Os casos de covid-19 na União Europeia aumentaram de 200 por milhão de habitantes, em meados de fevereiro, para 270 por milhão de habitantes no último fim de semana (13 e 14.mar.2021).
Esse nÃvel ainda está muito longe do recorde da UE, de 490 por milhão, registrado em novembro. Mas a distribuição de vacinas tem sido lenta, e o continente enfrenta a perspectiva de ser uma das últimas regiões a se livrar da pandemia.
Na semana passada, de acordo com o Coronavirus Vaccine Tracker da Bloomberg, a UE havia administrado 8 doses a cada 100 pessoas, contra 33 do Reino Unido e 25 dos Estados Unidos.
Enquanto os EUA e outros paÃses corriam para assinar acordos com fabricantes de vacinas, a UE primeiro tentou garantir que todos os 27 paÃses-membros concordassem com os termos para as negociações. A Europa optou por priorizar o processo, e não a agilidade.
O resultado foi uma aprovação regulatória mais lenta das vacinas, o que atrasou acordos para comprar doses, forçando a Europa a esperar na fila atrás de paÃses que se moveram mais rapidamente.
Além disso, a Europa deu grande ênfase à negociação de um preço baixo para as doses de vacinas. Israel, por exemplo, pagou cerca de US$ 25 por dose da vacina da Pfizer, e os EUA pagam cerca de US$ 20 por dose. A UE paga de US$ 15 a US$ 19.
O preço descontado tornou-se outra razão pela qual a Europa teve que esperar na fila atrás de outros paÃses, embora a diferença seja mÃnima em termos macroeconômicos.
Na Europa, o ceticismo que antecedeu a pandemia se torna agora mais claro.
Em uma pesquisa publicada na revista Nature Medicine, residentes de 19 paÃses foram questionados se tomariam uma vacina contra a covid-19 que seja “comprovadamente segura e eficazâ€.
Na China, 89% das pessoas disseram que sim. Nos EUA, 75% o fizeram. Os Ãndices foram mais baixos na maior parte da Europa: 68% na Alemanha, 65% na Suécia, 59% na França e 56% na Polônia.
O ceticismo impulsiona o mais recente problema da vacinação na Europa: cerca de uma dúzia de paÃses, incluindo França e Alemanha, suspenderam o uso de uma das principais vacinas do continente, da AstraZeneca, citando preocupações depois que surgiram relatos de coágulos sanguÃneos em pessoas que receberam o imunizante.
Mas a evidência de que a vacina causa coágulos é nula. A EMA (Agência de Medicamentos Europeia), principal órgão regulador de medicamentos da Europa, ainda diz que os benefÃcios superam os riscos. E Ann Taylor, diretora médica da AstraZeneca, afirmou que a taxa de coagulação entre os europeus vacinados é menor do que “seria esperado entre a população em geralâ€.
Alguns especialistas afirmam que a forma como alguns governos europeus têm lidado com a crise fez com que o número de casos subisse novamente.
Em alguns casos, havia uma estratégia de “deixar passarâ€, como no Brasil ou nos EUA. Em outros, como em alguns paÃses do Leste Asiático, uma rigorosa polÃtica de “covid zeroâ€Â tentou eliminar o coronavÃrus com medidas rigorosas.
A 3ª via, escolhida pela maioria dos governos, é a que domina na Europa: endurecer as restrições quando os contágios sobem e reduzi-las quando os Ãndices melhoram.