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Especialistas convergem que 2020 trouxe novo patamar de preços que permanecerá em 2021 para produtores e consumidores

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Entre os quinze itens que mais tiveram aumento de preços em 2020, quatorze são ligados ao agronegócio. Se olharmos para os 100 itens com mais aumentos de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), apenas 20 são de outros setores, deixando 80% das maiores valorizações para a cadeia do agro.

O INPC é elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com o objetivo de corrigir o poder de compra dos salários, através da mensuração das variações de preços da cesta de básica da população de mais baixa renda. As elevações do índice avaliam o quanto cada produto pesa no orçamento das famílias, abrangendo famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos.

Saiba mais sobre o INPC no site do IBGE

Entre os campeões de aumento no INPC durante o ano passado estão Óleo de Soja (1º com 104,08%), Feijão fradinho (2º com 81,44%), Arroz (3º com 75,36%) e Batata Inglesa (4º com 67,33). Ainda aparecerem nesta lista diversos itens nos setores de hortifrutis, carnes, cereais e grãos.

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“O papel da pandemia para estes aumentos foi muito importante, principalmente pela questão do auxilio emergencial. Isso injetou muito recurso no mercado e boa parte dele foi usado para comprar alimentos”, explica o professor da Faculdade de Administração da USP e FGV, Marcos Fava Neves.

Representantes de algumas dessas cadeias também já alertavam para esta situação nos últimos meses. O presidente da Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul), Alexandra Velho, conta que os preços pagos aos produtores pela saca de arroz saltaram de R$ 40,00 em fevereiro/março/abril para R$ 110,00 nos momentos de pico.

O presidente do Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses), Marcelo Eduardo Luders, também credita ao momento de isolamento social papel fundamental neste cenário, uma vez que estimulou as pessoas a consumirem mais produtos naturais em detrimento aos industrializados e fast foods.

“Na hora de se recolher as pessoas lembraram que o feijão é extremamente protéico, barato e passível de ser armazenado, seja em lata ou em grão. As pessoas estão entendendo que para ter saúde é preciso voltar a consumir produtos mais naturais”, pontua.

Além da pandemia do novo Coronavírus, outros fatores também influenciaram o mercado brasileiro e contribuíram para estas movimentações. Entre eles, está o câmbio. “Você teve uma desvalorização muito grande do real e aumento do apetite importador em boa parte do ano. Isso retira um pouco de produto do mercado interno e encarece a entrada de produtos importados, o que reflete também na questão dos preços internos”, diz Neves.

Questões da economia internacional também contribuíram com este setor, especialmente para as commodities que são comercializadas mundialmente. “A economia mundial voltou a crescer após os primeiros meses da pandemia e a China demandou muita ração para aves e suínos (soja e milho), houve quebra de produção de arroz no sudeste asiático. Houve também aumento de preços nas proteínas como carne suína, bovina de segunda, aves e ovos. Até sardinha e salsicha em lata ficaram mais caros”, ressalta o professor de economia da FGV, Alberto Ajzental.

A grande pergunta que fica agora é: esses aumentos dos preços no Brasil estabeleceram um novo patamar de cotações ou poderemos retornar aos valores pré-pandemia novamente em 2021?

Na opinião de Fava Neves, este ano deve ser mais uma vez de preços elevados. Isso porque, a oferta e a demanda mundial de grãos seguem muito justas e o câmbio permanece pendendo para a moeda americana ante à brasileira. “Esses aumentos de preços estabeleceram sim um novo patamar para os produtos. Os Estados Unidos acabaram de fazer novos cortes de produção de grãos e isso elevou ainda mais os preços internacionais. Como o real não está se valorizando da maneira com que a gente esperava, com o dólar ainda ao redor de R$ 5,30, é provável que os preços permaneçam como estão em 2021”, afirma o professor.

“Para voltarmos aos patamares anteriores estes produtos teriam que sofrer deflação na mesma intensidade, mas estes caminhos não ocorrem nas mesmas velocidades, o aumento é sempre muito mais rápido e mais instantâneo do que a volta. Além disso, a China deve continuar a demandar muito por ração para criação de proteína, a área plantada não vai crescer tão rápido na mesma proporção e o dólar deverá continuar apreciado”, opina Ajzental.

Essa também é a expectativa do presidente da Federarroz, que espera a manutenção dos preços em 2021 para, enfim, dar condições de lucratividade aos arrozeiros brasileiros. “Nós temos uma conjuntura de problemas estruturais não resolvidos ainda na lavoura de arroz. O produtor vem, ao longo dos últimos 4 anos, tendo prejuízo ao plantar arroz, se endividando e saindo da atividade”, diz Velho.

O diretor técnico do Irga (Instituto Rio-Grandense do Arroz), Ricardo Kroeff, relata que a expectativa dos produtores é vender a produção desta safra, que será colhida a partir do meio de fevereiro e ganhar força em março e abril, entre R$ 70,00 e R$ 80,00, índices que serão remuneradores.

Do lado do consumidor final, Velho avalia que, mesmo com estes aumentos nos preços do arroz, o brasileiro acabou sentindo pouco esta movimentação, uma vez que o quilo passou, em média, de R$ 3,50 para R$ 4,50, representando um gasto mensal médio de R$ 25,00 para uma família de quatro pessoas e se mantendo como um dos itens mais baratos no prato básico do país.

O professor Ajzental ressalta ainda que, nem mesmo um aumento no índice de desemprego no Brasil e o término do pagamento do auxilio emergencial serão suficientes para devolver os preços aos patamares anteriores.

“No primeiro trimestre vão entrar safras de arroz e feijão que vão ajudar a segurar os preços e a demanda interna pode recuar um pouco pelo desemprego e término do auxilio, mas aquilo que subiu não vai voltar aos patamares anteriores. Houve uma transferência de renda com a maior parte do orçamento das famílias sendo utilizado para alimentação e isso irá se intensificar. Os preços vão continuar maiores do que eram antes e as pessoas vão ter que usar uma parte maior da renda familiar na compra de gêneros alimentícios”, diz.

Para o analista de mercado da Germinar Corretora, Roberto Carlos Rafael,  perspectiva é de manutenção do cenário positivo e dos preços altos e extremamente remuneradores ao produtor brasileiro. Especificadamente para o milho (que teve aumento de 61,74% no ano juntamente com outros cereais, leguminosas e oleaginosas), o analista explica que os estoques de passagem serão muito apertados e que a entrada de uma safra verão que teve problemas de desenvolvimento no Sul do país irá contribuir para a sustentação das cotações.

Essa questão da rentabilidade aos produtores é outro ponto que merece atenção nessa situação, uma vez que os produtos do agro se valorizaram, mas insumos e componentes da cadeia também registraram elevações ao longo de 2020.

De acordo com o professor Fava Neves, a rentabilidade foi sentida sim, especialmente para os produtores de grãos, mas ficou mais comprometida em setores do agro que utilizam estes itens como matéria prima.

“Quem precisa de ração e grãos teve um impacto de custos importante, mas principalmente o produtor de grãos, que compra parte dos seus insumos em dólar e parte em real, e vende com cotações em dólar teve aumento de margem sim”, pontua.

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda