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Calotes de Cerealistas: como o produtor rural pode se proteger

Nos últimos anos têm crescido os relatos de produtores rurais que entregaram sua safra para cerealistas e ficaram sem receber. Em muitos casos, a perda é milionária e compromete não apenas a safra, mas o futuro do negócio e da família do produtor.

O problema é que muitas dessas negociações são feitas sem contrato formal, apenas na confiança e em promessas verbais. E quando o pagamento não acontece, o produtor descobre que os ativos de sua empresa já estão comprometidos com bancos e/ou que não há garantias para executar.

Diante desse cenário, é essencial que o produtor rural adote uma postura de gestão de risco. Pois, apesar da confiança ser importante, não substitui a segurança jurídica.

A seguir, apresento um checklist prático para o produtor rural se prevenir contra golpes de cerealistas.

Checklist de Prevenção contra Golpes

1. Antes de negociar

  • Pesquise o CNPJ da cerealista e verifique protestos, ações judiciais e processos de recuperação judicial.

Antes de fechar com a empresa, entre no site da Receita Federal e descubra se ela tem débitos, se possui ações judiciais ou se está em processo de recuperação judicial. Se existir algo nesse sentido, é sinal de que a saúde financeira da cerealista não está saudável. Já houve caso no Mato Grosso do Sul em que produtores descobriram depois da entrega que a empresa estava em litígio com bancos há anos.

  • Confirme a situação dos silos e armazéns (se não estão alienados a bancos).

Peça a matrícula atualizada no cartório. Muitos produtores entregam em armazéns que já estão dados em alienação fiduciária para bancos. Se caso a cerealista não pagar pelo produto entregue, possivelmente o produtor rural não terá garantias para assegurar o recebimento de seu crédito, pois o patrimônio estará todo comprometido em favor de bancos. 

  • Converse com outros produtores que já venderam para a empresa.

Ligue para dois ou três colegas que já venderam para essa cerealista e pergunte se receberam em dia. Isso evita cair no conto de uma empresa que paga bem no começo para “ganhar confiança” e depois dá o calote.

2. Durante a negociação

  • Exija um contrato formal, com quantidade, preço, prazos e garantias claras.

Se a empresa oferece R$ 120 a saca de soja, que esse valor esteja no contrato, com data de pagamento definida. Sem contrato, fica quase impossível cobrar depois.

  • Prefira operações com garantias reais ou financeiras: caução, aval, fiança bancária ou seguro de crédito.

Se a cerealista não tiver dinheiro para pagar à vista, aceite apenas com garantia real (como fiança bancária ou seguro de crédito). Um produtor de Goiás evitou prejuízo porque tinha seguro de crédito que cobriu o calote.

  • Nunca entregue sem lastro: peça sinal ou pagamento parcial antecipado.

Combine que só entregará os primeiros 5 caminhões após o recebimento de 30% adiantado. Se a empresa não aceitar, é sinal de alerta.

3. Na entrega do produto

  • Guarde romaneios, notas fiscais e recibos assinados.

Um produtor de Mato Grosso conseguiu provar o calote na Justiça porque tinha todos os romaneios assinados e notas fiscais de cada carga.

  • Registre a entrega com fotos e vídeos.

Filme a pesagem e a descarga. Isso ajuda a evitar discussões sobre quantidade e qualidade no futuro.

4. Após a negociação

  • Monitore os prazos de pagamento.

Se o vencimento é dia 20, confira no dia 21. Se não caiu, mande uma notificação extrajudicial. Quanto antes agir, maiores são as chances de recuperar.

  • Reaja rápido a atrasos ou desculpas: notifique formalmente e suspenda novas entregas.

Um produtor do Paraná perdeu mais de R$ 3 milhões porque acreditou em sucessivas promessas de pagamento. Se tivesse parado na primeira desculpa, teria evitado entregar mais cargas e, consequentemente, menor teria sido o prejuízo.

5. Estratégia de longo prazo

  • Prefira empresas sólidas como cooperativas ou empresas consolidadas.

Grandes cooperativas ou tradings com histórico de décadas, dificilmente somem do mercado de uma hora para outra.

  • Diversifique, evitando concentrar a safra em uma única empresa.

Não entregue 100% da safra para uma só cerealista. Se uma der calote, ainda terá outras fontes de receita para se sustentar.

  • Mantenha uma assessoria jurídica contínua para revisar contratos e dar suporte imediato em caso de problemas.

Muitos calotes poderiam ter sido evitados se o contrato tivesse cláusulas de garantia bem definidas. Ter um advogado especialista em agronegócio acompanhando as operações custa menos que o prejuízo de uma safra perdida.

Conclusão

O produtor rural não pode mais se expor a riscos desnecessários. Os golpes de cerealistas mostram que a confiança precisa caminhar junto com a segurança jurídica. 

Seguir esse checklist é uma forma prática de proteger o patrimônio, garantir o recebimento da safra e manter o negócio rural sustentável.

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda