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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 23 Jun (Reuters) – O dólar segue em alta ante o real nesta terça-feira, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, com investidores no Brasil também digerindo a ata do último encontro de política monetária do Banco Central.
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Às 10h36, o dólar à vista subia 0,59%, aos R$5,1719 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — avançava 0,53%, aos R$5,1805.
A terça-feira é até o momento de ganhos para o dólar ao redor do mundo, com investidores projetando alta de juros pelo Federal Reserve ainda em 2026, na esteira do comunicado da instituição na semana passada.
No Brasil, o avanço da moeda norte-americana também encontra respaldo na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que reforçou a percepção de que a taxa básica Selic pode cair no curto prazo, mesmo ressaltando preocupações com o cenário inflacionário e a preponderância de riscos altistas. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano.
No documento, o colegiado reiterou que sua atual projeção de inflação para o quarto trimestre de 2027 — atual horizonte relevante — está em 3,7%, acima do centro da meta de inflação, de 3%.
O BC também voltou a defender que atingir os 3% no quarto trimestre de 2027 demandaria ajustes agressivos da Selic e faria, na sequência, a inflação ficar abaixo desse nível por diversos trimestres seguidos.
Em função disso, o Copom julgou como mais adequadas trajetórias de Selic “menos discrepantes”, com combinações de “momentos de pausa” e “retomada do ciclo de calibração” da taxa básica, com a inflação “convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028”.
Assim, enquanto o Fed sinaliza a possibilidade de juros mais elevados, o BC preparou o terreno para possíveis novos cortes.
O diferencial de juros entre Brasil e outros países — como EUA e Japão, cujas taxas estão em níveis bem menores — vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. Agora, este diferencial tende a cair.
No exterior, os agentes também seguem atentos nesta terça-feira às negociações de paz entre EUA e Irã.
Na segunda-feira, a moeda norte-americana à vista fechou com baixa de 0,45% no Brasil, aos R$5,1413.
Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.
(Edição de Isabel Versiani)