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Por Jonathan Landay e Gram Slattery e Timour Azhari
WASHINGTON/RIAD, 22 Jul (Reuters) – Os ataques com drones iranianos a instalações da CIA no Golfo Pérsico levaram analistas de inteligência dos Estados Unidos a investigar se a Rússia prestou assistência fornecendo informações sobre alvos ou tecnologia avançada de drones, afirmaram quatro pessoas a par das informações dos serviços de inteligência dos EUA.
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Essas pessoas, que falaram sob condição de anonimato para discutir questões de segurança nacional, disseram que autoridades de inteligência dos EUA ainda não chegaram a conclusões definitivas sobre o possível envolvimento russo nos ataques às instalações da CIA. No entanto, citaram a eficácia e a aparente precisão dos ataques, bem como o amplo apoio técnico da Rússia ao Irã, como possíveis evidências.
A Reuters e outros veículos de mídia noticiaram — e autoridades norte-americanas admitiram — que a Rússia forneceu informações de alvos e outros tipos de apoio ao Irã em seus ataques a alvos dos EUA na região do Golfo Pérsico em geral, mas a investigação da comunidade de inteligência sobre o possível envolvimento russo no apoio aos ataques às instalações da CIA não havia sido divulgada anteriormente.
Pelo menos duas instalações da CIA foram atingidas em março, segundo reportagens da Reuters e de outros veículos de comunicação. Uma das instalações era a estação da CIA na Arábia Saudita, localizada na embaixada dos EUA em Riad, e outra instalação ficava no leste do Iraque. Algumas das fontes afirmaram que outras instalações da CIA também foram atingidas, mas não revelaram detalhes.
RÚSSIA AJUDOU A IDENTIFICAR INSTALAÇÕES: MEMORANDO DE INTELIGÊNCIA
Um memorando interno de uma agência de inteligência ocidental, descrito por uma autoridade na região com acesso ao documento, concluiu que a Rússia provavelmente desempenhou um papel na identificação de instalações regionais da CIA como alvos. A autoridade comentou o memorando sob a condição de que a autoria exata não fosse divulgada.
Dois funcionários ocidentais no Golfo, que foram informados sobre os relatórios de inteligência, disseram que os analistas acreditavam que o ataque na Arábia Saudita envolveu duas versões aprimoradas pela Rússia dos drones Shahed do Irã. Uma das aeronaves abriu um buraco em uma parte vulnerável do exterior da embaixada e a segunda voou pela abertura e detonou, afirmaram eles. Não foram registrados mortos nem feridos.
Embora a assistência russa ao Irã seja de longa data, dados os laços estreitos entre os países, o ataque específico a instalações sensíveis da CIA indicaria que Moscou está disposta a ir mais longe para atrapalhar as operações dos EUA, enquanto Washington se esforça para pôr fim à guerra no Irã.
As preocupações de que a Rússia possa estar fornecendo dados de alvos ao Irã se intensificaram neste fim de semana após ataques a uma base aérea dos EUA na Jordânia, onde o Irã atingiu quartéis do Exército com mísseis balísticos, matando dois soldados.
A Casa Branca direcionou o pedido de comentários da Reuters à CIA, que não quis responder.
A missão do Irã na ONU, o Ministério da Defesa da Rússia e o governo saudita não responderam aos pedidos de comentário.
LOCALIDADES SECRETAS
As duas autoridades ocidentais na região afirmaram que a Rússia ajudou o Irã a aprimorar a capacidade de seus drones Shahed de atingir alvos e disseram que analistas suspeitavam que o Irã tenha usado essas versões em seu ataque em Riad.
A Rússia, segundo uma fonte separada, ajudou Teerã a melhorar a precisão de seus Shahed-136s fornecendo um sistema de navegação por satélite — o Kometa-M — que, segundo especialistas, é muito mais preciso e mais difícil de ser bloqueado do que o produzido pelo Irã.
O Wall Street Journal noticiou pela primeira vez em março que a Rússia forneceu o Kometa-M ao Irã. O Kremlin negou a notícia, chamando-a de “fake news”.
As instalações da CIA no exterior incluem os escritórios principais da agência em cada país, que tradicionalmente ficam localizados nas embaixadas e são chamados de “estações”. Além disso, a CIA mantém escritórios, esconderijos, centros de logística e locais envolvidos em vigilância ou outras operações.
A localização desses locais é um segredo rigorosamente guardado.
As fontes se recusaram a divulgar o número exato ou as localizações das instalações da CIA atingidas por drones iranianos. Uma fonte estimou o número em “mais de uma e menos de uma dúzia”. Uma segunda fonte afirmou que várias instalações foram atingidas.
DADOS RUSSOS DE ALVOS?
Analistas de inteligência dos EUA têm investigado se o Irã se baseou em dados russos de alvos para o ataque à embaixada, disseram as fontes.
No entanto, ainda há dúvidas. Algumas das fontes alertaram que o Irã poderia ter tido como alvo a embaixada dos EUA de maneira geral e, por acaso, atingido a estação da CIA.
Alguns analistas concluíram que poucas nações, além da Rússia, teriam os meios para obter e o interesse em utilizar como arma informações de alvos tão confidenciais contra os EUA, segundo as fontes.
Daniel Hoffman, ex-chefe de estação da CIA e oficial de operações secretas, disse que não seria surpreendente que Moscou ajudasse Teerã a atacar instalações da CIA, dada a estreita parceria estratégica entre os dois países.
“Eles compartilham o interesse em tentar reduzir ou eliminar completamente a influência dos EUA em suas esferas de influência autodesignadas”, disse ele.
(Reportagem de Gram Slattery e Jonathan Landay, em Washington, e Timour Azhari, em Riad; Edição de Don Durfee e Rod Nickel)