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Lentilha: do Brasil para a Índia? Por Warley Marcos Nascimento e Dalci de Jesus Bagolin

A lentilha (Lens culinaris) é um dos alimentos mais antigos da humanidade. Desde aproximadamente 7000 a.C., essa espécie já era cultivada no Sudoeste da Ásia. É uma leguminosa de alto valor alimentício, importante fonte de proteínas, vitaminas e minerais como cálcio e ferro, que possui em sua constituição os aminoácidos essenciais isoleucina e lisina. A ingestão de alimentos ricos em fibras, como as lentilhas, ajuda na perda de peso; as fibras, além de melhorarem o processo digestivo como um todo, proporcionam a sensação de saciedade. Esse grão é bastante versátil na preparação de pratos, sendo de mais fácil cocção e de maior digestibilidade que o feijão.

Em países produtores e tradicionais consumidores, a lentilha verde também é comercializada enlatada. Flocos de lentilha, com aparência similar à de flocos de aveia, podem ser usados em barras nutritivas ou em cereais matinais, com o benefício de ter o dobro do teor de proteínas dos cereais. Lentilhas na forma de purê são um ingrediente para bolos e pães, contribuindo para modificar a textura e adicionar fibras e proteínas à massa. Os grãos de lentilha têm ganhado importância entre aqueles que valorizam uma alimentação saudável e em mercados gourmet.

A lentilha é uma ótima opção para pessoas com restrição alimentar relacionadas ao consumo de proteína animal e à intolerância ao glúten. Existe uma demanda crescente de proteína vegetal por segmentos que buscam alimentos saudáveis ou alternativas para pessoas celíacas e em dietas vegetarianas e veganas. Nesse último aspecto, observa-se, no mundo todo, um crescimento expressivo de produtos “plant-based”, como hambúrgueres, salsichas, nuggets, ovos, entre outros, à base de pulses (leguminosas de grãos secos), incluindo a lentilha.

Consumo e produção no Brasil

Embora a lentilha seja um alimento importante na base alimentar de vários povos, esse grão é relativamente pouco conhecido e ainda menos consumido no Brasil, sendo que boa parte da população consome apenas em datas específicas, como no Réveillon. Em nosso país, consome-se principalmente a lentilha de grão graúdo, tegumento (casca) verde-acinzentado e cotilédone amarelo, vendida na forma de grão inteiro com casca, embora outros tipos possam ser encontrados em lojas especializadas.

Apesar de ser uma boa opção para a agricultura irrigada de inverno, principalmente na região do Cerrado, onde essa cultura alcança produtividades de 1.200 a 1.500 kg/ha, a área cultivada no Brasil é muito pequena. Com essas produtividades e alta eficiência na utilização de insumos, espera-se ter em nosso país custos de produção competitivos em relação aos daqueles países produtores que exportam para o Brasil.

O Brasil tem importado a totalidade da lentilha destinada ao consumo. Em 2021, o país importou cerca de 15,6 mil toneladas no valor de US$ 13,7 milhões (SECEX, 2022), principalmente do Canadá, um dos maiores produtores e exportadores de lentilha do mundo. Essa importação ocorre devido, principalmente, à falta de interesse dos grandes importadores e/ou empacotadores em estimular a produção nacional, bem como a inexistência de tradição de cultivo por parte de nossos agricultores. Aliado a esses fatores, não se dispunha no Brasil de tecnologia adequada para a produção, tampouco de cultivares adaptadas às nossas condições de clima e solo. Atualmente, graças aos trabalhos de pesquisa realizados pela Embrapa e instituições parceiras, essa tecnologia está disponível, assim como cultivares promissoras. 

Consumo e produção na Índia

Como uma parcela significativa da população indiana é vegetariana, as pulses tem um papel importante no fornecimento de proteína, embora o consumo de proteína na Índia seja bastante baixo quando comparado com as recomendações da OMS. A lentilha é uma das pulses mais consumidas na Índia. Nesse país, a lentilha de cotilédone laranja, chamada também de lentilha vermelha, é muito popular e é a mais consumida, mas podem ocorrer importações de lentilha verde para fazer mistura com outros grãos, como o guandu, por exemplo.

A denominação local para lentilha nesse país é Masoor (Mansur), e é comercializada principalmente na forma de grão partido sem tegumento (após o processamento, com a retirada da casca e divisão do tegumento – cotilédones), sendo que o nome do principal prato da cozinha indiana – Masoor Dal – é a lentilha cozida com especiarias, mas o produto é utilizado em outros pratos, inclusive doces, ou também na forma de farinha. A lentilha, quando cozida, se desintegra formando um purê grosso, seco e de cor amarelada e, por isso, é usada principalmente para o preparo de purês, sopas e pratos indianos como dhals, sendo seu sabor realçado pelo uso de temperos e especiarias. 

A Índia é o segundo maior produtor mundial de lentilhas, com 22% da produção mundial, atrás do Canadá, com 38% e à frente da Austrália com 9% (FAO Stat, 2019). Enquanto o Canadá produz majoritariamente para exportar, a produção indiana é para consumo interno. O Canadá domina o mercado mundial de lentilhas, concentrando 64% das exportações em 2020, seguido pela Austrália com 14% do mercado. A Índia é o maior importador mundial, absorvendo 21% da lentilha comercializada no mercado internacional (TRADEMAP, 2021); em 2020, esse país importou cerca de um milhão de toneladas de lentilha.

A lentilha é uma cultura de inverno na Índia, sendo os estados produtores mais importantes Madhya Pradesh e Uttar Pradesh, que respondem juntos por dois terços da produção indiana. A produtividade obtida na Índia é baixa, inferior a 1.000 kg/ha, e nos últimos anos, tem-se observado uma redução da área plantada com essa leguminosa.

Mercado em Potencial

O fortalecimento da pesquisa voltada para o desenvolvimento de novas cultivares, bem como a geração de tecnologias e informações sobre o sistema de produção de lentilha, pode tornar o Brasil um exportador do grão para a Ásia, além de consolidar o mercado interno e oferecer alternativas aos agricultores brasileiros ao ampliar o leque de potenciais ganhos econômicos.

Na Índia, onde há um aumento do consumo de lentilha, uma redução ou estabilidade de áreas de produção e baixas produtividades, o governo vem buscando diversificar seus fornecedores e parceiros comerciais, o que pode estimular a nossa produção nacional, visando tal mercado externo.

O Brasil ainda não tem o mercado de lentilhas aberto na Índia, pois até o momento ainda não havia disponibilidade do produto para exportação. Este é um bom momento para que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com o apoio da Embrapa e parceiros, inclua a cultura da lentilha nas negociações bilaterais, especialmente considerando a perspectiva de aumento da produção no Brasil.

Sem dúvida, mais uma diversificação para o nosso agro e mais uma valiosa contribuição do setor produtivo ao equilíbrio da balança comercial.

Warley Marcos Nascimento é Pesquisador da Embrapa Hortaliças
Dalci de Jesus Bagolin é Adido Agrícola do Mapa, Embaixada do Brasil na Índia

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda