Esta semana, a Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) cumpriu agendas na 49ª Expointer em Esteio (RS). Representada pelo presidente administrativo, Christiano Erhart, a Bolsa esteve presente nas reuniões da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Culturas de Inverno. Os encontros reuniram representantes dos setores para discutir perspectivas para as próximas safras, acompanhamento da produção, condições de mercado e iniciativas relacionadas ao desenvolvimento das cadeias produtivas.
Na 81ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) apresentou dados que apontaram para redução de 3,4% na área destinada ao cultivo do cereal. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por sua vez, informou que divulgará suas estimativas no dia 15, permitindo a comparação entre os números das diferentes instituições. Também foi discutida a necessidade de harmonização dos dados de Conab, Emater e Irga.
A Conab indicou ainda uma redução da produção brasileira de arroz, de 12,8 milhões para pouco mais de 11 milhões de toneladas, além de redução da área cultivada. Entre os principais fatores de atenção estão os riscos climáticos associados ao El Niño e as importações, atualmente concentradas no Paraguai. Crédito, armazenagem, tributação, exportações e estímulo ao consumo também estiveram entre os temas debatidos.
Outro destaque foi a discussão sobre novos usos para o arroz, incluindo aplicações em cosméticos e o Projeto de Lei (PL) apresentado pelo deputado Alceu Moreira (MDB), que propõe a inclusão de farinha e quirera de arroz na alimentação e na merenda escolar, além da utilização de 10% de farinha de arroz na composição da farinha de trigo. Segundo as discussões realizadas no encontro, a medida poderia contribuir para ampliar o consumo do cereal no país, sustentar a produção atual e reduzir os estoques de passagem.
“A proposta apresentada é aumentar o consumo de arroz no país. Com a utilização de 10% de farinha de arroz na farinha de trigo, esse aumento de consumo poderia ajudar a sustentar a produção atual e reduzir os estoques de passagem”, explica Christiano Erhart, presidente da BBM.
O seguro rural também esteve entre os assuntos de destaque. A Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária manifestou apoio ao Projeto de Lei nº 2.951, que torna obrigatória a execução da subvenção ao seguro rural. Do R$ 1 bilhão previsto para 2026, R$ 82 milhões foram cancelados e R$ 461 milhões bloqueados. Diante desse cenário, a Câmara Setorial aprovou uma moção pelo desbloqueio dos recursos.
A programação contemplou ainda a atualização do Projeto Visão Arroz 2030–2050, apresentado pela Embrapa, e a definição de recursos para a continuidade do estudo. Questões relacionadas ao uso de fosfina, autocontrole, rastreabilidade e resíduos de fungicidas também foram debatidas e deverão integrar a próxima pauta da Câmara, marcada para 18 de novembro de 2026.
Já na 83ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Culturas de Inverno, um dos destaques foi a apresentação, pela Be8, do projeto de uma indústria de glúten e etanol em Passo Fundo (RS). Com 80% das obras concluídas, a unidade tem previsão de iniciar as operações em 2027 e deverá demandar anualmente cerca de 600 mil toneladas de cereais, sendo 400 mil toneladas de trigo, além da produção de DDGS e CO₂.
O cenário da cultura do trigo também esteve entre os principais pontos discutidos. A Conab apontou redução superior a 20% na área cultivada, com queda estimada de 26,2% na produção brasileira e de 29,8% na Região Sul. Os estoques estão abaixo de 1 milhão de toneladas, enquanto as importações chegam a aproximadamente 7,5 milhões de toneladas.
O setor ainda debateu os principais desafios enfrentados pelos produtores, entre eles a falta de crédito, o endividamento, a insuficiência do seguro rural, os riscos climáticos e os preços abaixo do preço mínimo. A discussão reforçou a necessidade de medidas que contribuam para a manutenção da produção nacional e para a sustentabilidade econômica da cadeia.
Outro destaque da reunião foi a Plataforma Trigo Brasil, apresentada pela Embrapa. A ferramenta reúne informações de diferentes anos de cultivo, incluindo dados sobre áreas plantadas, produtos cultivados e produtividade, contribuindo para o acompanhamento histórico da produção de trigo e para uma visão mais integrada da cadeia. Segundo o presidente da Bolsa, a plataforma teve papel central nas discussões. “Ela reúne informações de vários anos sobre as áreas plantadas, os tipos de produtos e a produtividade”, relatou o presidente da BBM.
A Embrapa também propôs a construção de uma agenda nacional para o trigo, integrando as realidades das regiões Sul e do Cerrado e buscando ampliar a coordenação das iniciativas relacionadas à cultura. A reunião das culturas de inverno contou ainda com discussão sobre o panorama da produção de cevada. Foi apontada uma queda na produção e a necessidade de incentivar os produtores a manterem o cultivo. A cultura também foi destacada por sua contribuição para a rotação de culturas, favorecendo sistemas produtivos que posteriormente recebem o cultivo de soja.
A participação da BBM nas reuniões das Câmaras Setoriais durante a Expointer reforça o acompanhamento das discussões que envolvem diferentes cadeias do agronegócio e dos fatores que podem influenciar a produção e a comercialização de produtos agrícolas. A presença da Bolsa nesses espaços contribui para aproximar os agentes do mercado das perspectivas, tendências, desafios e oportunidades que impactam o agronegócio.
Ainda nesta sexta-feira (4), a BBM oferece um jantar para convidados na Casa do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), atividade que tradicionalmente integra a programação da Bolsa durante a feira em Esteio, no Parque de Exposições Assis Brasil.


