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Agenda Brasil: Estudo aponta fragilidades na regra fiscal e propõe medidas para melhorar gasto público

Um estudo encomendado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e divulgado, na terça (25), aponta um cenário de crise fiscal no país, marcado pelo crescimento da dívida pública nos últimos anos, pelo elevado pagamento de juros e pela baixa qualidade dos gastos do governo. 

O estudo “Orçamento Público: Qualidade do Gasto e Responsabilidade Fiscal” foi apresentado pela auditora do Tesouro Nacional e uma das autoras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Selene Peres, durante o evento “Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade” realizado pelo Sistema CNA/Senar, em parceria com Estadão. 

O encontro reuniu pesquisadores, economistas, autoridades, empresários, representantes do setor produtivo, parlamentares, o presidente da CNA, João Martins, vice-presidentes da entidade, presidentes de Federações estaduais de agricultura e pecuária e integrantes do Sistema CNA/Senar para discutir temas econômicos e institucionais que impactam o desenvolvimento do agro e do país.  

Selene Peres, autora do estudo encomendado pela CNA, afirmou que, as regras atuais de gastos levam o país a um cenário de doença crônica. Historicamente, a Dívida Bruta do Governo Federal atingia entre 60% e 70% do Produto Interno Bruto (PIB). Em junho de 2026, o valor chegou a R$ 10,8 trilhões ou 81,9% do PIB. Se mantido o ritmo atual, a dívida poderá chegar a 95,7% em 2030. 

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A especialista explicou que sobre essa dívida, o governo já paga juros de R$ 1,16 trilhão, no acumulado de 12 meses até junho deste ano. “Muitas pessoas dizem que o problema do Brasil é a alta taxa de juros, mas essa é só a ponta do iceberg. Por trás desse cenário existem problemas estruturais, como a rigidez do Orçamento, a falta de credibilidade fiscal e a baixa qualidade dos gastos públicos”. 

De acordo com o estudo, o aumento da arrecadação nos últimos anos não tem sido suficiente para reverter o desequilíbrio das contas. No ano passado, a carga tributária atingiu 34,35% do PIB, sendo 21,60% referente à esfera federal, um aumento de mais de 2 pontos percentuais em dois anos. Ainda assim, os resultados primários do Governo Federal têm sido recorrentemente deficitários.  

Falta de previsibilidade – Nesse sentido, o aumento da arrecadação é absorvido pelo crescimento automático das despesas, restando poucos recursos para a gestão de gasto real. No estudo, a CNA explica que a regra fiscal não gera previsibilidade e credibilidade e que a cada vez que o governo arrecada mais, os gastos crescem automaticamente, impedindo que sejam gerados os resultados primários compatíveis com a estabilização da dívida. 

A Confederação defende que a regra fiscal precisa garantir a sustentabilidade da dívida. Diante desse cenário, propõe regras de despesas mais simples; redução das exceções; recondução mais efetiva para corrigir desvios; foco na sustentabilidade da dívida no médio prazo e maior transparência para padronizar estatísticas fiscais e evidenciar o esforço fiscal.  

O documento apresentado no encontro também revela que, na execução do orçamento de 2025, o Brasil gastou R$ 2,3 trilhões em despesas, sem encargos especiais. Desse total, mais de 60% foram destinados para pagar Previdência Social (47,8%) e Assistência Social (12,6%), evidenciando o peso das despesas obrigatórias. O restante foi para Saúde (10,4%), Educação (8%), Trabalho (5,2%), Defesa Nacional (4,3%) e demais funções (11,7%). 

“Sobra pouco recurso para investimentos, que são frequentemente objetos de corte. Só em 2025, considerando o resultado do Governo Federal com as Estatais, o resultado primário foi deficitário em R$ 76,2 bilhões. Não adianta o governo nos enganar com métricas que fazem exclusões, se na prática está endividando o país”, explicou Selene. 

O estudo avalia que, além do crescimento das despesas, um dos principais desafios está na qualidade da aplicação dos recursos. O levantamento aponta falta de avaliação e de indicadores de resultados em políticas e programas públicos; sobreposição de ações e baixa integração entre União, Estados e municípios; investimentos mal priorizados e com baixa execução e manutenção de recursos por inércia, não por resultados. 

Sobreposição e transparência – A auditora do Tesouro Nacional destacou que de fato existe a sobreposição de programas e políticas sociais, indicando oportunidades de o governo alocar melhor os recursos. “Há programas que se multiplicam na Federação com nomenclaturas diferentes e basicamente a mesma finalidade. O cadastro único é utilizado, mas o controle de fraudes é insuficiente”.  

Em 2025, apenas no Governo Federal foram gastos R$ 381,78 bilhões em políticas sociais e o crescimento entre os anos de 2010 e 2025 foi de 271% em termos reais. Do total gasto, R$ 158,62 bilhões ou 41,6% foram para o Bolsa Família e R$ 121,47 bilhões ou 31,8% para Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Renda Mensal Vitalícia (RMV). 

Para a CNA, os programas sociais devem ser eficientes e contemplar a reinserção produtiva. A entidade não questiona a importância dessas políticas, mas defende a criação de um Sistema Nacional Integrado de Proteção Social para garantir a justiça social, a eficiência e a racionalidade dos gastos. 

A especialista Selene Peres afirmou que entre as medidas sugeridas estão: Cadastro Único integrado e governança federativa (base atualizada e inoperável entre os entes e identificação segura e proteção de dados); critérios harmonizados (regras comuns de elegibilidade e priorização); integridade e auditoria (cruzamento contínuo de dados e uso de IA para gestão de riscos e auditoria contínua dos benefícios). 

Outras duas frentes propostas são a avaliação periódica de resultados e custos e fusão, extinção ou reformulação de programas ineficazes; e ainda a promoção da reinserção dos beneficiários no mercado de trabalho e o aprimoramento profissional deles. 

Responsabilidade – De acordo com Selene, a política fiscal brasileira apresenta consequências diretas para o crescimento econômico e o bem-estar da população. Sem responsabilidade fiscal, tornam-se difíceis a criação de condições para uma queda sustentável da taxa de juros, sem qualidade do gasto e alocação de recursos nos investimentos estruturantes que são necessários para puxar investimentos privados e alavancar o crescimento econômico.  

“A Agenda Brasil precisa ser construída com medidas que conciliem responsabilidade fiscal e qualidade do gasto e precisamos expandir essa visão para toda população”, disse. 

Debates – O levantamento apresentado foi o ponto de partida para o painel “Responsabilidade Fiscal como Vetor da Competitividade Nacional” no evento “Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade”.  

O presidente do Instituto CNA, Roberto Brant, foi o moderador do debate e afirmou que o país vive uma crise fiscal que compromete o funcionamento do Estado brasileiro e da economia. “O governo está completamente limitado apenas pelas despesas obrigatórias. Além das taxas de juros que são exorbitantes e penalizam gravemente o setor privado”.  

Para o pesquisador associado do Insper e consultor legislativo do Senado Federal, Marcos Mendes, o país está em uma situação fiscal delicada e que é agravada com a deterioração da relação dos Três Poderes.  

Segundo Marcos, o ajuste fiscal é condição necessária, mas não é suficiente. Para ele, o segredo é a produtividade, produzir mais com menos custo. “Não se faz ajuste sem reforma da previdência e racionalização de programas sociais. E isso não é simples de se fazer. Não existe bala de prata para reforma fiscal ou de produtividade, é necessário um ajuste de R$ 250 a 300 bilhões de reais. É um grande desafio”, concluiu.  

Para o sócio-diretor da MB Associados e membro de conselhos de administração de grandes empresas, José Roberto Mendonça de Barros, o Brasil enfrenta um cenário internacional de profunda transformação, marcado pela disputa de hegemonia entre grandes potências, pelos impactos do aquecimento global e pela revolução da inteligência artificial.  

Apesar dos desafios, o país tem demonstrado resiliência devido à alta produtividade de setores que dependem de recursos naturais, como a agropecuária e indústrias extrativas, que sustentam o crescimento econômico nas últimas décadas. 

Mendonça de Barros acredita que o Brasil possui uma posição estratégica global privilegiada devido à sua capacidade de fornecer alimentos, energia e fibras, setores que impulsionam o PIB através de tecnologia própria e de longo prazo. No entanto, o país enfrenta um processo de desaceleração econômica, agravado por um cenário de incertezas políticas e, principalmente, por taxas de juros em níveis extraordinariamente elevados, que comprometem o investimento e a sustentabilidade do crescimento a longo prazo. 

“O sucesso desses segmentos se fundamenta em dois pilares: a tecnologia adaptada às nossas peculiaridades e a capacidade de dominar a geologia e a dinâmica do nosso solo e subsolo. O êxito é fruto de um processo longo e bem-sucedido. É nesse contexto que as taxas de juros extraordinariamente elevadas se tornam prejudiciais, asfixiando até mesmo os projetos mais sólidos”.

Veja a apresentação do estudo no link: https://cnabrasil.org.br/agendabrasil

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda