Por Isabel Versiani
BRASÃLIA (Reuters) – A dÃvida pública federal cresceu 3,07% em junho sobre o mês anterior, atingindo 5,330 trilhões de reais, sob o impacto de mais um volume expressivo de emissão de tÃtulos, mostraram dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira.
No perÃodo, a dÃvida pública interna cresceu 3,29%, a 5,103 bilhões de reais, com uma emissão lÃquida de 133,43 bilhões de reais.
Os recursos captados reforçaram a reserva de liquidez do Tesouro, que foi a 1,167 trilhão de reais, suficiente para fazer frente à quase a totalidade dos vencimentos de dÃvida dos próximos 12 meses (1,183 trilhão de reais). Em linha com estratégia já explicitada pelo Tesouro para 2021, o caixa está bem acima do nÃvel visto pela equipe econômica como prudencial, que é de três meses de rolagens.
Já o estoque da dÃvida pública externa caiu 1,77% em junho, a 226,67 bilhões de reais, refletindo a valorização do dólar frente ao real no mês.
O prazo médio das emissões do Tesouro, que caiu substancialmente durante a crise da pandemia em meio a preocupações fiscais, subiu pelo segundo mês consecutivo em junho, para 4,58 anos. Já o prazo médio do estoque da dÃvida recuou ligeiramente para 3,73 anos, ante 3,78 anos em maio.
“Temos observado ao longo dos meses de 2021 uma melhora significativa dos mercados, uma recuperação em relação ao que observamos em 2020, isso tem ocorrido de uma forma bastante gradual e consistente”, disse o coordenador de Operações da DÃvida Pública, Roberto Lobarinhas, ao comentar o alongamento das emissões. Ele disse esperar que essa tendência se mantenha ao longo dos próximos meses.
Em relação à composição, os tÃtulos que variam com a Selic, representados pelas LFTs, continuaram com maior peso na dÃvida pública federal, com participação de 35,07% do total, ligeiramente abaixo do 35,39% de abril.
Já os tÃtulos prefixados, que dão mais previsibilidade à gestão da dÃvida, avançaram a 33,33% da dÃvida, ante 32,95% no mês anterior. Os papéis indexados à inflação, por sua vez, aumentaram para 27,13%, ante 26,95% em maio.
Em relação aos detentores, a participação dos investidores estrangeiros na dÃvida mobiliária interna recuou a 9,71%, frente a 9,87% em maio. Essa queda se deu a despeito do crescimento do volume de tÃtulos na mão dos estrangeiros no perÃodo, refletindo o aumento maior das carteiras das instituições financeiras, cuja participação no estoque chegou a 30,74%.