A taxa média de juros cobrados de famÃlias e empresas em fevereiro ficou em 28,1% ao ano, segundo as EstatÃsticas Monetárias e de Crédito, divulgadas hoje (29) pelo Banco Central. O percentual representa recuo de 0,4 ponto percentual na comparação com janeiro; e de 6 pontos percentuais no acumulado de 12 meses.
Esses dados são do crédito livre, em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado tem regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.
De acordo com o documento, a taxa média de juros para pessoas fÃsicas no crédito livre está em 40,1% ao ano, o que representa uma alta de 0,6 ponto percentual em relação a janeiro. Em 12 meses, o resultado representa uma queda de 6,8 pontos percentuais.
Segundo o BC, o aumento da taxa cobrada para pessoas fÃsicas reflete principalmente os aumentos dos juros cobrados no cartão parcelado (5,6%) e na composição da dÃvida (2,7%), que é uma renegociação com modalidades diferentes de crédito.
Para as empresas, especificamente, os juros apresentaram queda, situando-se em 13,8% ao ano, o que representa redução de 3,2 pontos percentuais em 12 meses. Segundo o BC, o crédito livre a pessoas jurÃdicas alcançou R$ 1,1 trilhão, o que representa acréscimo de 1,2% no mês, “com destaque para as modalidades de desconto de duplicatas e recebÃveis, antecipação de faturas de cartão, aquisição de veÃculos, ACC [Adiantamento sobre Contrato de Câmbio] e financiamento a exportaçõesâ€.
Estoque de crédito
O saldo total das operações de crédito do sistema financeiro alcançou R$ 4,046 trilhões em fevereiro, aumento que corresponde a 0,7% no mês. No caso das carteiras de pessoas jurÃdicas, o saldo ficou em R$ 1,8 trilhão (variação de 0,6%). Já o de pessoas fÃsicas ficou em R$ 2,3 trilhões (0,8%). Em 12 meses, o crescimento registrado totalizou 16,1%, motivado principalmente pela expansão de 22,9% no crédito a empresas.
O crédito livre para pessoas fÃsicas ficou em R$ 1,2 trilhão (crescimento de 0,7% no mês e 10,3% em 12 meses). Segundo o BC, esse crescimento registrado no mês se deve principalmente ao aumento observado nas modalidades de crédito pessoal (consignado e não consignado). Já o crescimento registrado no prazo de 12 meses, o destaque ficou para as modalidades aquisição de veÃculos e composição de dÃvidas.
O crédito livre para as empresas apresentou saldo de R$ 1,091 trilhão, em fevereiro, com crescimento de 1,2% no mês e 22,5%, em 12 meses.
No crédito direcionado, o saldo de pessoas jurÃdicas recuou 0,2% no mês, atingindo R$ 700 bilhões, mantendo crescimento significativo em 12 meses, 23,5%.
O chefe do Departamento de EstatÃsticas do BC, Fernando Rocha explica que “os recursos destinados a pessoas jurÃdicas tiveram redução de saldo [de 0,2%] devido à s operações feitas com o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], que teve redução de 0,8%â€, disse referindo-se aos créditos direcionados a empresas. “O saldo de outros créditos direcionados, que inclui créditos criados durante a pandemia, está estávelâ€, acrescentou.
Inadimplência
A inadimplência, situação em que há atrasos superiores a 90 dias, apresentou uma média de 2,3% para empresas (1,4%) e famÃlias (3%).
De acordo com o BC, nas operações com recursos livres, a inadimplência permaneceu em 2,9%, sendo que as empresas registraram 1,6% e as pessoas fÃsicas, 4,1%.
Já as operações com recursos direcionados, o indicador ficou em 1,3%, “com evolução de 0,2 ponto percentual, também distribuÃda nos segmentos de empresas (0,4 ponto percentual) e de famÃlias (0,2 ponto percentual)â€. No caso das empresas, a taxa de inadimplência das operações com recursos direcionados chegou a 1% das pessoas fÃsicas, 1,6%.

