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Importação de arroz pelo Brasil avança na primeira semana de fevereiro; produtor segue em alerta

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A importação de arroz em casca começou fevereiro em ritmo acelerado, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Apenas na primeira semana do mês, o Brasil movimentou 650 milhões de dólares com compras externas do grão. O valor já supera todo o montante registrado em fevereiro do ano passado.

Na média diária, o avanço chama ainda mais atenção. Foram 130 milhões de dólares por dia útil na primeira semana de fevereiro de 2026. No mesmo período de 2025, a média ficou em apenas 27,4 milhões de dólares.

O volume adquirido também aumentou de forma significativa. O país importou 4.160 toneladas na primeira semana deste mês. Em fevereiro do ano passado, o total havia sido de 2.170 toneladas no mês inteiro.

Volume maior e preço menor no mercado internacional

Enquanto o volume cresce, o preço médio por tonelada recua. Na primeira semana de fevereiro de 2026, o valor médio ficou em 156,3 dólares por tonelada. Em fevereiro de 2025, o preço era de 252,1 dólares por tonelada.

A queda no preço médio foi de 38 dólares por tonelada. Esse movimento indica maior oferta internacional e disputa entre exportadores. Para o produtor brasileiro, o cenário representa concorrência ainda mais forte no mercado interno.

Com produto chegando mais barato de fora, a pressão sobre as cotações domésticas tende a aumentar. O impacto é sentido principalmente nas regiões produtoras do Sul, onde a colheita começa a ganhar ritmo.

Mercado vive momento de transição e incerteza

O avanço das importações ocorre em meio a um cenário delicado para o setor arrozeiro. Custos elevados, margens apertadas e dificuldade de crédito compõem o quadro atual. Em várias regiões, as contas já não fecham.

Para o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o setor atravessa uma fase de ajuste. “Eu diria que agora começamos a ter um cenário mais de transição, mas para isso nós precisamos ter números mais concretos, tanto da safra gaúcha quanto do resto do Brasil”, afirma.

A expectativa gira em torno da safra do Rio Grande do Sul, principal estado produtor. Há projeções de área abaixo de 900 mil hectares. Caso se confirme, a produção pode ficar mais ajustada ao consumo interno.

Crise de rentabilidade desestimula produtor

Segundo Evandro Oliveira, o problema não é novo, mas ganhou intensidade. “É um ciclo de baixa muito diferente, muito estranho. O custo de vida hoje é muito mais elevado e isso pesa muito mais no bolso dos produtores”, destaca.

Ele lembra que o mercado do arroz é cíclico. Já houve outros períodos de preços baixos. Porém, desta vez, os custos de produção estão em patamar elevado, o que amplia o prejuízo no campo.

Além disso, há um efeito em cadeia que atinge indústrias, cooperativas e fornecedores. Empresas tradicionais enfrentam dificuldades financeiras. O ambiente de incerteza afeta toda a cadeia produtiva.

Excesso global influencia preços no Brasil

O cenário internacional também pesa nas decisões do produtor rural. O continente asiático responde por cerca de 90% da produção mundial. Quando há excesso de oferta lá fora, o reflexo chega ao Brasil.

“Os preços do arroz são analisados de fora para dentro. Nós representamos cerca de 10% da produção global e precisamos dessa sinalização internacional”, explica o analista.

Com a Índia ampliando exportações e outros países colhendo boas safras, a oferta mundial cresceu. Esse movimento limita a recuperação das cotações no mercado interno brasileiro.

Estoques elevados ainda preocupam

Outro fator que exige atenção é o volume de estoques de passagem. A estimativa é de que a temporada encerre com mais de 2,2 milhões de toneladas armazenadas. Esse volume funciona como um peso adicional sobre os preços.

Evandro alerta que o produtor precisa avaliar bem sua estratégia de comercialização. “O setor precisa colocar produto para fora. O desafio é enxugar esse excesso de oferta para encurtar o ciclo de baixa”, orienta.

Há relatos de negociações na faixa de R$ 50 a R$ 53 por saca em algumas regiões. Em operações voltadas à exportação, valores próximos de R$ 62 por saca foram registrados para produto posto no porto.

Estratégia comercial exige cautela

A retenção de oferta pode trazer riscos neste momento. Com a chegada da nova safra, há possibilidade de choque entre estoques antigos e produção recém-colhida. Isso pode gerar pressão adicional sobre as cotações.

“O ano de 2026 tende a ser ainda um ano de muitos obstáculos. É um momento de pé no chão, ainda é muito cedo para qualquer euforia”, ressalta Evandro Oliveira.

O analista reforça que oportunidades não devem ser desperdiçadas. Em cenário de excesso de oferta, vender parte da produção pode ser uma alternativa para melhorar o fluxo de caixa e reduzir exposição a quedas futuras.

Políticas públicas e custo de produção no foco

Entidades do setor buscam medidas para aliviar a situação. Discussões envolvem questões tributárias e apoio ao escoamento. No entanto, muitas ações dependem de decisões estaduais e federais.

Para Evandro, políticas voltadas à redução de custos teriam maior impacto. Ele cita estados onde o custo de produção se aproxima de R$ 100 por saca, o que compromete a rentabilidade.

“Cada gargalo resolvido será uma vitória para uma potencial virada de chave. Mas muitos desses avanços devem ocorrer no médio e longo prazo”, avalia.

Produtor precisa planejar 2026 com prudência

Diante desse cenário, o produtor rural deve redobrar a atenção ao planejamento. Controle de despesas, análise de mercado e gestão de risco tornam-se ainda mais importantes.

A combinação de importações em alta, preços internacionais mais baixos e estoques elevados exige estratégia. A recuperação consistente das margens pode demorar.

A expectativa de parte do mercado é que um ambiente mais favorável surja apenas a partir de 2027. Até lá, a palavra de ordem é cautela, sem perder de vista oportunidades pontuais de venda.

 

 

 

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda