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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) -O dólar registrou sua maior perda diária em quase 2 meses contra o real nesta sexta-feira, encerrando a semana no vermelho após dados melhores do que o esperado sobre o emprego norte-americano desencadearem uma onda global de apetite por risco, enquanto a PEC dos Precatórios continuou no radar doméstico.
O dólar spot encerrou o pregão em queda de 1,53%, sua maior desvalorização diária desde o dia 9 de setembro deste ano (-1,80%). Na semana, que não teve negociações na terça-feira devido a feriado, a moeda caiu 2,12%, perda semanal mais acentuada desde o perÃodo findo em 27 de agosto (-3,5%).
Enquanto isso, na B3, onde os negócios continuavam, o dólar futuro de primeiro vencimento tinha queda de 1,50%, a 5,5475 reais.
O bom humor tomou conta de mercados ao redor do mundo nesta sexta-feira, após dados do Departamento do Trabalho dos EUA mostrarem que a criação de vagas de trabalho nos EUA aumentou mais do que o esperado em outubro, conforme as infecções por Covid-19 durante o verão no Hemisfério Norte diminuÃram.
Foram criados 531 mil postos de trabalho fora do setor agrÃcola no mês passado. Economistas consultados pela Reuters esperavam abertura de 450 mil vagas.
Os dados, recebidos por investidores como saudáveis mas não altos o suficiente para pressionar o Federal Reserve a apertar sua polÃtica monetária mais cedo do que o esperado, impulsionaram as ações globais — os três principais Ãndices de Wall Street fecharam em máximas recordes, segundo dados preliminares — e moedas de paÃses emergentes no dia, enquanto o Ãndice do dólar devolveu totalmente ganhos registrados no inÃcio do pregão.
Além disso, os rendimentos dos Treasuries, os tÃtulos do governo dos EUA, registravam baixa, com a taxa de dez anos chegando a tocar seu patamar mais baixo desde 27 de setembro, de 1,45%. Rendimentos mais baixos nos EUA tendem a prejudicar a moeda norte-americana.
Anderson Meneses, CEO da Alkin Research, escreveu em post no Twitter que, “com restrições na cadeia de suprimentos e uma baixa taxa de participação, dados fortes de emprego podem significar uma estabilização da oferta com menor pressão inflacionária” nos EUA. A maior economia do mundo tem sofrido com pressões mais intensas sobre os preços devido a gargalos na cadeia de abastecimento e escassez de mão de obra.
No âmbito doméstico, a incerteza fiscal continuava no radar, em meio a planos do governo de fornecer auxÃlio de 400 reais para a população vulnerável em 2022. O plano para financiamento dos benefÃcios, batizados de AuxÃlio Brasil, é a PEC dos Precatórios, que foi aprovada em primeiro turno pela Câmara dos Deputados nesta semana com uma margem estreita.
A PEC –que altera regras do teto de gastos– não é vista com bons olhos pelos mercados financeiros, uma vez que é considerada prejudicial para a credibilidade fiscal do paÃs. Mesmo assim, a proposta passou a ser vista como a melhor saÃda possÃvel para a incerteza que têm dominado os mercados nas últimas semanas em meio à pressão do governo por mais gastos.
“Se a PEC for aprovada, a visão predominante entre a maioria dos clientes é de que os riscos principais arrefeceriam consideravelmente e os preços dos ativos poderiam ficar mais alinhados aos fundamentos macroeconômicos”, escreveu o Citi em relatório desta sexta-feira. Isso “provavelmente deixaria algumas das questões fiscais no passado e poderia abrir uma janela de maior calma nos mercados”.
Nesta sexta-feira, o secretário de PolÃtica Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, disse não ter dúvidas sobre a aprovação da PEC dos Precatórios.
A proposta deve ser votada em segundo turno na semana que vem na Câmara. Se aprovada, seguirá para o Senado.
(Edição de Isabel Versiani)