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Mercado de café: A black friday foi sangrenta, menos para o café!! (por Marcelo Fraga Moreira)

Apesar da “sexta-feira negra” o café conseguiu terminar a semana subindo aproximadamente +900 pontos ou 12,60 US$/saca. Na quarta-feira os contratos voltaram a negociar atingindo novas máximas do ano (e dos últimos 10 anos), com o Março-22 chegando a negociar @ 248,20 centavos de dólar por libra-peso. No período a mínima/máxima/fechamento foram respectivamente 233,40 / 248,20 / 242,95 centavos de dólar por libra-peso. Na semana os “vendidos” precisaram depositar aproximadamente +1,2 bilhão de dólares para cobrir suas chamadas de margem!

Na sexta-feira a divulgação da nova cepa do covid-19 voltou a derrubar os mercados (petróleo caindo -10%, açúcar -3,50%, grãos -1,50%, bolsas de valores ao redor do mundo caindo entre -3,50/-2,50%). Porém no café o contrato Março-22 terminou o dia caindo apenas -1,00%. Os fundamentos para o nosso produto seguem muito firmes, e a realização da ultima sexta-feira pode ser vista como saudável. Pelo jeito o mercado está dando um passo para trás apenas para retomar o folego e voltar mais forte nos próximos dias. Até mesmo os números divulgados pelo USDA* na segunda-feira não foram suficientes para “derrubar o mercado”.

O USDA* publicou sua nova estimativa para a safra brasileira 21/22, mas aparentemente o mercado não “comprou” os números do USDA*. As estimativas da produção do USDA* continuaram muito acima das expectativas/estimativas de muitos analistas (fora Rabobank, Itaú-BBA, e Econ – todos estimando produção entre 54-56,70 milhões de sacas).

Para o USDA* o Brasil, após ter colhido 69,90 milhões de sacas na safra 20/21 (sendo 50,00 milhões de sacas do café tipo arábica e 19,90 milhões de sacas do café tipo robusta – em linha com nossos números), deverá colher 56,30 milhões de sacas na safra 21/22 (sendo +35 milhões de sacas do café tipo arábica – uma queda estimada em -30% – e +21,30 milhões de sacas do café tipo robusta – um aumento estimado em +7,04%)!

O USDA* informou que o Brasil possui uma área plantada em 2.450.000 ha e que foram colhidos apenas 2.010.000 ha.

A Conab*, no seu relatório publicado no mês de setembro-21, informou uma área plantada total em 2.214.184 ha, sendo 413.624 ha em formação e em produção 1.800.558 ha. Apenas aqui temos uma diferença de “apenas” 236.000 ha! 

Outro dado que não fecha é a estimativa do consumo interno brasileiro. Segundo o USDA* o Brasil consumiu 23,65 milhões de sacas e segundo a ABIC* o consumo recorde foi de 21,20 milhões de sacas. Também segundo o relatório do USDA* a “OIC* estimou um consumo mundial em 167,15 milhões de sacas na safra 20/21 e um aumento em 2% para a safra 21/22, passando para 170.49 milhões de sacas”. Ainda segundo o relatório do USDA* “o Brasil consome aproximadamente 15% do consumo mundial”. Ou seja, o Brasil deveria então ter consumido +25,07 milhões de sacas na safra 20/21 e agora na safra 21/22 o Brasil deverá/deveria consumir  +25,57 milhões de sacas! Uma diferença “básica” de apenas +20,63% x os números da ABIC*! Só que na tabela do USDA* o consumo brasileiro está estimado em apenas 23,65 milhões de sacas. Como pode existir tanta discrepância num único relatório? Conversei com um trader que trabalha em uma das maiores empresas compradoras de café do mundo sobre os dados do USDA* e a resposta, quando indagado sobre os números do USDA*, foi a seguinte: “Cara sinceramente, ninguém q eu converso sequer da importância pra USDA”... Agora corremos o mesmo risco com os dados da Conab* que deverão ser divulgados até o próximo dia 20 de Dezembro!

O USDA* também estima uma exportação brasileira para a safra 21/22 em +33 milhões de sacas. Nós trabalhamos com uma expectativa entre +22/+24 milhões de sacas. Estamos considerando que em novembro-21 o Brasil vai conseguir exportar no máximo +2,70 milhões de sacas (até última sexta-feira – 26 nov – a Cecafé informou embarques já realizados em +2.055.122 milhões de sacas). Nesse caso as exportações brasileiras serão -43% inferior ao mesmo período de 2020 (quando o Brasil exportou +4.770.000 sacas)!

Conforme falamos aqui, o nosso quadro de “oferta x demanda” global está muito justo. A única forma do índice “estoque x consumo” voltar a subir e ficar dentro da “normalidade” (acima dos 20%) será via redução do consumo. Essa redução no consumo só poderá ocorrer através do aumento dos preços e/ou em função de novas restrições / lockdown devido ao avanço da covid-19 e sua nova cepa! O consumo mundial precisará reduzir em -10,50 milhões de sacas, voltando para o patamar dos 160,00 milhões de sacas! Alguém acredita numa redução assim tão forte no curto prazo? Difícil…

O mercado interno segue firme com preços entre 1.450-1.550 R$/saca para café tipo arábica e +800/+850 R$/saca para café tipo robusta. Produtores seguem otimistas aguardando novas altas. Muitos compradores já cobriram suas necessidades até o final do ano e deverão voltar ao mercado apenas em jan-22! Produtor que precisar vender para fazer caixa e honrar seus compromissos nos próximo 20 dias vai precisar “bater na cara do comprador”.

Para a safra 22/23, na quarta-feira foi possível realizar operações de venda contra o vencimento Set-22 (através do mercado de opções) garantindo um preço mínimo / máximo entre +1.650/+2.100 R$/saca (desde que o Set-22 termine acima dos +190,00 e + 280,00 centavos de dólar por libra-peso).

Os estoques certificados do café tipo arábica seguem “derretendo”, e terminaram a semana já em +1.600.000 sacas! De junho-21 até a última sexta-feira a redução já chegou em -590.000 sacas!

Seguimos positivos e trabalhando com preços buscando os +280/300/350 centavos de dólar por libra-peso. Em algum momento de stress o mercado poderá até mesmo buscar os 350/400 centavos de dólar por libra-peso (precisamos ficar atentos com eventuais problemas com as chamadas de margem/ordens de “stops”; novos riscos de geadas no Brasil entre junho-julho-22; problemas com produção na Índia, América Central, e Vietnam; e os problemas com a guerra civil na Etiópia).

Em função do feriado nos Estados Unidos a posição dos “fundos+especuladores” só será divulgada na próxima segunda-feira.

Vale a leitura do artigo publicada pelo Arnaldo Corrêa, no link

https://archerconsulting.com.br/artigos/BLACK_FRIDAY_TAMBEM_NAS_COMMODITIES

Cada mercado tem suas particularidades, ciclos de produção! Eu já vi o açúcar negociar @ 8,00 centavos de dólar por libra-peso, cair até os +4,35 centavos de dólar por libra-peso. Depois trabalhar por alguns anos entre +9/+13 centavos de dólar por libra-peso até explodir e chegar a negociar até +33 centavos de dólar por libra-peso. O que aconteceu depois? O mercado simplesmente derreteu, devolveu tudo, e voltou a trabalhar novamente entre +9/+13 centavos de dólar por libra-peso durante um novo ciclo de 3-5 anos. Atualmente está ao redor dos +19/+20 centavos de dólar por libra-peso (em função do preço da paridade entre o etanol x o petróleo/combustível e no aperto do quadro global de “oferta x demanda”). A cana de açúcar apresenta um ciclo entre 5-7 anos! Porém a expansão do plantio da cana já começa a refletir no ano seguinte. No café precisamos aguardar 2-3 anos para as novas lavouras entrarem em produção.

Dessa forma, seguimos positivos para o médio prazo e pelo menos para as próximas 2 safras (22/23 e 23/24). O mundo não vai ter tempo suficiente para expandir e voltar a “cuspir” café no pipeline antes da safra 24/25! E até lá o Brasil vai enfrentar mais 2 invernos (junho-agosto-22 e junho-agosto-23), sem contar novos riscos com seca, aumento nos custos, ano eleitoral em 2022, e redução na sua área plantada!

Muita atenção e sempre “um olho no gato e o outro no peixe”. Quando o mercado notar um aumento na produção mundial e/ou redução no consumo mundial e a probabilidade do índice “estoque x consumo” voltar a trabalhar dentro da normalidade então os “fundos+especuladores” poderão derrubar o mercado. Assim, como “pregamos” aqui, PROTEJAM-SE! Não coloquem riscos desnecessários nos seus livros com os famosos “acumuladores” / “operações mirabolantes”. A qualquer momento o “Cisne Negro” ou a “Black Friday” poderão te pegar!

Conab*, seguimos aguardando as informações referente ao estoque de passagem da safra 20/21 para a safra 21/22! Até mesmo o USDA* já publicou no seu relatório o estoque de passagem do Brasil referente a safra 20/21 para a safra 21/22 em +3,37 milhões de sacas e o estoque final da safra 21/22 para o início da próxima safra 22/23 em +2,86 milhões de sacas!

Ótima semana a todos!

Marcelo Fraga Moreira*

 

** “Call” = opção de Compra

** “Put” = opção de Venda

** “Compra Call-Spread” = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício  mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Venda Call-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício  mais baixa e comprando a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Compra Put-Spread” = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício  mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “Venda Put-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício  mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “CFTC” = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities;

** “IBGE” = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

 ** “Cecafé” = Conselho dos Exportadores de Café do Brasil

** “USDA” = Departamento da Agricultura dos Estados Unidos

** “OIC” = Organização Internacional do Café

** “ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café

logo_sinap

METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda