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Mercado de café: “Terra à vista!!!, ou melhor, Reflação à vista!!”, por *Marcelo Fraga Moreira

Apesar da semana ter sido “mais curta” com o Carnaval e com o feriado do “Dia do Presidente” na segunda-feira nos Estados Unidos, o Set-21 oscilou entre a mínima e a máxima @ 126,80 e @ 133,85 centavos de dólar por libra-peso respectivamente, encerrando a sexta-feira @ 132,90 centavos de dólar por libra-peso. Já o Set-22 oscilou entre a mínima e a máxima @ 134,15 e @ 138,15 centavos de dólar por libra-peso respectivamente, encerrando a sexta-feira @ 136,95 centavos de dólar por libra-peso. Esses patamares de preços continuam proporcionando aos produtores travas via operações de compra de “Put-Spread com venda de Call ou venda de Call-Spreads” para a safra 21/22 e 22/23 bem interessantes para os produtores brasileiros (como iremos apresentar abaixo).

Na semana o mercado atingiu seus objetivos técnicos de curto prazo com o Set-21 “beliscando” a importante resistência @ 134,40 centavos de dólar por libra-peso. As próximas resistências estão @ 137,60 e 152,05 centavos de dólar por libra-peso (esta última atingida em 17 de dezembro de 2019)! No curto prazo não vemos motivos para as cotações voltarem para 120/110 centavos de dólar por libra-peso.

Mesmo com todas as notícias políticas e econômicas vindas de Brasília o Real seguiu a semana estável, fechando o spot @ 5,38 R$/US$.

Tivemos chuvas muito fortes em algumas zonas produtoras (nos Estados de Minas Gerais e Vitória), com os estragos ainda sendo levantados. Por outro lado, a colheita do café tipo Robusta já começou em algumas regiões e por enquanto as informações referentes a produtividade e a qualidade seguem positivas. A grande preocupação do mercado segue sendo a real quebra na produção de café tipo Arábica. Novos levantamentos continuam sendo realizados in loco, e as informações indicam quebras de até 80% em algumas lavouras visitadas nos Estados de Minas Gerais e Espirito Santo! As “perguntas de 1 e 2 Milhões de dólares” continuam em aberto!

Mesmo sem saber qual será a produção para a safra 21/22 muitos produtores e analistas já estão querendo adivinhar e prever qual será o tamanho da próxima safra 22/23 e 23/24. Não será  um pouco cedo para já começar a “numerologia” e a começar a discutir “o sexo dos anjos”?

Alguns analistas “baixistas” questionaram nossos números da semana passada onde mostramos que a OIC (Organização Mundial do Café) esta prevendo um estoque de passagem ao redor de 5 milhões de sacas. Alguns estão estimando o estoque brasileiro ao redor de 10 milhões de sacas para a safra 20/21. Ora, ao nosso ver, o que interessa realmente é o estoque global de passagem e não apenas o estoque brasileiro. Qual o tamanho real da quebra do Vietnam? Indonésia? Colômbia? Honduras? Países africanos? Quem souber, tiver números atualizados e puder compartilhar desde já agradecemos! Afinal, informações corretas e fidedignas são e serão sempre bem vindas!

O Brasil realmente teve uma safra recorde em 20/21 (entre 65-72 milhões de sacas – será este número também confiável?). Então, claro que para a safra 20/21 o Brasil realmente tem produto disponível (tanto que o Brasil vem exportando 3-4 milhões de sacas por mês). Esse café brasileiro tem sido o grande responsável pelo aumento dos estoques de “café certificado”. Se não fosse pela reposição dos estoques certificados com café brasileiro onde estariam as cotações em Nova Iorque hoje? 200-300 centavos de dólar por libra-peso?

O mercado interno segue com poucos negócios sendo realizados/reportados, com produtores extremamente cautelosos em realizar novas vendas para entrega spot.  Preços continuam firmes já atingindo 750 r$/saca para algumas qualidades e regiões. Na média, café segue com suporte nos 700 r$/saca. Para entregas futuras, para agosto-dezembro-21 negócios praticamente parados pois produtores estão aguardando o início da colheita, atravessar o período do inverno e ver realmente quanto irão colher e como será a qualidade das suas lavouras.

Na semana a grande preocupação nos mercados mundiais voltou a ser a volta da inflação, ou, da REFLAÇÃO (Política macroeconômica que faz uso de estímulos fiscais ou monetários para fomentar a produção e aquecer o mercado de consumo do país, como combate às crises econômicas). Essa “Reflação” poderá levar a falta/aumento dos preços dos produtos e ao temível aumento das taxas de juros nos Estados Unidos. Este aumento de juros nos Estados Unidos, como sabemos, trabalham como vazos comunicantes em todas as economias globais. O aumento nos juros americanos  significa a valorização do US$ frente as demais moedas globais (os Juros americanos já passaram de 0,90% ao ano para 1,30% ao ano na semana)! Nesse caso, para onde irá o R$? Começamos o ano com mercado estimando o R$/US$ voltando a negociar abaixo dos 5,00 R$/US$! E agora? Poderemos ver o R$ desvalorizando novamente indo buscar os 6,00 R$/usd ou o R$ seguir valorizando (com o avanço das reformas fiscal e tributária) e voltar a negociar abaixo dos 5,00 R$/US$? Façam suas apostas!

As principais economias do mundo continuam vacinando sua população (os Estados Unidos estão prevendo vacinar toda sua população até final de Maio-21) e em breve a vida deverá voltar ao normal nos principais centros consumidores! Números divulgados nessa semana indicam que o consumidor americano nunca poupou tanto e nunca teve tanto dinheiro disponível para ir as compras, ir pro consumo. Com o início da pandemia, com os pacotes americanos direcionando ajuda financeira para sua população, muitos economizaram e pouparam temendo dias piores! Desta forma, com a retomada da “vida normal”, o mercado esta aguardando uma retomada no consumo com grandes riscos na volta da inflação e do desabastecimento no curto prazo.

Quem puder, recomendamos assistir ao último vídeo do Pablo Spyder – Sexto’ro

https://www.youtube.com/watch?v=RBndLYni9oM

No Brasil, mesmo com a taxa de juros interbancária ainda nos 2% ao ano, o IGPM referente o mês de Janeiro-21 veio em +2,58% (nos últimos 12 meses já acumula alta em +25,31%)! Estamos vendo aumentos em todos os setores da economia: transporte, alimentos, serviços, insumos, fertilizantes, planos de saúde, medicamentos, automóveis, materiais de construção, etc. Só em 2021, nos últimos 40 dias, o combustível subiu +34%! Soja e milho subiram mais de 80% no último ano refletindo no aumento dos preços da carne e de seus derivados!

O Brasil segue sendo o “celeiro do mundo” mas segue sem políticas internas para manter os preços internos sobre controle (alegando ser uma economia de livre-mercado). O Brasil não tem mais estoques reguladores, e por incrível que pareça, estamos sendo forçados e importar soja, milho, arroz para tentar segurar os preços internos, para reduzir a inflação! O que vale alimentar outros países do mundo e deixar seu povo passar fome? Longe de sermos “socialistas”, contra o lucro das empresas, sobre a dinâmica dos mercados. Mas tudo tem um limite, e para evitar o empobrecimento da sua nação, uma eventual “guerra civil” nossos governantes precisam rever nossas políticas de abastecimento, estoques estratégicos para a manutenção da estabilidade dos preços no médio e longo prazo! E não apenas do combustível! Será que ainda vamos ver o Brasil importando café?

Para evitar o desabastecimento será que vamos ter que voltar a ter “quotas de exportação”? Quem se lembra da CACEX (CARTEIRA DE COMÉRCIO EXTERIOR DO BANCO DO BRASIL) / CONAB / ARMAZENS GERAIS?

Acreditamos que vale a “reflexão”!

Com relação ao nosso café, seguimos altistas para o médio prazo. O clima segue “maluco”, com neve no Texas-EUA, chuvas e veranico nas regiões sudeste/centro-oeste e geadas no sul do Brasil! Como será nosso próximo inverno? O grande risco segue sendo eventual geada. E se a geada ocorrer o mercado explode. Nesse sentido, chegou a hora para o produtor comprar seguro, comprar “Calls” fora do dinheiro para o Set-21 (calls de 180/200 centavos de dólar por libra-peso).

Para os produtores que ainda não fixaram suas produções, caso o mercado siga subindo comprem “Put” ou “Put Spread” para o Set-21, Set-22 e quem sabe até mesmo Set-23. Aguardem para vender “Calls” mais para frente, em maio/junho (quando o frio começar a chegar)! Como sabemos e já assistimos inúmeras vezes “da mesma forma que o mercado sobe o mesmo derrete”. E já ouvimos e vimos várias vezes a expressão “O Mercado sobe de escada e desce de elevador”.

Seguimos sugerindo a proteção, a garantia para o preço mínimo de remuneração pra o produtor acima dos 600/700 R$/saca.

Para o Set-21, com a alta desta semana, sugerimos a compra do “Put-Spread” strike +130 x -110 centavos de dólar por libra-peso E travando o R$ – esta operação garante um preço mínimo ao redor dos @ 750,00 R$/saca – DESDE QUE O CONTRATO SET-21, NO DIA DO VENCIMENTO DAS OPÇÕES FECHE ACIMA DOS 110 centavos de dólar por libra-peso E VENDENDO O REAL @ 5,40 R$/US$;

* AGUARDAR PARA VENDER A “CALL” PARA TRAVAR/FINANCIAR A OPERAÇÃO;

Para o Set-22,  com a alta desta semana, sugerimos a compra do “Put-Spread” strike +135 x -110 centavos de dólar por libra-peso E travando o R$ – esta operação garante um preço mínimo ao redor dos @ 800,00 R$/saca – DESDE QUE O CONTRATO SET-22, NO DIA DO VENCIMENTO DAS OPÇÕES FECHE ACIMA DOS 110 centavos de dólar por libra-peso E VENDENDO O REAL @ 5,50 R$/US$;

* AGUARDAR PARA VENDER A “CALL” PARA TRAVAR/FINANCIAR A OPERAÇÃO;

ATENÇÃO com as operações “estruturadas” tanto para produto quanto para a taxa de câmbio. Não coloquem riscos desnecessários nos livros e não se comprometam com vendas acima dos 50% da sua produção anual futura por enquanto.

Uma ótima semana a todos!

Marcelo Fraga Moreira*

** “Call” = opção de Compra

** “Put” = opção de Venda

** “Compra Call-Spread” = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício  mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Venda Call-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício  mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “Compra Put-Spread” = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício  mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “Venda Put-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício  mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “CFTC” = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities;

logo_sinap

METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda