Notícias

O colapso silencioso do agro – E o novo ciclo de abundância, por Luciana Martins

A cadeia do agronegócio atravessou três anos de cegueira estratégica, com um nível de deterioração estrutural que ninguém quer admitir. O setor viveu um vale. Produtores endividados e desistindo. Cooperativas entrando em liquidação judicial. Indústrias com prejuízos em sequência. Um ecossistema inteiro operando no limite e, ainda assim, insistindo no mesmo modelo de três décadas atrás: foco em produto, volume, campanha e meta.

Enquanto isso, as equipes comerciais e de marketing seguiram rodando o mesmo script, como se nada tivesse mudado.
Essa cegueira operacional é o principal motivo pelo qual grande parte do agro ficou presa no vale.

Agora, 2026 não será um ano “de esperança”. Será o ano do divisor de águas.
E só vai acessar a abundância quem fizer a virada imediata de estratégia.

O vale: três anos de desequilíbrio exposto

Fatos que comprovam o colapso recente

Fonte: Globo Rural – “Vendas da área agrícola da Bayer caíram 18,5% no 2º trimestre, para 4,92 bilhões de euros” (2023).
A área de herbicidas teve uma queda nas vendas de 45,6%, para 1,3 bilhão de euros

Fonte: Revista Cultivar – “Bayer fecha 2024 com prejuízo líquido de €2,55 bilhões” (2024).
A empresa confirma novo prejuízo, reforçando o impacto profundo no segmento agrícola.

Fonte: Relatório Anual FMC – “2023 Annual Report” (2024).
A FMC teve queda de 23% na receita global e 30% no EBITDA ajustado, puxada pela queda de consumo, excesso de inventário e menor apetite de compra dos canais.

Fonte: O Presente Rural – “Explosão de recuperações judiciais no agro acende alerta” (2024).
Os pedidos de recuperação judicial dispararam: 534 (2023) para 1.272 (2024).
Um salto que escancara o colapso financeiro da base da cadeia.

Fonte: BrasilAgro – “Decisão abre precedente para liquidação de cooperativas” (2023).
A Cooperativa Languiru, com dívida superior a R$ 1,1 bilhão, entra em liquidação extra – judicial, deixando claro que o modelo de gestão tradicional não responde mais ao cenário atual.

Fonte: AGfeed – “Cotribá enfrenta crise financeira atraso nos pagamentos e pressão de produtores” (2025).
A Cooperativa Languiru, com dívida superior a R$ 1,1 bilhão, entra em liquidação extra – judicial, deixando claro que o modelo de gestão tradicional não responde mais ao cenário atual.

Esses movimentos não são exceção. São diagnóstico.
Enquanto a base afundava, a pressão por metas e volumes seguiu como se estivéssemos em 2020 – 2021, o mercado virou, o setor continuou repetindo o mesmo modelo: metas irreais, pressão comercial, campanhas desconectadas do território, empurrar produtos para canais sem caixa e super estocados, indústrias ignorando a saúde mental e financeira dos clientes e distribuidores.

A origem do problema: produto no centro, cliente na periferia

Os últimos três anos deixaram evidente uma falha crônica:

A indústria operou olhando para si. Não para o ecossistema que a sustenta.

Pressionou RTVs, cooperativas, distribuidores e revendas como se todos fossem engrenagens substituíveis.
Ignorou o fato de que:

  • o produtor está endividado e emocionalmente exausto,
  • o canal está sem margem, com estoque parado e caixa comprimido,
  • os líderes vivem sob ameaça de demissão,
  • os times de campo trabalham em estado permanente de estresse,
  • o território deixou de responder.

A estratégia dominante foi clara:
“salve-se quem puder”.
Cada elo tentando resolver o seu lado, mesmo que isso destruísse o elo seguinte.

O resultado está nos números: prejuízos, retração, liquidações e perda de confiança.

O colapso emocional das lideranças: a ruptura que ninguém queria admitir

Os anos de 2023, 2024 e 2025 não quebraram apenas produtores, canais e cooperativas.
Eles quebraram lideranças.

A instabilidade no topo da cadeia escancarou o que ninguém ousava dizer: os cargos de maior poder de decisão do agro entraram em colapso emocional e estratégico.

E isso não é opinião.
É fato — sustentado por reportagens reais:

Fonte: Reuters – “John Deere corta posições assalariadas, incluindo níveis gerenciais(25 jun. 2024).”

Fonte: Bloomberg Línea – “Corteva inicia cortes globais em meio à queda de margens” (2024).

Fonte: Valor Econômico – “BRF faz cortes e troca diretores em reestruturação” (4 abr. 2024).

Fonte: AgFunder News – “Indigo demite executivos seniores – Indigo Ag confirms layoffs amid restructuring” (2023).

Essas trocas, demissões e reestruturações mostram a verdade que explica grande parte do vale 2023–2025:

Se o topo da cadeia opera com medo, toda a cadeia opera com medo.

  • CEO pressionado → diretoria insegura
  • Diretoria insegura → gerências desorganizadas
  • Gerências desorganizadas → RTV exausto
  • RTV exausto → território colapsado

A escassez emocional dos líderes contaminou toda a operação. 

Ponto de inflexão: 2026 marca a entrada no ciclo de abundância — mas só para quem mudar o jogo agora

A projeção para 2026 é de recuperação consistente em margens, preço e demanda.
Esse é o primeiro sinal real de abundância desde 2023.

Mas essa abundância não será distribuída igualmente.
Ela vai premiar quem fizer a virada agora e penalizar quem insistir na estratégia antiga.

*A virada consiste em uma única mudança de mentalidade:

Parar de salvar a si mesmo e começar a salvar o ecossistema que te sustenta.

Empresas que continuarem operando como se o produtor fosse o último elo da cadeia vão perder tração.
Empresas que entenderem que o produtor é o centro do ecossistema vão escalar.

A lógica é simples:

Se eu salvo o ecossistema que me suporta, eu estou automaticamente me salvando.
Se eu destruo o ecossistema que me suporta, minha queda é questão de tempo.

O que precisa ser feito imediatamente

(para acessar 2026 com vantagem competitiva real)

1. Produtor no centro da estratégia: A saúde financeira e emocional dele precisa ser KPI real.
Produtor sem caixa = canal travado = indústria sem faturamento.

2. Canais fortalecidos e tratados como parceiros, não como substituíveis :Trocar canal é fácil.
Perder território é irreversível.

3. Cooperativas como hubs de inteligência : Elas precisam voltar ao papel essencial: sustentação técnica, financeira e estratégica do produtor.

4. Revendas como polos de serviço, não como atacadistas de insumos: Valor não está no produto, está no acompanhamento.

5. RTVs e equipes comerciais com equilíbrio emocional: Nenhuma estratégia resiste a uma operação emocionalmente colapsada.

6. Metas baseadas em valor, não em volume: Volume fatura.
Valor sustenta.

O novo modelo de 2026 em diante: Growth Partner como estrutura de crescimento

A cadeia não precisa de mais campanhas isoladas.
Precisa de organização estratégica. O modelo Growth Partner se sustenta em três pilares:

Pilar 1 — Mapa de Oportunidades do Ecossistema

Mapear: caixa do produtor – risco das cooperativas – margem das revendas – saúde emocional dos times – nível de estoque – capacidade de serviço – pontos de estrangulamento – capacidade real de expansão territorial.

Pilar 2 — Desenvolvimento dos Elos da Cadeia

Capacitar o setor inteiro: Produtor – cooperativa – revenda – RTV – gerente – diretor.

Treinamento e desenvolvimento deixam de ser “benefício” e passam a ser infraestrutura de crescimento.

Pilar 3 — Gestão do Equilíbrio Emocional da Cadeia

O território não cresce se as pessoas que o operam estiverem emocionalmente colapsadas.

Produtor pressionado → decide mal.
RTV exausto → erra o diagnóstico.
Gerente inseguro → paralisa.
Diretor pressionado → perde clareza.

Equilibrar as pessoas é pré-requisito para equilibrar o faturamento.

Integração real: consultorias, marketing, eventos e influenciadores precisam parar de operar isolados

Hoje, a indústria contrata: consultorias, agências, influenciadores, TV, rádio, digital, eventos, ativações, mídia técnica …e cada fornecedor opera isolado.

O resultado é o óbvio: desalinhamento, desperdício e não-performance.

Chegou o momento de: integrar comunicação, consultoria, eventos, influenciadores, marketing, território, inteligência e produtor em uma única estratégia coordenada.

Crescimento não é somatório de ações.
Crescimento é resultado de integração.

A experiência com a Ekos Y Agro: a prova de que o modelo integrado funciona

Na minha experiência com a Ekos y Agro, já estamos operando exatamente assim integrando todos os elos. Empresas que antes nos viam como concorrência entenderam:
cooperar é mais eficiente e mais lucrativo do que competir dentro da mesma cadeia.

Todo fornecedor que atua no agro — consultoria, agência, mídia, influenciador, evento, treinamento, inteligência faz parte do mesmo ecossistema.

E quando o ecossistema inteiro performa, o setor inteiro prospera.

Fechamento

2026 será abundante.
Mas abundância precisa de ação imediata.
Busque agora um replanejamento de crescimento e estratégia.

Quem abandonar o modelo “salve-se-quem-puder” e operar em sistema, cadeia e ecossistema vai crescer de forma acelerada.

O que está em jogo não é apenas mercado.
É a capacidade de reconstruir o equilíbrio emocional, financeiro e estratégico de uma cadeia inteira.

Quem cuida do ecossistema se salva.
Quem ignora o ecossistema implode.
2026 vai deixar isso evidente

logo_sinap

METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda