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Análise: Possíveis impactos das tarifas americanas sobre a economia brasileira

A possibilidade do Brasil ser tarifado em 25% pela administração Trump opera menos como um choque uniforme de comércio e mais como um choque de incerteza com assimetria setorial, cuja intensidade final dependerá do escopo, das exceções e da possibilidade de negociação política. O mercado tende a precificar primeiro o risco de compressão de margens e a queda de volumes nas exportações mais expostas, depois o efeito indireto sobre o câmbio, juros, inflação e múltiplos acionários no Brasil.

Pensando em termos de vetores de transmissão, temos canais diferentes de transmissão. O mais imediato é o de quantidade e preço nas exportações brasileiras para a América, em especial de bens manufaturados e semimanufaturados cujo poder de redirecionamento de mercado é menor. Quando a elasticidade-preço da demanda é alta, a tarifa não é totalmente repassável ao importador americano; portanto, parte do ajuste recai sobre o exportador brasileiro via desconto de preço, compressão de margem e, em alguns casos, perda de market share para concorrentes de outros países. Em commodities mais fungíveis, o ajuste tende a aparecer menos como uma queda “seca” do comércio bilateral e mais como uma realocação geográfica das vendas, com pressão de curto prazo sobre os preços internos no Brasil se houver excesso de oferta doméstica.

Outro canal é o financeiro-macroeconômico, e uma medida dessa natureza eleva o prêmio de risco do Brasil a partir da piora do saldo comercial esperado, pelo aumento da volatilidade cambial e pela reprecificação da política monetária, caso a depreciação do Real contamine a inflação via bens comercializáveis (tradables).

Em episódios recentes de escalada tarifária, os mercados globais reagiram com um movimento de sell-off no mercado de capitais, em direção a ativos defensivos, o que levou a queda em setores cíclicos e industriais, indicando que a leitura do mercado é menos sobre um único fluxo comercial e mais sobre a possibilidade de fragmentação do comércio e de cadeias globais. Entretanto, o efeito não deve ser homogêneo. Os setores que possuem maior exposição ao mercado americano e menor capacidade de redirecionamento sofrerão mais, porque a tarifa atua como um imposto sobre a margem de exportação, não apenas sobre o volume.

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Além disso, choques tarifários em segmentos industriais (que detêm contratos de longo prazo, especificação técnica e certificações bilaterais) costumam absorver parte relevante do custo, ao contrário do que ocorre em commodities padronizadas, onde a incidência tende a ser mais difusa. Há ainda a transmissão via insumos e cadeias de valor. Se a tarifa atingir bens intermediários, o impacto se espalha para as empresas brasileiras que exportam etapas da cadeia, reduzindo a utilização de capacidade e o investimento planejado. Nesse caso, mesmo empresas não diretamente exportadoras podem sentir o choque por meio de fornecedores, fretes, seguros, crédito e expectativa de demanda, o que costuma aparecer primeiro em revisões de guidance e depois no lucro operacional.

Do ponto de vista macro, o principal risco não é apenas a perda direta de exportações, mas a possibilidade de um choque de confiança que reduza o investimento privado e antecipe decisões de hedge, desaceleração de capex e reprecificação do risco-país. Se o mercado concluir que a medida é o primeiro passo de uma escalada mais ampla, o efeito sobre as expectativas pode ser desproporcional ao impacto estático do comércio bilateral. Em modelos econômicos de pequeno porte aberto, isso é importante porque a resposta do câmbio e dos juros pode amplificar a contração original via crédito, consumo durável e investimento.  

Há também um componente de equilíbrio geral, onde o redirecionamento de comércio, pode beneficiar países concorrentes e, em alguns casos, baratear insumos no mercado doméstico brasileiro se houver excesso de oferta. Isso significa que o efeito líquido sobre o PIB pode ser menor do que o impacto bruto sobre as exportações, mas maior do que o investidor inicialmente imagina por causa da interação entre margem, câmbio e confiança. Até o momento, a reação do mercado foi de depreciar a moeda, venda de ações expostas ao comércio exterior e abertura do prêmio dos juros longos.

O câmbio reage porque o mercado antecipa menor entrada líquida de USD por exportação e maior incerteza regulatória; a bolsa reage por revisão de lucro e aumento do discount rate; e a curva de juros incorpora o risco da autoridade monetária precisar ser mais restritiva, caso haja repasse cambial (pass-through) para a inflação. Em episódios anteriores de tarifas americanas mais amplas, observou-se queda forte em índices acionários globais, com setores cíclicos e industriais liderando as perdas. A leitura até o momento é de cautela seletiva, não de pânico sistêmico. O mercado parece tratar o anúncio como um risco material, mas ainda negociável, e por isso a precificação combina aversão ao risco com o monitoramento das próximas rodadas da Seção 301 e das eventuais exceções setoriais.

Em termos de microestrutura, isso costuma aparecer como maior volatilidade intradiária, rotação para defensivos, proteção cambial e deságio em ativos com maior exposição aos EUA, sem necessariamente provocar uma reprecificação uniforme de todo o mercado brasileiro. A reação parece, por ora, mais seletiva do que sistêmica. O mercado diferencia entre empresas com receita em USD, baixa elasticidade de preço e capacidade de realocação geográfica, daquelas companhias dependentes do mercado americano e com menor poder de barganha. O efeito “beta” desse anúncio é alto, mas o preço final dos ativos depende da probabilidade atribuída a um tarifaço amplo versus uma estratégia negociada e focalizada. 

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda