Governo já sinalizou realização de leilões para escoamento da safra
O mercado do arroz vive um momento de transformação este ano, marcado pelo avanço das exportações brasileiras e pela influência crescente do cenário internacional na formação de preços. O movimento reflete uma combinação de fatores que envolvem oferta interna, competitividade global e custos de produção, impactando toda a cadeia do setor. Só no primeiro trimestre do ano, as exportações brasileiras de arroz cresceram 114%, registrando um marco expressivo, com embarques que somaram 685 mil toneladas, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025, totalizando uma receita alta e significativa de US$ 159,7 milhões.
De acordo com um levantamento, realizado pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os principais destinos do grão brasileiro foram mercados tradicionais como Venezuela, Senegal e México, evidenciando a retomada do fluxo de exportações após um período de menor disponibilidade interna.
O aumento dos embarques está diretamente relacionado à recomposição dos estoques e à maior oferta no mercado, o que permitiu ao país ampliar sua presença no comércio internacional. Ao mesmo tempo, o crescimento das exportações ocorre em um cenário de preços pressionados. “O mercado de arroz passou por uma tempestade perfeita, além da grande produção brasileira no ano passado, a questão cambial com grande valorização do Real frente ao Dólar, derrubou os preços praticados no Brasil, com isso nosso produto ficou com preços atrativos ao mercado internacional, consequentemente impulsionando as exportações”, analisa o presidente da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), Christiano Erhart.
A queda nas cotações internacionais do arroz tem sido influenciada principalmente pelo retorno da Índia ao mercado global, após um período de restrições às exportações de arroz. Com uma safra recorde, o país asiático ampliou a oferta mundial, intensificando a concorrência e pressionando os preços para baixo. Esse cenário tem impactado diretamente o mercado interno brasileiro. Apesar do aumento no volume exportado, os preços seguem sob pressão, refletindo também fatores como o elevado custo de produção, o endividamento de produtores e a concorrência de países como Paraguai e Índia.
A combinação entre oferta elevada e preços mais baixos tem influenciado as negociações entre produtores e indústria, especialmente na safra 2025/2026. Em muitos casos, o aumento das exportações representa uma estratégia para escoamento dos estoques disponíveis, diante de um ambiente de menor valorização do produto. Para o setor, o momento exige atenção e adaptação. Ao mesmo tempo em que o mercado externo se apresenta como oportunidade para ampliação das vendas, o cenário global está mais competitivo e a volatilidade de preços impõem desafios adicionais para a sustentabilidade da atividade.
Leilões podem dar um alívio ao setor
A BBM acredita que a tendência é que o comportamento do mercado de arroz ao longo de 2026 siga condicionado à dinâmica internacional, ao equilíbrio entre oferta e demanda e às estratégias adotadas pelos produtores para lidar com custos e comercialização.
Para dar um alento ao setor, a expectativa é a entrada de leilões organizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “Já tivemos sinalização do governo com auxílio de leilões para escoamento, mas que não deverão ser suficientes para sanar todos os problemas do setor”, analisa o presidente da BBM. “Precisamos de uma atuação mais forte da Conab. Além dos leilões de escoamento, seria muito importante que fossem lançados Contratos de Opção de Venda (Cov), isso daria segurança ao produtor e um direcionamento para os preços do segundo semestre”, conclui o gestor.


