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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 20 Jul (Reuters) – O dólar fechou a segunda-feira em baixa ante o real, acompanhando a queda da moeda norte-americana ante parte das divisas de países emergentes no exterior, em um dia de variações modestas nas cotações.
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Os investidores globais seguiram monitorando o noticiário sobre o Oriente Médio, após Irã e Estados Unidos intensificarem seus ataques.
O dólar à vista encerrou o dia no Brasil com queda de 0,42%, aos R$5,0896. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 7,28%.
Às 17h02, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,49% na B3, aos R$5,1050.
Em um dia de agenda de indicadores esvaziada no Brasil, os agentes se voltaram para o exterior, onde EUA e Irã intensificaram seus ataques. A Guarda Revolucionária do Irã disse mais cedo ter atacado alvos militares dos EUA em todo o Oriente Médio, após mais uma noite de bombardeios norte-americanos contra cidades iranianas.
O petróleo Brent, que chegou a superar os US$90 o barril mais cedo, mostrou maior acomodação durante a manhã, chegando a ceder em alguns momentos, para à tarde voltar a subir, com o presidente dos EUA, Donald Trump, prometendo vingança contra o Irã pela morte de soldados norte-americanos.
Neste cenário, o dólar sustentou perdas ante parte das divisas de países emergentes até o fim do dia, como o real e o peso mexicano, mas avançou ante outras moedas, em uma sessão de dúvidas sobre o futuro do conflito no Oriente Médio.
Após marcar a cotação máxima intradia de R$5,1159 (+0,10%) às 9h02, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0814 (-0,58%) às 13h07, para depois encerrar perto disso.
“Tivemos um dia de alívio em nossa taxa de câmbio, refletindo um ambiente externo ligeiramente mais favorável, com redução das tensões no mercado de petróleo após notícias sobre possíveis iniciativas de mediação entre Estados Unidos e Irã”, pontuou Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, em comentário por escrito.
“Aqui no Brasil, o elevado diferencial de juros continua sustentando o fluxo de forma especulativa para ativos brasileiros, o que também favorece o real”, acrescentou.
Pela manhã, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,20 e para o fim do próximo ano em R$5,28.
Já a taxa básica Selic projetada para o fim de 2026 permaneceu em 14,00%, o que pressupõe mais um corte de 25 pontos-base ainda este ano. Para o encerramento de 2027 a Selic esperada seguiu em 12,00%.
Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e este diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente em função da perspectiva de alta de juros nos EUA e de nova baixa no Brasil.
No fim da manhã, sem efeito sobre o câmbio, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.
(Edição de Isabel Versiani)