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O mercado do trigo encerrou esta quarta-feira, 29 de abril de 2026, com realização de lucros na Bolsa de Chicago, após uma sequência de altas que levou os preços a níveis mais elevados nos últimos dias. O movimento de baixa no fechamento indica um ajuste técnico, sem mudança estrutural imediata nos fundamentos que vinham sustentando o mercado.
O contrato maio/26 fechou a US$ 6,42/bu, com baixa de 66 pontos. O julho/26 encerrou a US$ 6,53/bu, recuando 46 pontos, enquanto o setembro/26 terminou o dia cotado a US$ 6,66/bu, com perda de 40 pontos.
A queda ocorre após o mercado ter renovado máximas recentes, o que naturalmente abre espaço para correções, especialmente com a atuação de fundos realizando lucros. Ainda assim, o pano de fundo segue sendo de atenção com o clima em regiões produtoras do Hemisfério Norte, fator que continua limitando quedas mais intensas e mantendo o viés de suporte.
Do lado brasileiro, o cenário segue descolado em alguns pontos e bastante relevante para a tomada de decisão do produtor. Segundo o Cepea, os preços do trigo em grão continuam sustentados pela oferta restrita neste período de entressafra, pela postura mais firme dos vendedores e pela necessidade de reposição das indústrias moageiras. Esse ambiente mantém o mercado interno aquecido, mesmo diante de oscilações externas.
Ao mesmo tempo, há um movimento diferente no mercado de derivados. O farelo de trigo apresenta desvalorização em diversas regiões, pressionado pelo aumento da oferta e pela concorrência com substitutos como milho e derivados de soja. Com isso, vendedores reduzem preços para manter competitividade, enquanto compradores adotam postura mais cautelosa, aguardando novas quedas.
Já as farinhas seguem em valorização, refletindo o repasse dos custos mais elevados do grão. Esse encadeamento mostra um mercado heterogêneo, onde diferentes elos da cadeia reagem de formas distintas ao mesmo cenário.
Apesar da correção em Chicago, o ambiente ainda é de sustentação, tanto no exterior quanto no mercado interno. A combinação entre preços firmes no Brasil e volatilidade no cenário internacional reforça a importância de estratégias bem definidas de comercialização, especialmente diante de um mercado sensível a clima, fluxo financeiro e dinâmica de oferta global.