O dólar era negociado entre estabilidade e leve queda contra o real logo após a abertura desta quarta-feira, depois de apresentar ganhos acentuados na véspera, enquanto investidores do mundo inteiro aguardavam a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, em busca de pistas sobre o futuro da polÃtica monetária.
Às 10:22, o dólar recuava 0,17%, a 5,2020 reais na venda, depois de chegar a cair para 5,1702 reais na mÃnima do dia. Na B3, o dólar futuro ganhava 0,11%, a 5,217 reais.
Esse movimento de ajuste vem na esteira de forte valorização do dólar na véspera. A moeda norte-americana spot fechou o último pregão em alta de 2,40%, a 5,2106 reais na venda, seu ganho percentual mais forte desde 18 de setembro de 2020 (+2,77%), chegando a uma máxima desde 31 de maio (5,2254 reais). Fatores externos e a cautela doméstica ajudaram a direcionar esse comportamento.
Já nesta quarta-feira, segundo vários analistas, o foco dos mercados internacionais está na ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). O documento, que será divulgado à s 15h (horário de BrasÃlia), pode oferecer sinais ao mercado sobre quando e como o Fed vai reduzir a liquidez e elevar os juros.
“A antecipação do fim dos estÃmulos à economia nos Estados Unidos (…) seria ruim para os emergentes e tenderia a aumentar a pressão sobre o câmbio desses paÃses”, explicou em nota Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, ressaltando que os investidores não devem fazer grandes apostas antes da divulgação da ata.
MÉDIO PRAZO PROMISSOR?
O dólar já acumula alta de cerca de 5,8% contra a divisa brasileira desde que fechou o dia 24 de julho numa mÃnima em mais de um ano de 4,9062 reais.
Com a incerteza que se instalou recentemente no cenário doméstico — em meio a tensões polÃticas cada vez maiores e uma proposta de taxação de dividendos mal recebida pelos investidores — “vários hedge funds começaram a desmontar posições vendidas e até montar posições compradas” em dólar, explicou à Reuters Marcos Weigt, head de tesouraria do Travelex Bank.
“Temos um mercado que está muito suscetÃvel a movimentos direcionados por fatores de curto prazo”, explicou, apontando para grande volatilidade.
Mesmo assim, pensando num cenário de médio prazo, a tendência é de entrada de recursos no Brasil, o que poderia ajudar o real, afirmou Weigt. Com a perspectiva de aperto monetário agressivo pelo Banco Central e os preços das commodities ainda em patamares altos, apesar de perdas recentes, o real deve ficar mais atrativo para investidores estrangeiros, explicou. “Os termos de troca continuam favoráveis.”
O BC promoveu em junho a terceira alta consecutiva de 0,75 ponto percentual da taxa Selic, a 4,25%, e há entre os investidores expectativa de possÃvel aperto mais agressivo em seu encontro de agosto.