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Caos climático na China ameaça safras locais e joga preços da soja e do milho para cima no Brasil

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Nas últimas semanas, a China tem enfrentado uma combinação severa de eventos climáticos extremos que estão ameaçando seriamente suas safras agrícolas. O país lida com um forte contraste, com o norte e o leste sofrendo com inundações históricas, ao mesmo tempo em que  regiões no noroeste enfrentam ondas de calor quase sem precedentes. Até aqui, os prejuízos mais agressivos têm sido registrados no milho, no algodão, na soja e no arroz. 

As adversidades já têm sido sentidas e registradas desde meados de julho e causado preocupações constantes dos seus impactos sobre as novas safras da nação asiática. Para alguns analistas e consultores de mercado, este cenário, poderia, inclusive promover uma necessidade maior de importação de uma série de produtos pelos chineses. 

Os especialistas acreditam em compras maiores, principalmente, de milho, sorgo e algodão. E boa parte destas compras deverão ser feitas nos Estados Unidos e no Brasil. Nos últimos meses, as importações de sorgo brasileiro já começaram e dão sinais de volumes intensos até o final de 2026. 

O CALOR INTENSO

No noroeste chinês, o calor que se aproximou dos 50ºC em alguns momentos provocou danos mais agressivos no algodão e no milho, acelerando a maturação prematura em extensas áreas, com a possiblidade das perdas no algodão chegarem aos 5%. 

De acordo com informações da Reuters Internacional, de meados de julho ao final de agosto, as temperaturas em 50 estações meteorológicas, principalmente nas províncias de Jilin e Liaoning, grandes produtoras de milho e soja, bem como em Xinjiang, igualaram ou superaram os recordes históricos. 

Do mesmo modo, em Henan, uma importante região produtora de milho e soja de verão na planície do norte da China, enfrentou uma onda de calor extremo em julho, seguida por fortes chuvas provenientes dos remanescentes do tufão Dolphin.

Tufão Dolphin - China
Estragos causados pelo tufão Dolphin

CHUVAS FORTES, INUNDAÇÕES E TUFÕES

Ainda segundo a agência de notícias, Heilongjiang, a maior província produtora de milho e soja da China, localizada no nordeste do país, também tem sido atingida por chuvas fortes repetidas e inundações históricas desde meados de julho. Regiões também como , Jilin, Liaoning enfrentaram chuvas fortes e inundações, comprometendo lavouras de soja e milho, com dias muito nublados em uma fase determinante de definição de produtividade, com as plantas sofrendo com a falta de luminosidade e solos saturados. 

A imagem abaixo mostra campos de milho destruídos pelas chuvas em excesso e inundações nas proximidades do rio Liuli, em junho, em Huairou, distrito de Pequim. 

Milho destruído pelas chuvas na China
Milho destruído pelas chuvas na China – Foto: Tingshu Wang/Reuters

“O calor prolongado durante a fase crítica de polinização do milho na Planície do Norte da China pode reduzir a formação de grãos, enquanto as inundações representam riscos para os campos em áreas baixas no nordeste”, disse Liu Jinlu, pesquisador agrícola da Guoyuan Futures a Reuters.

A soja chinesa também sentiu os efeitos do excesso de umidade e perdeu qualidade, registrando ainda uma baixa em seu teor de proteína, o que compromete diretamente a margem de rendimento das esmagadoras no país. E ao contrário do milho, o Minsitério da Agricultura da China fala em uma redução de área plantada da ordem de 0,6%, para 10,19 milhões de toneladas. 

PRODUÇÃO x IMPORTAÇÕES

A produtividade deverá ser menor, porém, de outro lado considera-se ainda um aumento de área de milho na China na atual temporada dse 0,4% para 45,13 milhões de toneladas. Ainda assim, com uma qualidade menor dos grãos, a demanda externa dos chineses poderia ser estimulada. 

“O foco teria que ser no milho ou no sorgo, porque esses têm sido historicamente os produtos de exportação de maior valor em dólares para a China, depois da soja”, disse Darin Friedrichs, cofundador da Sitonia Consulting. 

E as importações de milho da China, no primeiro semestre de 2026, já registraram um crescimento de 61,3% na comparação anual, chegando a 1,36 milhão de toneladas. No mesmo período, as compras de sorgo aumentaram 86,2% e as de cevada, 53,4%. “A China não comprou milho dos EUA, mas importou 2,98 milhões de toneladas de sorgo americano, quase quatro vezes as suas compras para o ano inteiro de 2025”, afirmou a Reuters.

REAÇÃO DOS MERCADOS 

O mercado global de grãos vem registrando uma valorização generalizada, com destaque para os ganhos entre os futuros do milho  – que estão nos maiores níveis em três anos na Bolsa de Chicago – e para o trigo – que além das questões climáticas, as quais acometem também nações produtoras e exportadores importantes na Europa. 

O contrato dezembro do milho negociado na Bolsa de Chicago, em um mês, acumulou uma alta de 12,95 em apenas um mês, saltando de US$ 4,74 para US$ 5,35 por bushel. 

Alta dos grãos na CBOT (1)
Valorização do milho em um mês na Bolsa de Chicago

Já o trigo registrou uma valorização, no mesmo período, de 12,6%, com o vencimento dezembro passando de US$ 6,60 para US$ 7,48 por bushel. 

Os futuros da soja, que vão na carona dos grãos, acumulam ganhos de quase 5% em 30 dias, trazendo preços imediatamente melhores para o produtor brasileiro. 

Alta dos grãos na CBOT (2)
Valorização do trigo em um mês na Bolsa de Chicago

COMO ISSO AFETA O BRASIL NA PRÁTICA?

Os problemas climáticos na China têm um impacto direto e profundo nas exportações agrícolas brasileiras, agindo principalmente como um catalisador para a demanda e os preços. Assim, parte destes ganhos, se traduz em preços melhores pagos no mercado brasileiro, além de estimularem um fluxo de negócios melhor, mais aquecido entre os mercados que o Brasil garante seu protagonismo. 

Para compensar a queda na produção local de milho e a dependência estrutural de soja, a China precisa manter um fluxo constante de importações. Isso garante que os volumes exportados pelo Brasil permaneçam em patamares recordes. Essa forte demanda chinesa ajudou a impulsionar os preços da soja no Brasil para os maiores níveis desde o início de 2023.

Ademais, há ainda as próprias inseguranças com o clima para a nova safra brasileira de grãos, que está prestes a começar. 

Analistas apontam que a safra brasileira de 2026/27 também enfrenta riscos de queda de produtividade devido a fenômenos climáticos, como o El Niño. Se a China precisa comprar mais e o Brasil colher menos, o cenário aponta para um aperto na oferta global, o que eleva a volatilidade e pode encarecer ainda mais os alimentos e os custos de produção de carnes. 

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda