A invasão da Ucrânia pela Rússia já tem causado alta de preços nos fertilizantes e combustÃveis, o que afeta diretamente o agronegócio brasileiro. Se a situação perdurar, contudo, o segundo semestre deste ano será ainda mais difÃcil para toda cadeia do agro. A avaliação é do advogado Antonio Carlos de Oliveira Freitas, do Luchesi Advogados, escritório especializado em agronegócios.
O advogado lembra que, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o Brasil só possui estoque de fertilizantes até o próximo mês de junho. “Os fertilizantes importados da Rússia e Belarus representam em torno de 30% do que importamos. Há uma ideia para incentivar o desenvolvimento da produção nacional, mas isso não é rápido, tampouco simples. Trata-se de uma operação custosa e que demanda tempo. Além disso, o custo da importação, com incentivos tributários, acaba sendo mais baratoâ€, pondera.
Oliveira Freitas ressalta que, se a guerra prosseguir, teremos um segundo semestre com cenário bastante complicado, já que os preços das commodities continuam subindo no mercado internacional, impactando ainda mais os juros e a inflação, o que já vem produzindo aumento do frete. O receio já se apresenta para a próxima safra, em especial de grãos. Ele explica que, apesar de eventual diminuição na aplicação de fertilizantes em algumas áreas, no limite haver em certa medida a redução de área plantada, então as chances são de maior aumento nos preços das commodities, afetando, por consequência, os alimentos, ante a forte pressão inflacionária. Também adianta que poderá ocorrer aumento da inadimplência a partir de 2023, com processos judiciais, seja no intuito de recuperar crédito ou mesmo de discussão de contratos por conta de dÃvidas decorrentes desse cenário de incertezas.
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Antonio Freitas também lembra que a China (uma das principais parceiras comerciais do Brasil no setor) está bastante preocupada com a questão da Ucrânia e já tem aumentado suas compras para reforçar seus estoques, além de lockdown recente em Xangai, para evitar nova disseminação da pandemia. Para ele, o conjunto desses fatores deixa o mercado global em sinal de alerta, principalmente o Brasil.
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“Portanto, a situação deve ser de monitoramento do prosseguimento da guerra e buscar ações, ainda que paliativas, a fim de mitigar os problemas que iremos enfrentar, sem prejuÃzo de discutirmos a questão também sobre alternativas de polÃticas públicas de médio e longo prazosâ€, alerta