Por Isabel Mateos
BRASÃLIA (Reuters) – O Banco Central avalia que a maior volatilidade na taxa de câmbio brasileira observada desde o final do primeiro bimestre de 2020 deve-se a fatores domésticos e externos, mas o entendimento é que o diferencial de juros tem tido um peso relativamente pequeno no fenômeno.
É o que mostra boxe do mais recente Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta quinta-feira, em que o BC destacou que os aumentos na volatilidade cambial “contribuem para maior incerteza macroeconômica, prejudicando a formação de expectativas dos agentes econômicos em relação ao futuro da economia e à condução apropriada de polÃticas públicas”.
“Um câmbio volátil desincentiva investimentos externos e prejudica importadores e exportadores ao dificultar o planejamento dos agentes econômicos”, diz o documento.
Entre os fatores correlacionados à volatilidade, o exercÃcio feito pelo BC conclui que alguns dos mais relevantes são o expressivo aumento de negócios de minicontratos de dólar no paÃs, a maior volatilidade cambial observada em paÃses emergentes e o aumento do Ãndice de volatilidade baseado em opções sobre ações do Ãndice S&P 500, dos EUA.
No caso do diferencial de juros –diferença entre a taxa básica de juros praticada no paÃs e a média dos juros nas principais economias–, o BC nota que, no perÃodo observado, a relação caiu 0,32 ponto percentual, o que deveria gerar um aumento de apenas 0,13 ponto na volatilidade. “Entretanto, nesse perÃodo, a volatilidade do câmbio aumentou 9,77 p.p., de 10,98% para 20,75%”, diz o BC.
