas também por seu valor cultural, nutricional, social e ambiental, com papel decisivo no fortalecimento da agricultura familiar e na construção da soberania alimentar no Brasil.

logo_sinap

METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda