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O impacto do Oriente Médio sob o risco logístico e o alento ao etanol

O início de 2026 nos impôs uma realidade geopolítica severa. Os ataques coordenados entre Estados Unidos, Israel e Irã no final de fevereiro não são apenas manchetes de política internacional; eles batem diretamente à porta do agronegócio brasileiro. Ao analisar o cenário atual, vejo um quadro de ambivalência extrema: enquanto o conflito ameaça nossas rotas de exportação e encarece insumos, ele pode, ironicamente, ser a “tábua de salvação” para o setor sucroenergético.

O ponto que mais me chama a atenção neste momento é o potencial de recuperação para as usinas de cana-de-açúcar. Não é segredo que o setor vem enfrentando um “vento contrário” persistente, com cotações de açúcar baixas, um dólar que não favorece a exportação e margens de lucro perigosamente estreitas. Em muitos casos, a situação é tão crítica que ameaça a própria capacidade das usinas de realizar a renovação de canaviais e os tratos culturais básicos por simples falta de caixa.

Neste contexto, a escalada do petróleo funciona como um gatilho de alívio. Existe uma correlação direta: se o petróleo sobe e puxa o preço da gasolina nas bombas, o etanol ganha competitividade e espaço para recuperação de preço. Para uma indústria que hoje opera no limite, esse repasse pode representar o fôlego necessário para garantir a próxima safra. É um paradoxo do mercado: a instabilidade global gerando o equilíbrio financeiro que o setor doméstico tanto precisa.

“Porteira para dentro”

Contudo, minha visão quanto aos impactos de curto prazo no setor é de otimismo moderado. O mesmo petróleo que valoriza o etanol castiga a operação agrícola. O impacto nos derivados, especialmente no diesel, é imediato e sensível. Tratores, colhedoras e caminhões, o coração da movimentação “da porteira para dentro”, são movidos a combustível fóssil. Mesmo com a crescente participação do biodiesel, a dependência ainda é alta o suficiente para que qualquer choque no Estreito de Ormuz encareça drasticamente o custo de produção.

Precisamos olhar para os números com cautela. O Oriente Médio não é apenas um cliente; é um elo estrutural. Em 2025, exportamos US$ 12,4 bilhões para a região. O Irã, por exemplo, tornou-se o principal destino do nosso milho, absorvendo 22% do volume total exportado pelo Brasil. Uma disrupção prolongada ali não significa apenas “vender menos”, mas sim ter que redirecionar milhões de toneladas de carga parada em portos, o que gera um efeito cascata de prejuízos logísticos.

Além disso, há a questão da segurança alimentar. Cerca de 15,6% dos nossos fertilizantes nitrogenados vêm dali. Com as rotas de Suez e Bab el-Mandeb sob risco, enfrentamos não apenas o aumento do frete e do seguro marítimo, mas o risco real de desabastecimento de insumos essenciais como a ureia.

Cenário macroeconômico e o futuro

No campo financeiro, o que sinto em conversas com o mercado é que a preocupação latente com a inflação deverá retardar o tão esperado início do ciclo de queda de juros. Para as empresas menores, que já sofrem com o crédito caro, conviver com a Selic no patamar atual por mais tempo será um desafio hercúleo.

Em suma, o conflito no Oriente Médio coloca o agronegócio brasileiro em uma encruzilhada. Se por um lado o setor de etanol pode encontrar no aumento do petróleo a margem que lhe faltava, por outro, o custo logístico e a instabilidade comercial ameaçam a competitividade de nossas proteínas e grãos. A resiliência do nosso agro será, mais uma vez, testada pela nossa capacidade de adaptação a um mundo onde a geopolítica e o campo estão mais conectados do que nunca.

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda