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O mercado de café encerrou esta quarta-feira (29), com comportamento misto nas bolsas internacionais, marcado por tentativa de recuperação ao longo do dia, mas ainda sob pressão de fatores externos e da expectativa de avanço da safra brasileira.
Na Bolsa de Nova York, o contrato julho/26 do arábica fechou em 290,70 cents/lb, sem variação no dia. O setembro/26 encerrou em 280,25 cents/lb, com baixa de 35 pontos, enquanto o dezembro/26 fechou em 272,75 cents/lb, com baixa de 10 pontos.
Já em Londres, o robusta registrou queda mais consistente. O contrato julho/26 fechou em 3.442 dólares por tonelada, com baixa de 39 pontos. O setembro/26 encerrou em 3.357 dólares por tonelada, com baixa de 35 pontos, enquanto o novembro/26 fechou em 3.289 dólares por tonelada, com baixa de 30 pontos.
O mercado chegou a ensaiar recuperação durante o dia, especialmente no arábica, mas perdeu força diante da valorização do dólar no cenário global. A moeda mais forte tende a pressionar as commodities, reduzindo o apetite comprador e limitando ganhos nas bolsas internacionais.
Além do câmbio, a expectativa de uma safra volumosa no Brasil segue no centro das atenções e atua como fator estrutural de pressão. Mesmo com a colheita ainda em ritmo inicial, o mercado já precifica o aumento de oferta nas próximas semanas.
No Brasil, esse cenário ganha contornos mais específicos. A colheita avança de forma gradual e ainda com volumes limitados, o que impede uma pressão mais intensa sobre os preços no mercado físico neste momento. Esse descompasso entre bolsa e realidade interna ajuda a explicar por que as quedas externas nem sempre se traduzem na mesma intensidade dentro do país.
O arábica segue com negociações mais pontuais, com produtores cautelosos e atentos à volatilidade. Já o conilon continua apresentando maior liquidez, com demanda ativa e negócios acontecendo com mais frequência.
A valorização do dólar pode favorecer a exportação e melhorar a remuneração em reais, enquanto um real mais forte tende a pressionar os preços internos, impactando diretamente a estratégia de venda do produtor.
Na prática, o mercado vive um momento de transição e disputa de forças. De um lado, o dólar forte e a expectativa de safra cheia pressionam. Do outro, a oferta ainda limitada no curto prazo impede quedas mais acentuadas.
O cenário exige atenção redobrada. A volatilidade continua elevada e as decisões de comercialização devem considerar não apenas o movimento das bolsas, mas também o ritmo da colheita, o comportamento do câmbio e as oportunidades no mercado físico.