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2026 não será o ano do produto. Será o ano de acesso ao mercado, proximidade com o cliente e segurança percebida

Por Luciana Martins

O fim do ruído e o começo da estratégia

O agro atravessou um ciclo duro.
Não foi só no campo. Foi no caixa, na confiança e no mercado de capitais.

Fonte: Marcos Jank – “Desde 2024, estamos vivendo esse momento mais difícil porque os preços das commodities caíram, o dólar não está valorizado, os custos seguem altos, as margens apertadas, com muitas recuperações judiciais e uma taxa de juros escandalosa.”

O reflexo apareceu rápido: ações de empresas do agro listadas em bolsa sofreram. Poucas performaram. A maioria perdeu valor.
Quando o mercado financeiro desconfia, ele antecipa o que o território já está sentindo.

Fonte: Money Times – “Ações do agro sofrem em 2025 e apenas três fecham o ano no positivo” (2025).

Casos como Raízen, São Martinho e Cosan, com quedas superiores a 30%, mostram que escala, integração e histórico não blindaram ninguém diante de:
– juros elevados;
– margens comprimidas;
– endividamento;
– crédito restrito;
– volatilidade de commodities.

2026 começa sem euforia.
Mas começa com algo mais valioso: clareza sobre o que não funciona mais e uma vontade real de virar o jogo. O agro é cíclico, e essa virada está por acontecer.

Indústrias, cooperativas e grandes players do setor já estavam com a bota nos pés no primeiro dia útil do ano. Reuniões, alinhamentos, estratégia e execução é o que estamos vendo de diferente neste início de ano.

O contexto estrutural que ficou evidente

O agro entrou em 2025 carregando estoques, margens pressionadas, crédito caro e decisões represadas.
A Selic elevada não é ruído. É estrutura.
O crédito escasso não é pontual. É seletivo.

E quando o dinheiro fica caro, o mercado faz uma triagem silenciosa:
– quem tem acesso real ao produtor, fica;
– quem dependia só de preço, volume e empurrada de produto, sai.

O ciclo virou.

Fatos que sustentam essa virada

Fonte: Valor Econômico – “Ações do agro ficam para trás em meio a juros altos e margens pressionadas” (2024).
Empresas ligadas a insumos, logística e máquinas sofreram quedas relevantes em um cenário de capital restrito e demanda mais cautelosa.

Fonte: Infomoney – “Agro enfrenta novo ciclo de crédito seletivo e produtor mais conservador”.
O produtor reduziu risco, alongou decisões e passou a priorizar segurança sobre agressividade.

Fonte: Bloomberg Línea – “Tradings ampliam presença no fornecimento de insumos no Brasil”.
Movimento claro de tradings assumindo papel ativo no financiamento e na distribuição.

Fonte: Reuters – “Cooperativas brasileiras aceleram industrialização para sustentar margens”.
Industrialização como pilar de equilíbrio econômico e fidelização do cooperado.

Esses movimentos não são isolados. Eles se conectam.

A miopia que ainda persiste

Muitas indústrias seguem discutindo:
– canal versus canal;
– preço versus preço;
– campanha versus campanha.

Enquanto isso, o produtor está discutindo outra coisa:
quem me dá previsibilidade, segurança e parceria real.

2026 não será vencido por quem grita mais.
Será vencido por quem estiver mais próximo e com estratégias conectando todos os elos e plataformas de acesso.

O ponto de inflexão: acesso virou estratégia central

O acesso ao mercado deixou de ser operação.
Virou vantagem competitiva.

Hoje, além dos canais tradicionais — venda direta, cooperativas e revendas — o Brasil vê:
– tradings entrando com força no fornecimento de insumos, como a ADM, integrando produto, crédito e escoamento;
– marketplaces nichados começando a ganhar espaço;
– hubs de soluções sendo desenhados;
– redes regionais se reorganizando.

O mercado está em movimento. Quem não se mover vai perder território.

Impactos por grupo estratégico

1. Cooperativas

As cooperativas mais profissionalizadas entenderam o jogo.
Governança, escala e industrialização não são mais diferenciais — são pré-requisitos.

Agregar valor à commodity do cooperado sustenta margem, fideliza e cria resiliência.
Para indústrias com metas audaciosas, aproximar-se dessas cooperativas não é opção. É estratégia.

2. Venda Direta

A venda direta só funciona se o campo estiver afiado.
RTV despreparado custa caro.

Janeiro é o mês de amolar o machado:
– alinhar linguagem;
– descer estratégia;
– treinar leitura de cenário;
– preparar o time para um produtor mais exigente e menos tolerante a erro.

3. Distribuidores e Revendas

As revendas voltaram a ganhar força porque os antigos donos estão retornando.
Gente que conhece o campo, olha no olho e entende o ciclo do produtor.

Esse capital relacional voltou a valer muito.

Impacto direto nos profissionais do agro

– RTVs precisam sair do papel de vendedor e assumir o papel de parceiro técnico e estratégico.
– Gerentes Regionais precisam gerir território, não apenas metas.
– Diretores Comerciais terão que integrar canais, não colocá-los em disputa.
– Diretores de Acesso ao Mercado passam a ser figuras centrais.
– Marketing e Desenvolvimento de Mercado precisam criar valor percebido e estratégia conectando todos os investimentos aportados, não só visibilidade.
– Executivos das indústrias precisam estar no território, entendendo quem realmente decide.

O papel das indústrias em 2026

Indústrias que querem crescer precisarão:
– repensar rotas de acesso;
– integrar canais;
– investir em inteligência de mercado;
– fortalecer presença territorial;
– criar governança comercial real.

Produto sozinho não sustenta crescimento.

O que vem a seguir

Apesar do cenário desafiador, há muita oportunidade na mesa. Não existe “o agro” como bloco único.

– Soja e milho atravessam um momento difícil.
– Açúcar enfrenta desafios.
– Café vive bom momento.
– Proteínas, especialmente aves e suínos, se beneficiam de grãos mais baratos.
– Empresas integradas e com acesso a mercado externo performam melhor.

É preciso entender como aproveitar as oportunidades.

Mas isso exigirá:
– formação intensa;
– desenvolvimento técnico;
– estratégia de longo prazo.

2026 não será simples.
Juros altos, crédito seletivo e mercado exigente seguirão no jogo.

Mas a indústria que transformar relacionamento em experiência,
que gerar segurança,
e que estiver realmente próxima do canal de acesso e do produtor, vai crescer, ganhar market share e ampliar seu espaço neste mercado.

O jogo mudou.
E quem entendeu isso primeiro, já saiu na frente.
 

 

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda