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Mercado de café: FOI DADA A LARGADA!, por Marcelo Fraga Moreira*

Oficialmente a colheita da safra 21/22 começou! Desejamos a todos os nossos leitores uma safra abençoada, farta, tranquila, sem geadas, e com resultados positivos para todos os elos da cadeia do café!

Mais uma semana com grandes expectativas por parte do mercado, tanto pelos produtores (aguardando preços mais altos, a confirmação do aumento da demanda global e a retomada das economias já a partir do segundo semestre) quanto por parte dos compradores (aguardando o aumento nas ofertas e a possibilidade para realizar novas compras).

O Set-21 negociou com uma amplitude de 785 pontos fechando @ 133,50 centavos de dólar por libra-peso (após atingir na sexta-feira a cotação máxima @ 137,35 centavos de dólar por libra-peso e não tendo forças AINDA para “buscar” a importante resistência @ 141,80  centavos de dólar por libra-peso). A mínima / máxima da semana ficou @ 129,50 e 137,35 centavos de dólar por libra-peso.

Apesar das notícias “altistas” continuarem sendo publicadas o pregão da sexta-feira jogou um “balde de água” fria nos produtores brasileiros. Após tocar os 137,35 centavos de dólar por libra-peso as vendas voltaram e derrubaram o mercado -450 pontos (a mínima do dia chegou @ 132,75 centavos de dólar por libra-peso com volume negociado relativamente bom, ao redor dos +49.700 lotes).

O Set-21 conseguiu se recuperar e fechar acima dos importantes suportes das médias móveis dos 17, 9 e 72 dias @ 132,40, 131,80 e 130,80 centavos de dólar por libra-peso respectivamente.

No período o café subiu “apenas” +1,91% enquanto o Real voltou a valorizar +2,10%, fechando a semana @ 5,58 R$/usd.

A quinta-feira foi o “melhor dia da semana” para o produtor quando o contrato Set-21 fechou @ 136,80 centavos de dólar por libra-peso e o Real fechou @ 5,63 R$/US$. Até quinta-feira o café chegou a valorizar +4,43% e o Real a valorizar “apenas” +1,40%. Essa combinação entre US$/libra x R$/US$ representou aproximadamente 29 r$/saca há mais no bolso do produtor no final do dia! Como sempre enfatizamos aqui, o produtor precisa sempre monitorar o retorno, a fixação em R$/saca, “paridade moeda local/saca” e não apenas “se Nova Iorque subiu/desceu” não acompanhando as oscilações da sua moeda local”.

– As exportações brasileiras referente a safra 20/21 seguem fortes, com o Brasil exportando 3,4 milhões de sacas durante o mês de Março-21. Nos primeiros 3 meses do ano o Brasil exportou aproximadamente 11 milhões de sacas. Uma quantidade +10,4% acima do mesmo período de 2020. Esse aumento das exportações já era esperado pois o Brasil teve a safra 20/21 recorde ao redor dos 70 milhões de sacas. Basicamente estamos vendo os estoques brasileiros sendo transferidos para os destinos consumidores, e mesmo com os problemas logísticos atuais, os contratos continuam sendo performados.

– Mercado estima que aproximadamente 90% da safra 20/21 já foi vendida;

– Índices pluviométricos nas principais zonas produtoras continuam abaixo do esperado podendo afetar tanto o final do enchimento dos grãos da safra atual 21/22 quanto o desenvolvimento das lavouras para a próxima safra 22/23. As previsões climáticas para os próximos dias nas zonas produtoras brasileiras indicam poucas chuvas  e temperaturas mais amenas, podendo inclusive acelerar a colheita 21/22 (essa “aceleração da colheita” poderá gerar uma “pressão” de venda no curto prazo com produtores necessitando “fazer caixa”).

– Esse ano o mercado já espera um déficit global ao redor de 10 milhões de sacas. Se a safra 22/23 novamente vier ao redor dos 50-55 milhões de sacas (e não ao redor dos 70 milhões de sacas) poderemos ver, segundo as estatísticas, os estoques reguladores mundiais zerando pela primeira vez na história;

– Por incrível que pareça, muitos produtores estão acreditando nos números da Conab e não nos projeções das principais casas corretoras / bancos (previsão da Conab da safra 21/22 ao redor dos 43 milhões de sacas x 50-56 milhões de sacas do “mercado”);

– Alguns produtores que iniciaram a colheita na Bahia, Espirito Santo e Rondônia já estão reportando problemas na qualidade e quantidade colhida por hectare;

-  Segundo publicação da Green Coffee Association os estoques de café verde nos Estados Unidos atingiram o menor número desde 2015, para 5.68 milhões de sacas. O nível mais baixo foi em 2011 quando atingiram 4 milhões de sacas (contra-ponto a esta notícia segue sendo o aumento dos estoques certificados aumentando aproximadamente 40 mil sacas, atingindo 1.887.000 sacas na semana);

– Se as projeções referentes ao aumento da demanda continuarem ao redor de 1,5%-2,5% ao ano, entre 2,5-4,1 milhões de sacas por ano o mercado poderá buscar novos patamares no médio prazo (hoje mercado trabalha com consumo ao redor dos 166 milhões de sacas e produção ao redor dos 176 milhões de sacas);

– Os custos de produção no Brasil sofreram aumentos ao redor de 25-40% em função dos aumentos nos insumos agrícolas atrelados ‘a desvalorização do Real, aumento nos custos logísticos, e combustível dentre outros. Acreditamos que os novos custos de produção para o agricultar brasileiro devam estar entre 580-630 R$/saca;  

– O avanço da vacinação nas principais economias ricas segue acelerada e a demanda a partir de julho/agosto (pico do verão no hemisfério norte) poderá sinalizar a reabertura dos restaurantes, cafés, e respectivo aumento da demanda/consumo;

– No mercado interno produtores continuam buscando vender saldo dos estoques da safra 20/21 acima dos 800 r$/saca e compradores seguem indicando interesse para realizar novas compras entre 700-780 R$/saca (dependendo da qualidade/região/certificação do produto e forma de pagamento). Com o início da safra do Robusta alguns produtores já estão com necessidades para fluxo de caixa. Alguns atravessadores já estão tentando tirar proveito oferecendo pagamento “‘a vista” para o café Arábica (para entrega em junho/julho-21) ao preço de 650 r$/saca – um deságio ao redor de -14% x os preços oferecidos por algumas cooperativas/tradings. Produtores façam as contas, conversem com as cooperativas/bancos/tradings e procurem negociar ao máximo as melhores taxas de financiamento/antecipação com seus parceiros de longa data para não “deixar dinheiro na mesa”;

Nos demais países produtores as chuvas continuam favorecendo o desenvolvimento das próximas lavouras, com notícias positivas na Colômbia, América Central, Vietnam, Indonésia, Índia, Costa do Marfim, Gana, Nigéria.

Os fundos e especuladores voltaram as compras e agora estão comprados em +16,817 lotes x +11.900 na semana passada. Na semana o mercado negociou a maior quantidade de lotes em uma semana (atingindo 320.343 lotes x 318.700 na semana entre 8-12 fevereiro 2021). Lembrem-se que os fundos + especuladores já chegaram a estar comprados em mais de 40.000 lotes e, após essa consolidação, poderão seguir comprando (desde que notícias “altistas VERDADEIRAS” continuem a ocorrer).

Seguimos positivos no curto prazo sugerindo a compra de seguros contra o Set-21 através da compra de “Call” strike 150/160 ou “Call-Spread” strike +150/-190. Muitos produtores vão colher quantidades abaixo das quantidades vendidas/comprometidas com as cooperativas/tradings. Muitas vendas foram realizadas entre 550-650 R$/saca e nas últimas semanas o mercado já mudou de patamar e firme entre 700-800 r$/saca. Muitos produtores já estão contabilizando os prejuízos e encontrando dificuldades em comprar café no mercado de “terceiros” para honrar com seus compromissos e/ou renegociar novos prazos de entrega dos seus contratos.

Como temos o risco das geadas a safra atual 21/22 poderá ser abaixo dos 50 milhões de sacas (e quem sabe até mesmo abaixo dos números da Conab) protejam-se!

Para safra 22/23 e 23/24, em função da baixa liquidez nas opções do Set-23, sugerimos a compra do “Put-Spread” no Set-22 strike +140 x -110 vendendo a “Call-Spread” no Set-22 strike -160/+200 ao custo estimado em 70 R$/Saco (garantindo um preço de venda entre 830-980 R$/saca desse que o Set-22 feche entre 140-160 centavos de dólar por libra-peso). Se o mercado seguir subindo será possível “rolar” tanto a “Put-Spread” quanto a “Call-Spread” para cima, otimizando os resultados!

Como sempre, sejam prudentes! Protejam-se! O inverno e os riscos das geadas ainda não começaram!

Ótima semana a todos!

Marcelo Fraga Moreira*

** “Call” = opção de Compra

** “Put” = opção de Venda

** “Compra Call-Spread” = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício  mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Venda Call-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício  mais baixa e comprando a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Compra Put-Spread” = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício  mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “Venda Put-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício  mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “CFTC” = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities;

logo_sinap

METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda