Minas Gerais celebra, nesta quarta-feira (29), o Dia da Carne Suína Mineira, instituído por lei estadual, em um momento de contraste para a cadeia produtiva. Enquanto o estado registra níveis elevados de produção, o setor enfrenta uma das fases mais desafiadoras dos últimos anos em relação aos preços pagos ao produtor.
A data marca também os 54 anos da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG), entidade que representa uma das cadeias mais relevantes do agro mineiro. O cenário atual, no entanto, combina eficiência produtiva com margens pressionadas, exigindo ajustes estratégicos por parte dos produtores.
Produção cresce, mas preços recuam
Apesar do avanço na produção, que atingiu mais de 618 mil toneladas em 2025, segundo dados oficiais, o mercado vive um movimento de queda nos preços. Levantamentos do setor indicam que, entre janeiro e abril de 2026, o valor do suíno vivo recuou de R$ 8,30/kg para R$ 5,30/kg, uma retração superior a 36%.
O recuo ocorre em um contexto de custos de produção elevados, estimados em cerca de R$ 6,20/kg, o que compromete a rentabilidade das granjas. Esse cenário impacta diretamente um plantel de aproximadamente 339 mil matrizes e coloca pressão sobre empregos e investimentos na cadeia.
Eficiência produtiva e impacto na oferta
Dados levantados pelo setor apontam que o aumento da produtividade não foi acompanhado por expansão proporcional do consumo, contribuindo para a maior oferta no mercado. A evolução tecnológica e sanitária permitiu produzir mais com o mesmo número de matrizes, elevando a eficiência, mas também ampliando a disponibilidade de carne.
Esse movimento reforça o caráter cíclico da suinocultura, que alterna períodos de alta rentabilidade com fases de ajuste, influenciadas pela dinâmica de oferta e demanda.
Gestão e tecnologia como resposta
Diante desse cenário, a adoção de ferramentas de gestão e inovação tem sido apontada como caminho para enfrentar momentos de baixa. A busca por eficiência produtiva, redução de custos e melhor posicionamento de mercado se torna estratégica para manter a atividade sustentável.
Iniciativas voltadas à difusão de tecnologias e boas práticas têm ganhado espaço, com foco em genética, nutrição e melhoria de processos dentro das granjas.
Consumo interno sustenta relevância do setor
Mesmo com os desafios, Minas Gerais segue como um dos principais mercados consumidores de carne suína no país, com consumo per capita de 27,4 kg por ano. Esse fator contribui para manter a importância econômica da atividade, cujo Valor Bruto da Produção (VBP) é estimado em cerca de R$ 6,8 bilhões.
A data comemorativa reforça o papel da suinocultura na economia estadual e nacional, destacando a necessidade de equilíbrio entre produção, mercado e sustentabilidade econômica.