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Controvérsia sobre dado de inflação na Argentina alimenta temor de interferência política

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Por Leila Miller

BUENOS AIRES, 6 Fev (Reuters) – Os dados da inflação na Argentina se tornaram um ponto de conflito político após a renúncia abrupta, nesta semana, do chefe da agência nacional de estatísticas, que expôs tensões no cerne da estratégia econômica do presidente Javier Milei.

O ministro da Economia, Luis Caputo, reconheceu que a saída do chefe do Indec, Marco Lavagna, resultou de uma divergência sobre a decisão do governo Milei de adiar uma atualização da metodologia utilizada para calcular a inflação — uma medida delicada em um país marcado por escândalos de manipulação de dados no passado.

A Argentina foi repreendida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2013 por subnotificar seus números.

Parlamentares da oposição aproveitaram a renúncia de Lavagna para acusar o governo de tentar proteger a posição política de Milei.

“É um truque”, disse a parlamentar Julia Strada à Reuters, afirmando que reduzir a inflação tem sido a “principal ferramenta” de Milei para aumentar sua popularidade.

A renúncia de Lavagna desencadeou um debate mais amplo sobre confiança e transparência, justamente quando Milei anuncia uma redução drástica da inflação mensal — que antes chegava a dois dígitos — para abaixo de 3%.

Embora o chefe do Indec seja nomeado pelo Poder Executivo, o cargo tradicionalmente opera sem interferência política, o que torna o incidente um sinal de alerta, de acordo com Marcelo Garcia, da consultoria Horizon Engage.

“O que me surpreendeu foi a veemência com que o governo afirmou que ele renunciou porque o presidente não concordava com uma política que este instituto, que deveria ser autônomo para tomar essas decisões profissionais, estava implementando”, disse Garcia.

Milei prometeu reduzir a inflação mensal para menos de 1% até agosto.

O Indec havia afirmado anteriormente que a nova metodologia seria implementada para os dados de janeiro. A metodologia atual baseia-se em uma pesquisa de gastos familiares de 2004.

Caputo declarou a uma estação de rádio local que a visão de Milei era a de não implementar a mudança “até que o processo de desinflação esteja consolidado”. Ele não forneceu um novo cronograma.

Cinco fontes de mercado disseram à Reuters que a fórmula atualizada provavelmente teria mostrado uma taxa de inflação pelo menos ligeiramente superior.

O Ministério da Economia da Argentina recusou-se a comentar.

HISTÓRIA DA DÚVIDA

A credibilidade dos dados oficiais de inflação da Argentina foi abalada durante o governo peronista de esquerda do ex-presidente Néstor Kirchner e de sua esposa, a ex-presidente Cristina Kirchner, quando as autoridades foram acusadas de subestimar sistematicamente o crescimento dos preços.

A controvérsia começou em 2007, depois que Néstor Kirchner substituiu a equipe do Indec. Nos anos seguintes, os índices oficiais de inflação frequentemente ficavam abaixo da metade das estimativas de economistas do setor privado. Isso significava que a Argentina estava pagando menos juros em títulos indexados à inflação.

Os dados distorcidos afastaram os investidores estrangeiros e complicaram o retorno da Argentina aos mercados de crédito internacionais após o calote de 2001.

“Os investidores não só perderam a noção do que estava acontecendo na Argentina, como também foram enganados”, disse Aldo Abram, do think tank local Fundação Liberdade e Progresso.

Atualmente, os números da inflação divulgados pelo governo geralmente coincidem com as previsões de economistas independentes.

CICLOS DE INFLAÇÃO

A Argentina é conhecida por seus ciclos de alta inflação, que no passado levavam as pessoas a gastar seus pesos antes que perdessem valor em meio a flutuações de preços, muitas vezes diárias.

Embora Milei tenha sido elogiado por investidores e pelo FMI por controlar a inflação, o verdadeiro indicador econômico para alguns argentinos é o quanto seus pesos rendem.

Ailen Menta, de 31 anos, que trabalha em uma corretora de seguros, disse que seu poder de compra diminuiu sob a gestão de Milei.

Metade da renda dela agora é destinada ao aluguel, um aumento em relação aos cerca de 30% anteriores, desde que o governo reduziu drasticamente o controle de aluguéis.

Muitos outros inquilinos, no entanto, viram os preços caírem, já que os proprietários não precisaram mais estipular aluguéis iniciais altos para compensar o risco da inflação.

A renúncia de Lavagna reduziu a confiança que ela tinha na agência de estatísticas a “zero”.

“Há algo que o governo não quer que saibamos”, disse Menta.

De acordo com a economista Laura Caullo, muitas pessoas ainda sentem os efeitos da forte alta da inflação, impulsionada pela desvalorização do peso e pelos cortes nos subsídios de gás e eletricidade anunciados por Milei em 2024.

A situação se estabilizou em 2025, “mas ninguém te devolve o que você perdeu antes”, disse Caullo.

A reestruturação no Indec, no entanto, não abalou os apoiadores fiéis de Milei, que o elogiaram por estabilizar a economia.

“Estou tranquilo”, disse Roberto Colliard, de 58 anos, funcionário de uma farmácia. “Em poucos dias os mercados se recuperarão, tudo voltará ao normal e vamos esquecer isso.”

(Reportagem de Leila Miller; reportagem adicional de Jorge Otaola)

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda