Reforma administrativa não é complexa, é simplificadora, diz Guedes
BRASÃLIA (Reuters) – O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira que a reforma administrativa enviada pelo governo em discussão no Congresso não é complexa e pretende ser simplificadora.
Em audiência pública para discutir a proposta na Câmara, Guedes disse que está trabalhando em conjunto com o relator da proposta, deputado Arthur Oliveira Maia (DEM-BA).
Segundo o ministro, o principal objetivo da reforma é garantir a melhoria e a qualidade no fornecimento da prestação do serviço público de uma forma eficiente.
Guedes ressaltou que, desde o inÃcio, o presidente Jair Bolsonaro disse que a proposta não iria tocar em direitos adquiridos pelos atuais servidores.
O ministro afirmou que a proposta não deseja acabar com a estabilidade do funcionalismo, mas defendeu que haja uma espécie de avaliação para os servidores que vão ingressar na carreira pública e que isso seja instituÃdo pelos atuais servidores.
(Reportagem de Ricardo Brito)
Fluxo cambial fica positivo em US$4,4 bi em junho, o melhor para o mês desde 2007
SÃO PAULO (Reuters) – O Brasil teve em junho a maior entrada lÃquida de dólares pelo câmbio contratado para o mês desde 2007, resultado puxado pela virada para positivo no fluxo financeiro.
O superávit foi de 4,449 bilhões de dólares, mais do que revertendo resultado negativo de 1,821 bilhão de dólares em maio, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira.
É o melhor número desde fevereiro de 2019 (+8,626 bilhões de dólares) e o mais robusto para o mês desde 2007 (+16,561 bilhões de dólares).
A conta financeira –em que são registrados fluxos para portfólio, empréstimos e investimentos em geral– mostrou sobra de 2,644 bilhões de dólares em junho, após contabilizar saÃda lÃquida de 4,089 bilhões de dólares no mês anterior.
Já o câmbio contratado para operações comerciais teve saldo positivo de 1,805 bilhão de dólares, abaixo do de 2,268 bilhões de dólares de maio.
A atualização semanal dos dados pelo BC trouxe ainda os números dos dois primeiros dias de julho, com resultado negativo de 183 milhões de dólares.
De forma geral, 2021 tem sido um ano de expressiva melhora no fluxo cambial contratado para o Brasil. Dos seis primeiros meses do ano, apenas maio registrou saÃda lÃquida de recursos, e o resultado do semestre mostrou ingresso de 15,341 bilhões de dólares.
No acumulado do ano, o superávit é de 15,158 bilhões de dólares, bastante diferente do visto no mesmo perÃodo do ano passado (déficit de 12,867 bilhões de dólares).
(Por José de Castro)
Ibovespa ensaia recuperação enquanto aguarda ata do Fed
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO (Reuters) – O Ibovespa avançava nesta quarta-feira, buscando uma reação após duas quedas seguidas, enquanto investidores aguardam a ata do Federal Reserve, de olho em sinais sobre o momento em que a autoridade monetária dos Estados Unidos começará a reduzir os estÃmulos à economia norte-americana.
Às 11:13, o Ibovespa subia 0,48%, a 125.701,35 pontos. A alta vem após acumular queda de quase 2% nos dois primeiros pregões da semana. O volume financeiro somava 5,9 bilhões de reais.
O Fed divulga às 15h a ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) no mês passado, quando antecipou para 2023 projeções para aumento nas taxas de juros e abriu a discussão sobre quando e como pode ser apropriado começar a reduzir suas compras mensais de ativos.
No Brasil, as vendas no comércio subiram em maio pelo segundo mês seguido em meio ao afrouxamento de medidas de restrição contra a Covid-19 e, embora o resultado tenha ficado abaixo do esperado, o setor permanece acima do patamar pré-pandemia, o que beneficiava ações de varejistas.
Agentes financeiros, contudo, ainda veem fatores domésticos pesando negativamente, como ruÃdos polÃticos e a falta de consenso sobre as propostas apresentadas pelo governo federal na segunda fase da reforma tributária.
De acordo com análise gráfica da equipe da Ãgora Investimentos, para reverter novamente para alta no curtÃssimo prazo, o Ibovespa precisaria vencer a reta de resistência na linha dos 128.500 e neste caso, voltaria a olhar para os 135.000 pontos”, afirmou em comentário a clientes.
DESTAQUES
– MAGAZINE LUIZA ON valorizava-se 2,9%, tendo como apoio dados do IBGE que mostraram que maio registrou avanço de 1,4% nas vendas no varejo ante abril, que teve o desempenho revisado para cima.
– LOCAWEB ON mostrava elevação de 4%, em sessão de recuperação, após acumular declÃnio de mais de 6% nos primeiros pregões de julho. Além disso, o Bradesco BBI iniciou a cobertura da empresa com recomendação “outperform”.
– ITAÚ UNIBANCO PN oscila ao redor da estabilidade e BRADESCO PN cedia 0,3%, afastando o Ibovespa das máximas registradas mais cedo, quando chegou a superar os 126 mil pontos.
– CSN ON subia 2,6%, e liderava os ganhos no setor de mineração e siderurgia, que mostrava VALE ON em alta de 1%. Tanto os preços futuros do aço como do minério de ferro na China avançaram nesta sessão.
– PETROBRAS PN avançava 0,5%, ensaiando recuperação após tombo na véspera, mesmo em sessão de fraqueza dos preços do petróleo no exterior.
– PETRORIO ON caÃa 1,7%, ampliando as perdas da véspera, quando fechou em baixa de 5,82%, encerrando uma série de cinco altas, em que acumulou ganho de 14,5%.
Meta de progresso “substancial” do Fed ainda não havia sido atingida em junho, mostra ata
Por Howard Schneider e Jonnelle Marte e Lindsay Dunsmuir
WASHINGTON (Reuters) – As autoridades do Federal Reserve que se reuniram em junho avaliaram que o objetivo de mais progresso substancial da recuperação dos Estados Unidos ainda não fora atingido de forma geral, embora os participantes esperem que os avanços continuem, de acordo com a ata do encontro do banco central norte-americano divulgada nesta quarta-feira.
“Vários participantes” da sessão ainda sentiram que as condições para reduzir as compras de ativos serão “atingidas de certa forma mais cedo do que eles esperavam”, enquanto outros viram um sinal menos claro vindo dos dados.
“Em geral, os participantes julgaram que, por uma questão de planejamento prudente, é importante estar bem posicionado para reduzir o ritmo de compras de ativos, se apropriado, em resposta a acontecimentos econômicos inesperados, incluindo progresso mais rápido do que o esperado na direção das metas do Comitê ou o surgimento de riscos que possam impedir o cumprimento das metas do Comitê”, apontou a ata.
A reunião de 15 e 16 de junho do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) mostrou que o banco central dos Estados Unidos passou a uma visão pós-pandemia do mundo, retirando a antiga referência ao coronavÃrus como restrição à economia e, nas palavras do chair do Fed, Jerome Powell, “falando sobre falar” quando mudar a polÃtica monetária também.
O inÃcio dessa discussão, junto com projeções para a taxa de juros mostrando custos de empréstimos mais elevados já em 2012, levou investidores a antecipar um movimento do Fed mais rápido do que o esperado para encerrar seu suporte a uma economia que ainda sofre com altos nÃveis de desemprego e, agora, com inflação em alta.
Os rendimentos de longo prazo dos Treasuries estão perto de mÃnimas de cinco meses, e a diferença entre eles e os de curto prazo tem se estreitado, algo normalmente associado a um ceticismo sobre o cenário para o crescimento econômico de longo prazo.
O analista da Cornerstone Macro Roberto Perli escreveu recentemente que “o mercado vê a mudança do Fed como prejudicial à s perspectivas de longo prazo para a economia dos EUA”, com o compromisso do Fed de retornar ao pleno emprego enfraquecendo diante da inflação mais alta do que o esperado.
Powell, em declarações a repórteres ao fim da reunião do mês passado, disse que qualquer aumento na taxa de juros referencial do Fed ante o atual nÃvel de quase zero permanece distante. Ele afirmou, no entanto, que o Fed iniciaria uma avaliação “reunião por reunião” sobre quando começar a reduzir suas compras mensais de 120 bilhões de dólares em tÃtulos do Tesouro e tÃtulos lastreados em hipotecas, e sobre como anunciar seus planos para isso.
A economia dos EUA, disse ele naquele momento, ainda estava “longe” do progresso sobre criação de vagas de trabalho que o Fed quer ver antes de reduzir seu programa, que sustenta a economia tornando as compras de moradias, carros e itens similares mais fácil ao reduzir custos de empréstimos para famÃlias e empresas.
Mas “estamos fazendo avanços”, disse Powell na entrevista, acrescentando que de tal maneira ele e seus colegas precisam agora “esclarecer…o pensamento em torno do processo de decidir se e como ajustar o ritmo e a composição das compras de ativos”.
MOMENTO DA REDUÇÃO
O que investidores querem saber é a rapidez das discussões e quando a redução real pode começar.
Várias autoridades regionais do Fed disseram sentir que a economia está perto do ponto em que o banco central deve recuar. Entretanto, mesmo algumas delas indicaram que demorará várias reuniões para desenvolver e anunciar um plano de redução das compras.
As próximas duas reuniões do Fed estão marcadas para 27 e 28 de julho e 21 e 22 de setembro. Nesse Ãnterim, o banco central vai realizar sua conferência em Jackson Hole, Wyoming, evento que os chefes do Fed muitas vezes usaram para sinalizar mudanças na polÃtica monetária.
Inflação, pandemia e dÃvidas são as principais preocupações dos bancos centrais, diz pesquisa UBS
Por Tom Arnold
LONDRES (Reuters) – A inflação apareceu como uma das principais preocupações dos gestores de reservas de bancos centrais, juntamente com o fracasso em pôr fim à crise da Covid-19 e o aumento dos nÃveis da dÃvida, mostraram resultados de uma pesquisa do UBS divulgada nesta quarta-feira.
Temores em relação à inflação e aumentos descontrolados nos rendimentos de longo prazo, riscos não sinalizados pelos participantes da Pesquisa Anual de Gestores de Reservas do ano passado, foram neste ano levantados por 57% dos entrevistados como principal risco para a economia mundial.
O fracasso em acabar com a pandemia foi citado como preocupação por 79% dos entrevistados, com 71% sinalizando os nÃveis da dÃvida do governo.
Refletindo a angústia sobre a gravidade da Covid-19, metade dos participantes da pesquisa acredita que o vÃrus acabará somente após 2022.
Gestores de reservas de aproximadamente 30 bancos centrais mundiais responderam à pesquisa, conduzida durante os meses de abril e junho.
“A inflação voltou ao topo das preocupações dos banqueiros centrais”, disse Massimiliano Castelli, chefe de estratégia e consultoria para mercados soberanos globais do UBS, à Reuters.
“A maioria está dizendo que espera um aumento, mas não chega a nÃveis muito altos de inflação. Portanto, parece que existe uma espécie de visão entre a comunidade de bancos centrais de que o atual aumento da inflação que estamos experienciando é transitório.”
Mais de dois terços dos participantes na pesquisa esperam que o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos aumente as taxas de juros em 2023, enquanto 30% esperam que o Fed o faça em 2022.
Em contrapartida, os participantes esperam um ciclo de alta posterior para o Banco Central Europeu (BCE), com 33% esperando o primeiro aumento dos juros para 2023, 41% em 2024 e apenas 26% depois de 2024.
(Por Tom Arnold em Londres)